JORNAL DAS CALDAS – O momento da descoberta de um novo cancro, em setembro do ano passado, foi algo inesperado e um choque…
Rebeca – Foi das piores coisas da minha vida perceber que tinha cancro novamente. O pesadelo começou no dia 6 de Setembro. Toquei no peito e descobri um nódulo diferente que achei logo que não fazia parte do meu corpo.
Liguei logo ao meu médico. Fiz exames e soube que tinha um cancro.
JORNAL DAS CALDAS – Qual foi a primeira pergunta ao médico?
Rebeca – Vou-me safar? Ele disse que não sabia, era conforme a situação e evolução. Foi duro ouvir mas tenho de estar preparada para o pior. Doze dias depois estava a ser operada para tirar o tumor, embora tivesse que fazer quatro concertos antes da cirurgia, porque tinha os meus compromissos e não queria falhar.
JORNAL DAS CALDAS – Como foi estar em palco já sabendo da doença?
Rebeca – Foram os concertos mais difíceis da minha vida e precisei de muita força para subir ao palco, mas consegui como se não fosse nada. As pessoas não sabiam.
JORNAL DAS CALDAS – E o que se passou a seguir?
Rebeca – Logo após a cirurgia começou a quimioterapia em outubro. Os tratamentos não são fáceis, deixam-nos muito debilitadas. Preciso de ajuda para ir à casa de banho, porque não tenho forças. Sinto enjoos. Não consigo ir uma hora ao ginásio correr. Estou toda picada e com pensos. Mas é uma fase para nos tratarmos. Neste momento já estou nas quimioterapias mais fáceis. Até abril vou fazer todos os tratamentos possíveis e imagináveis. Sou uma mulher nova e terei que os fazer até ao fim.
JORNAL DAS CALDAS – Cortar o cabelo foi difícil…
Rebeca – Todas as mulheres gostam de ter o seu cabelo, mas por causa da minha profissão o grande cabelão era a minha imagem de marca. Sempre fui vaidosa com o meu cabelo. Tive de cortar porque já estava a cair. Rapei. Foi um dia que nunca mais vou esquecer. Tive de comprar uma cabeleira porque as pessoas consomem-nos com os olhos se não usarmos. Tive alguns amigos que pensavam que eu ia morrer e não apareceram mais. Mas também outras pessoas mais distantes se aproximaram.
JORNAL DAS CALDAS – Está revoltada?
Rebeca – Não. Deus deve ter tido muito trabalho para se esquecer de mim, mas Deus é o meu filho. É nele que me agarro para ultrapassar os dias difíceis. Fui muito mais abaixo com o primeiro cancro. Fui ao fundo do poço.
JORNAL DAS CALDAS – Como é que a família recebeu a notícia?
Rebeca – Com muito sofrimento. Eu sofro mas sei que os meus familiares também sofrem bastante em verem-me assim. Mas dão um grande apoio.
JORNAL DAS CALDAS – E os fãs também…
Rebeca – São muito importantes as mensagens que recebo. Tenho de agradecer imenso. O carinho que tenho tido das pessoas deixa-me feliz. Tenho sido bombardeada com mensagens de norte a sul do país e do estrangeiro. É tão bom receber mensagens com um positivismo tão grande.
JORNAL DAS CALDAS – Porque é que decidiu expor publicamente a doença, aparecendo na capa da revista “Cristina”?
Rebeca – Quero mostrar que lá por ser figura pública não sou imune. Quero ajudar outras pessoas com o mesmo problema, dar-lhes força e encaminhá-las para os meus médicos.
JORNAL DAS CALDAS – E a carreira de artista é afetada?
Rebeca – A minha carreira, é claro, teve um abalo, como é normal. De setembro até agora não tenho feito nada, mas a partir de maio tenho a minha agenda preenchida. Já tenho muitos concertos para fazer e garanto que estarei com a força toda para poder cantar.
JORNAL DAS CALDAS – E para eles está a sair um novo trabalho…
Rebeca – A canção principal é “Irei vencer”, que gravei ainda a fazer quimioterapia mais agressiva e tivemos de fazer algumas pausas porque estava muito cansada a cantar, mas consegui e fico muito orgulhosa por isso. O disco vai dar-me força.
Novo cd lembra vinte anos de carreira
“Rebeca – Preciosa, 20 Anos” é o novo cd, num álbum de celebração. Duas décadas de dedicação à música percorrendo toda a sua discografia, estando incluídos três temas inéditos, do qual se destaca, pela letra, “Irei vencer”, uma canção reveladora, intensa e emotiva, em que as dificuldades e impasses de uma vida são contornados e ultrapassados com fé e determinação, tal qual o desafio que a cantora caldense enfrenta agora.
Os temas que constam do álbum são “Irei Vencer”, “Teu Coração Em Meu Nome”, “Cola o Teu Corpo No Meu”, “Tira uma Foto Comigo”, “Id”, “Baila Kizomba (feat. Robim Lima)”, “Tácá Tácá Tácá”, “Vais de Vela”, “Meu Nome É Rebeca”, “Como o Brasileiro Faz”, “Porta-Te Bem Rapaz”, “Não Te Estiques”, “Voltei a Viver”, “Não Há Crise”, “Mas Vai Doer”, “Eu e o Meu Piano”, “O Que Tu Queres Sei Eu”, “Eu Não Sou Ela”, “Eu Não Te Condeno” e “Peço-Te Ajuda”.





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