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Rebeca ganha forças com apoio dos fãs para derrotar cancro

Francisco Gomes

EXCLUSIVO

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A cantora Rebeca está a lutar contra um novo cancro, depois de há oito anos ter ultrapassado um tumor maligno na tiróide. Agora o cancro é na mama mas a artista está confiante que vai superar o problema. Natural das Caldas da Rainha, Cláudia Sofia, nome verdadeiro de Rebeca, tem 38 anos, e enfrenta uma nova batalha contra o cancro, uma luta que acredita voltará novamente a vencer. Foi duas vezes operada em 2010, conseguindo ultrapassar o problema na tiróide. Ao longo destes anos voltou aos espetáculos com grande sucesso. Em setembro do ano passado descobriu que tinha cancro outra vez. Rebeca ainda fez quatro concertos, para cumprir compromissos assumidos. Em palco ninguém reparou em nada diferente, mas dentro dela corria a angústia de saber que tinha uma luta pela frente. Fez uma cirurgia para retirar o tumor e depois começou a quimioterapia, que vai durar até abril. Um dos choques foi ter de rapar o cabelo, sua imagem de marca. Mas Rebeca está cheia de força para derrotar a doença. O carinho dos fãs tem ajudado. E nem mesmo o cancro trava a cantora, que tem um novo trabalho discográfico que assinala vinte anos de carreira.
Na rádio 91 FM, com João Carlos Costa

JORNAL DAS CALDAS – O momento da descoberta de um novo cancro, em setembro do ano passado, foi algo inesperado e um choque…

Rebeca – Foi das piores coisas da minha vida perceber que tinha cancro novamente. O pesadelo começou no dia 6 de Setembro. Toquei no peito e descobri um nódulo diferente que achei logo que não fazia parte do meu corpo.

Liguei logo ao meu médico. Fiz exames e soube que tinha um cancro.

JORNAL DAS CALDAS – Qual foi a primeira pergunta ao médico?

Rebeca – Vou-me safar? Ele disse que não sabia, era conforme a situação e evolução. Foi duro ouvir mas tenho de estar preparada para o pior. Doze dias depois estava a ser operada para tirar o tumor, embora tivesse que fazer quatro concertos antes da cirurgia, porque tinha os meus compromissos e não queria falhar.

JORNAL DAS CALDAS – Como foi estar em palco já sabendo da doença?

Rebeca – Foram os concertos mais difíceis da minha vida e precisei de muita força para subir ao palco, mas consegui como se não fosse nada. As pessoas não sabiam.

JORNAL DAS CALDAS – E o que se passou a seguir?

Rebeca – Logo após a cirurgia começou a quimioterapia em outubro. Os tratamentos não são fáceis, deixam-nos muito debilitadas. Preciso de ajuda para ir à casa de banho, porque não tenho forças. Sinto enjoos. Não consigo ir uma hora ao ginásio correr. Estou toda picada e com pensos. Mas é uma fase para nos tratarmos. Neste momento já estou nas quimioterapias mais fáceis. Até abril vou fazer todos os tratamentos possíveis e imagináveis. Sou uma mulher nova e terei que os fazer até ao fim.

JORNAL DAS CALDAS – Cortar o cabelo foi difícil…

Rebeca – Todas as mulheres gostam de ter o seu cabelo, mas por causa da minha profissão o grande cabelão era a minha imagem de marca. Sempre fui vaidosa com o meu cabelo. Tive de cortar porque já estava a cair. Rapei. Foi um dia que nunca mais vou esquecer. Tive de comprar uma cabeleira porque as pessoas consomem-nos com os olhos se não usarmos. Tive alguns amigos que pensavam que eu ia morrer e não apareceram mais. Mas também outras pessoas mais distantes se aproximaram.

JORNAL DAS CALDAS – Está revoltada?

Rebeca – Não. Deus deve ter tido muito trabalho para se esquecer de mim, mas Deus é o meu filho. É nele que me agarro para ultrapassar os dias difíceis. Fui muito mais abaixo com o primeiro cancro. Fui ao fundo do poço.

JORNAL DAS CALDAS – Como é que a família recebeu a notícia?

Rebeca – Com muito sofrimento. Eu sofro mas sei que os meus familiares também sofrem bastante em verem-me assim. Mas dão um grande apoio.

JORNAL DAS CALDAS – E os fãs também…

Rebeca – São muito importantes as mensagens que recebo. Tenho de agradecer imenso. O carinho que tenho tido das pessoas deixa-me feliz. Tenho sido bombardeada com mensagens de norte a sul do país e do estrangeiro. É tão bom receber mensagens com um positivismo tão grande.

JORNAL DAS CALDAS – Porque é que decidiu expor publicamente a doença, aparecendo na capa da revista “Cristina”?

Rebeca – Quero mostrar que lá por ser figura pública não sou imune. Quero ajudar outras pessoas com o mesmo problema, dar-lhes força e encaminhá-las para os meus médicos.

JORNAL DAS CALDAS – E a carreira de artista é afetada?

Rebeca – A minha carreira, é claro, teve um abalo, como é normal. De setembro até agora não tenho feito nada, mas a partir de maio tenho a minha agenda preenchida. Já tenho muitos concertos para fazer e garanto que estarei com a força toda para poder cantar.

JORNAL DAS CALDAS – E para eles está a sair um novo trabalho…

Rebeca – A canção principal é “Irei vencer”, que gravei ainda a fazer quimioterapia mais agressiva e tivemos de fazer algumas pausas porque estava muito cansada a cantar, mas consegui e fico muito orgulhosa por isso. O disco vai dar-me força.

Novo cd lembra vinte anos de carreira

“Rebeca – Preciosa, 20 Anos” é o novo cd, num álbum de celebração. Duas décadas de dedicação à música percorrendo toda a sua discografia, estando incluídos três temas inéditos, do qual se destaca, pela letra, “Irei vencer”, uma canção reveladora, intensa e emotiva, em que as dificuldades e impasses de uma vida são contornados e ultrapassados com fé e determinação, tal qual o desafio que a cantora caldense enfrenta agora.

Os temas que constam do álbum são “Irei Vencer”, “Teu Coração Em Meu Nome”, “Cola o Teu Corpo No Meu”, “Tira uma Foto Comigo”, “Id”, “Baila Kizomba (feat. Robim Lima)”, “Tácá Tácá Tácá”, “Vais de Vela”, “Meu Nome É Rebeca”, “Como o Brasileiro Faz”, “Porta-Te Bem Rapaz”, “Não Te Estiques”, “Voltei a Viver”, “Não Há Crise”, “Mas Vai Doer”, “Eu e o Meu Piano”, “O Que Tu Queres Sei Eu”, “Eu Não Sou Ela”, “Eu Não Te Condeno” e “Peço-Te Ajuda”.

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