Q

Nem lá vou nem faço nada

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
O geólogo e geofísico alemão Alfred Wegener, com a Teoria da Deriva Continental, provou que, há 200 milhões de anos, quando havia um só continente, Portugal estava ligado ao que é hoje a Terra Nova. Por isso, o subsolo marítimo português, na costa Oeste do Algarve, é semelhante ao do Canadá e Mauritânia, contendo reservas de petróleo e gás natural.

 

A exploração destes recursos tem-se mantido em níveis ridículos, por falta de ambição. Além de petróleo e gás natural, a Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal, que é imensa, a 3ª mais extensa da UE, tem a maior mancha de sulfuretos polimetálicos do mundo, a Sul dos Açores. São campos hidrotermais com ocorrências de zinco, cobre, chumbo, ouro e prata, crostas de ferro, magnésio, cobalto e níquel. Matérias-primas estratégicas, cujo controle marca a geopolítica deste século.

No mar, Portugal é rico, vasto e central. Só somos periféricos e irrelevantes ante a miopia europeia. Portugal é cêntrico na Lusofonia e poderá sê-lo cada vez mais na óptica dos países emergentes, assim os nossos governantes o saibam promover. Com o alargamento do canal do Panamá, desde 2016, Portugal poderia ser a porta de entrada na Europa para mercados tão importantes como Estados Unidos, Brasil e toda a Ásia. A localização de Portugal na charneira Mediterrâneo-Atlântico torna-o naturalmente país-chave no sucesso do projecto europeu. O que impede os nossos governantes de o promover e concretizar?

Neste contexto de concorrência entre as três potências mundiais, Estados Unidos, China e Rússia, em que cada uma procura aumentar a respectiva esfera de influência, a capacidade de proteger territórios, recursos naturais e rotas de comércio é o único garante da soberania. Por exemplo, na Venezuela, Trump tenta usurpar as maiores reservas de petróleo do planeta, sob o pretexto de que os venezuelanos se têm revelado incompetentes ou displicentes a fazê-lo, chegando a portar-se como um pirata, sequestrando petroleiros. Na óptica trumpista, se não forem os Estados Unidos a controlar o regime e os recursos da Venezuela, os chineses e os russos fá-lo-ão.

Acerca da Gronelândia, o raciocínio é o mesmo. Se a Dinamarca jamais conseguirá impedir uma invasão chinesa ou russa, significa que não tem soberania sobre os seus recursos. Assim sendo, a quem se deve confiar essa fonte de matérias-primas essenciais ao futuro da Humanidade? Para o predador Trump, a resposta é óbvia.

Nesta nova ordem mundial, não há diplomacia que substitua a força. Portugal tem de se precaver militarmente e proteger-se e à sua ZEE de modo inquestionável. É inconcebível que, sendo detentor de uma ZEE com os recursos naturais e a importância geoestratégica que o mundo conhece, não a aproveite nem a proteja. Ora, mesmo para ficar de braços cruzados, mesmo para não precisar de lutar, há que ter força dissuasora.

Entretanto, depois da apenas voluntariosa “coligação de vontades”, o comissário europeu da Defesa Andrius Kubilius propõe a criação de um dispositivo militar com 100 mil soldados provenientes dos 27 Estados-membros, para substituir as forças americanas na Europa. Será este o caminho — um sistema federal europeu de segurança, paralelo ou alternativo à NATO, que coordene e optimize o imenso armamento e tropas dispersos pelos países da UE, sem sobrecarga significativa dos orçamentos de Estado e, sobretudo, sem prejuízo do Estado de Bem-Estar Social.

Num tempo em que, mais do que nunca, se exige decência e coragem, Portugal deixa-se estar, à espera do que aconteça.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados

Fechar a estrada antes que o rio decidisse por nós

Este texto é um reconhecimento. Escrevo-o porque sei que os factos aconteceram desta forma. Porque conheço quem tomou a decisão. Porque sei como foi ponderada, discutida, insistida. E porque nem sempre quem evita a tragédia é quem aparece a explicá-la.

foto barroso

Jovem casal abriu negócio de barbeiro, cabeleireiro e esteticista

Foi no final de setembro do ano passado que César Justino, de 23 anos e Maria Araújo, de 22 anos, abriram o cabeleireiro 16 Cut na Rua da Praça de Touros, em Caldas da Rainha. O estúdio, que era previamente loja de uma florista, serve agora o jovem casal e inclui serviço de barbeiro, cabeleireiro e esteticista.

16 cut1

Concurso de cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste

O Chefe do Ano, o maior e mais prestigiado concurso de cozinha para profissionais em Portugal, revelou os 18 concorrentes apurados para as etapas regionais da sua 37.ª edição, após uma fase de candidaturas que reuniu mais de 200 profissionais.
As três eliminatórias regionais decorrerão em abril. A primeira, referente à região Centro, será realizada no dia 14 de abril, na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, nas Caldas da Rainha. A segunda, da região Sul & Ilhas, acontecerá a 22 de abril, na Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão.

concurso