Ministra incentiva produtores a combaterem escassez de ginja

Francisco Gomes

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A falta de ginja está a limitar a exportação do licor deste fruto, muito apreciado no estrangeiro. Para inverter a escassez, a ministra da agricultura, que visitou na semana passada a Frutóbidos, uma das principais empresas produtoras do licor de ginja de Óbidos, desafiou os produtores a aproveitarem fundos comunitários para desenvolverem projetos de investigação que aumentem a cultura. A Frutóbidos, que produz anualmente 110 mil litros de licor de ginja de Óbidos, exporta para 14 países. A ginja está a começar a ser utilizada em produtos alimentares (pastéis, compotas, rebuçados, gomas e chás) e artigos de cosmética (cremes).
Assunção Cristas visitou a Frutóbidos

Os restos do fruto que não eram aproveitados e constituíam resíduos, são agora transformados em produtos inovadores. Marina Brás, gerente da Frutóbidos, indicou que “utilizamos o pedúnculo da ginja, a folha e a pele do fruto”.

Mas esta empresa, tal como outras, esbarra na dificuldade que há em arranjar a matéria-prima. É preciso saber como as ginjeiras poderão ser mais produtivas.

“Há um trabalho de investigação que é necessário fazer em conjunto com as universidades e há dinheiro de fundos comunitários para financiar esses projetos, de maneira a haver melhores produtividades e internacionalizar cada vez mais um produto de excelência que tem tanto a ver com as nossas raízes”, afirmou Assunção Cristas, que teve oportunidade de conhecer de perto todo o processo de transformação, desde a chegada do fruto, à produção do licor de ginja, engarrafamento e expedição para o mercado.

Este é o exemplo claro de como a dimensão da empresa [com sete trabalhadores fixos], muitas vezes, não importa”, declarou a governante.

A produção de ginja é muito instável, variando entre anos de muita e pouca cultura, tendo Assunção Cristas assegurado que o Governo irá “ter linhas abertas para promover a investigação que leve a que se consiga produzir mais.

E no final da visita a própria ministra recebeu uma ginjeira. “Vou plantar, claro, e verificar como são as produções”, comentou ao JORNAL DAS CALDAS.

O presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Humberto Marques, afirmou que esta visita ”inscreve-se num projeto muito importante para Óbidos, de há muitos anos, resultado de um trabalho conjunto entre investidores, autarquia e a Associação de Produtores da Maçã de Alcobaça, com a secção da Ginja, face à importância que a ginja começa a ter”. Humberto Marques diz que a Frutóbidos “soube interpretar aquilo que era a cadeia de valor, para além daquilo que é tradicionalmente conhecida como a ginjinha de Óbidos, mostrando inovação ao nível de produtos alimentares e produtos cosméticos, com enorme potencial”.

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