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Exposição comemorativa do centenário de Manuel Ferreira

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No próximo dia 22, às 15h, será inaugurada no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, uma exposição comemorativa do centenário de Manuel Ferreira, seguida de uma mesa redonda organizada por João Serra e com os professores Fátima Mendonça (Universidade de Mondlane, Maputo), Ana Paula Tavares (Faculdade de Letras de Lisboa) e Mário Tavares (Instituto Politécnico de Leiria).
Manuel Ferreira vai ser lembrado no Museu José Malhoa

Nascido em Gândara dos Olivais, Leiria, a 18 de julho de 1917, Manuel Ferreira, escritor e investigador, foi pioneiro no estudo e divulgação das literaturas africanas de língua portuguesa. O seu contacto com a identidade cultural das antigas colónias portuguesas teve início durante a 2ª Guerra Mundial, quando integrou o exército expedicionário destacado para Cabo Verde. Estacionado em S. Vicente, ali veio a casar com a jovem estudante Orlanda Amarílis, futura professora e escritora.

Manuel Ferreira, que fora incorporado pela primeira vez em 1933, com dezasseis anos, veio a ter uma extensa carreira militar, de soldado ao posto de capitão, no decurso da qual prestou serviço também na Índia e em Angola.

Tem uma obra de ficcionista, inspirado pelo movimento neorrealista, na qual o lugar de destaque vai para os livros de temática cabo-verdiana (Morna, 1948, Hora di Bai, 1962, Voz de Prisão, 1971). Em 1967 publicou A Aventura Crioula, um longo ensaio sobre a história da cultura cabo-verdiana.

Em 1974, foi convidado para lecionar a cadeira de “Literatura Africana de Expressão Portuguesa” na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, iniciando então uma intensa carreira académica, ao longo da qual formou e orientou estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento, investigou e fez conferências pela Europa, África, Brasil e Estados Unidos.

Do seu trabalho de investigação resultaram trabalhos como Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, 1977; 50 Poetas Africanos, 1989, No Reino de Caliban, 3 vols. 1972, 1976, 1986; uma revista, África, com catorze números editados entre 1978 e 1986.

Foi a condição militar que trouxe Manuel Ferreira às Caldas da Rainha. Estava-se em 1954, o então sargento regressava, com a mulher e dois filhos da Índia. Participou nas tertúlias culturais e políticas e na vida associativa caldense, e em 1956/57 acompanhou a criação do Conjunto Cénico Caldense, tendo sido o seu primeiro presidente.

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