Nascido em Gândara dos Olivais, Leiria, a 18 de julho de 1917, Manuel Ferreira, escritor e investigador, foi pioneiro no estudo e divulgação das literaturas africanas de língua portuguesa. O seu contacto com a identidade cultural das antigas colónias portuguesas teve início durante a 2ª Guerra Mundial, quando integrou o exército expedicionário destacado para Cabo Verde. Estacionado em S. Vicente, ali veio a casar com a jovem estudante Orlanda Amarílis, futura professora e escritora.
Manuel Ferreira, que fora incorporado pela primeira vez em 1933, com dezasseis anos, veio a ter uma extensa carreira militar, de soldado ao posto de capitão, no decurso da qual prestou serviço também na Índia e em Angola.
Tem uma obra de ficcionista, inspirado pelo movimento neorrealista, na qual o lugar de destaque vai para os livros de temática cabo-verdiana (Morna, 1948, Hora di Bai, 1962, Voz de Prisão, 1971). Em 1967 publicou A Aventura Crioula, um longo ensaio sobre a história da cultura cabo-verdiana.
Em 1974, foi convidado para lecionar a cadeira de “Literatura Africana de Expressão Portuguesa” na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, iniciando então uma intensa carreira académica, ao longo da qual formou e orientou estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento, investigou e fez conferências pela Europa, África, Brasil e Estados Unidos.
Do seu trabalho de investigação resultaram trabalhos como Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, 1977; 50 Poetas Africanos, 1989, No Reino de Caliban, 3 vols. 1972, 1976, 1986; uma revista, África, com catorze números editados entre 1978 e 1986.
Foi a condição militar que trouxe Manuel Ferreira às Caldas da Rainha. Estava-se em 1954, o então sargento regressava, com a mulher e dois filhos da Índia. Participou nas tertúlias culturais e políticas e na vida associativa caldense, e em 1956/57 acompanhou a criação do Conjunto Cénico Caldense, tendo sido o seu primeiro presidente.



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