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Capacidade de resposta em causa

Utentes com credencial para fisioterapia obrigados a serem tratados no Hospital Termal

Marlene Sousa

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Os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) inscritos no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Oeste Norte, que engloba os antigos Centros de Saúde de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, que tenham que fazer fisioterapia com credencial do médico de família, são obrigados a fazer os tratamentos no Centro de Medicina Física e Reabilitação do Hospital Termal ou no Centro Hospitalar de Leiria. Esta orientação, que foi dada há cerca de três meses pelos órgãos de direção do ACES Oeste Norte, está a criar polémica entre muitos médicos e utentes, que alegam que o Hospital Termal não tem os recursos humanos suficientes para tantas solicitações, apesar do ACES Oeste Norte desmentir esta questão e alegar que até reforçou a capacidade de resposta.
Utentes com credencial do Serviço Nacional de Saúde inscritos no Agrupamento de Centros de Saúde Oeste Norte têm que fazer fisioterapia no Hospital Termal

Anteriormente os médicos de famílias entregavam a credencial aos doentes, que se podiam se dirigir ao hospital termal ou a entidades privadas com acordos de convenção com a ACES Oeste Norte.

Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, José Netas, membro do Conselho de Administração do Montepio Rainha D. Leonor, diz que ninguém do ACES Norte informou o Montepio desta orientação e que eles começaram a aperceber-se que o Centro de Saúde recusava e não dava seguimento “aos pedidos que nós fazíamos, inclusivamente de beneficiários para a continuidade de tratamentos”.

José Netas sublinha que os serviços de Medicina Física e Reabilitação (Fisioterapia) que estão instalados no edifício do Centro de Apoio aos Idosos Dr. Ernesto Moreira (Lar), tem capacidade instalada e convenção com o SNS e agora estão subaproveitados. “Nós temos utentes do SNS que vivem nas residências do Montepio que estão instaladas junto ao serviço de fisioterapia e que faziam tratamentos no Montepio e agora vem uma ambulância buscá-los para o Hospital Termal, portanto, esta orientação não faz sentido se foi imposta por uma questão de poupança”, apontou José Netas.

Este responsável revela que os beneficiários do SNS enviados para o Hospital Termal até têm consulta dentro de um determinado prazo mas depois não têm resposta por parte “dos tratamentos, o que prejudica o doente”.

Porque muitos utentes estão habituados fazer os tratamentos no serviço de fisioterapia do Montepio e porque o hospital termal não tem capacidade de resposta, este responsável revelou que estão a praticar preços mais baixos para facilitar os doentes que já faziam tratamentos no Montepio.

A Diretora Executiva do ACES Oeste Norte, Ana Maria Pisco, que foi contatada pelo JORNAL DAS CALDAS, remeteu as questões para a assessoria de comunicaçãoda Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) que informou que “os médicos foram alertados para a legislação em vigor (portaria 95/2013; rede de referenciação MFR (Medicina Física e Reabilitação)/ACSS; circular informativa 8/2012 da ARSLVT”.

Revelou que as unidades dos concelhos de Alcobaça e Nazaré passaram a referenciar para o Hospital de Leiria, de acordo com a alteração de abrangência do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) (o Hospital de Alcobaça passou a pertencer ao Hospital de Leiria). “A consulta de Medicina Física e Reabilitação deste hospital emitiu protocolos de referenciação e reuniu com o conselho clínico e com a direção executiva do ACES Oeste Norte. Sempre que o hospital não tiver capacidade de resposta aos pedidos, os mesmos são encaminhados para as entidades convencionadas, tal como a lei determina”, diz a nota enviada ao JORNAL DAS CALDAS.

Diz também o comunicado que a “MFR do CHO passou também a contar com os recursos humanos do Hospital de Torres Vedras, especialmente dirigidos para os casos pós cirúrgicos de ortopedia, ficando a unidade de fisioterapia de Caldas da Rainha mais disponível para outros casos”.

Segundo a circular nº 5/CCS/2014, deve a referenciação para MFR ser efetuada para o hospital de referência, “neste caso, o CHO”. “Assim, por indicação da Direção Clínica do CHO e da consulta de MFR, em todos os pedidos de consulta deverá estar mencionado o diagnóstico, motivo da consulta, há quanto tempo se iniciou a patologia que motiva a consulta, se já fez tratamentos de reabilitação pelo mesmo motivo e quando e resultado sucinto dos exames complementares efetuados, relativos à patologia pela qual é solicitada consulta de fisiatria.

Diz ainda o comunicado que a direção clínica do CHO, a direção executiva e conselho clínico do ACES Oeste Norte e a chefe de serviço de MFR do CHO, estão a envidar esforços no sentido de otimizar a referenciação para o CHO (criação de protocolo de referenciação).

O CHO também foi contatado pelo JORNAL DAS CALDAS e segundo nota do gabinete de comunicação, “está a avaliar os efeitos da orientação do ACES Oeste Norte na atividade assistencial prestada pelo Serviço de Medicina Física e Reabilitação (SMFR)e, neste momento, ainda não podemos determinar o impacto que a mesma terá naatividade do SMFR”.

Adianta ainda que o CHO “fará tudo o que estiver ao seu alcance para garantir o atendimento dos utentes com qualidade e em tempo útil, de acordo com a capacidade de resposta do centro”.

Marlene Sousa

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