O núcleo das Caldas da Rainha da Liga dos Combatentes comemorou o seu centenário no passado domingo, dia 28, numa cerimónia que teve lugar no quartel da Escola de Sargentos do Exército (ESE).
O dia começou com uma homenagem aos mortos, junto do monumento à entrada do quartel, seguida de sessão solene no auditório e de uma missa de Ação de Graças na capela da ESE.
Na sessão solene foram entregues diplomas de 25 anos de atividade a 10 associados.
A Liga dos Combatentes foi criada em 1921 por combatentes portugueses na Grande Guerra (GG), para defender os seus interesses e ajudar os Inválidos de guerra, as viúvas e os órfãos.
O núcleo das Caldas da Rainha foi fundado a 28 de julho de 1924 por combatentes caldenses que estiveram na I Guerra Mundial, com o objetivo de trazer para o concelho a missão desta entidade.
A sua missão atual passa pelo apoio social e médico aos sócios do núcleo “contribuindo para dignificar a sua posição na sociedade portuguesa”. O núcleo tem desenvolvido atividades com o propósito de conservar as memórias, a cultura, a cidadania e a defesa nacional.
Nas Caldas da Rainha existe um grande envolvimento por parte das famílias dos associados nas atividades e até há crianças que se tornaram sócias. A mais nova tem 11 anos.
O presidente do núcleo das Caldas, tenente-coronel Emanuel Sebastião, salientou que só foi possível chegar aos 100 anos de atividade porque “houve muitas pessoas envolvidas para a manterem viva”.
O responsável destacou ainda que tem cerca de 600 sócios que continuam a pagar quotas todos os meses.
Emanuel Sebastião fez questão de agradecer à Câmara das Caldas e às juntas de freguesia o apoio que têm dado ao núcleo, que tem permitido a continuidade das suas atividades.
Este ano está previsto erigirem um monumento no cemitério das Caldas, o qual será comparticipado a 50% dos custos pela Câmara e uma parte através dos donativos que têm vindo a receber.
O presidente da Câmara, único autarca caldense presente na cerimónia, elogiou o papel que o núcleo tem tido no concelho e o facto de terem alcançado os seus 100 anos de atividade ininterrupta.
As comemorações terminaram com um almoço de convívio no restaurante “Cortiço”, em Tornada, onde participaram cerca de 160 pessoas.
Militares portugueses continuam envolvidos em conflitos
Ao contrário do que por vezes se comenta, tendo em conta que Portugal não tem estado em guerra desde o conflito do Ultramar, o presidente do núcleo considera que a Liga continua a ser necessária. É que continuam a existir combatentes portugueses em cenários de guerra. Ele próprio esteve nem missão no Afeganistão.
O tenente-coronel Carlos Lopes, que foi durante muitos anos presidente do núcleo, também considera que continuará a haver combatentes, mas não deixou de criticar a existência das guerras.
“As guerras são sempre injustas, mesmo que sejam ‘necessárias’ em termos históricos. A guerra é a expressão máxima de quando o homem não consegue conviver com os outros”, afirmou.
Por isso, nestas cerimónias homenageiam as pessoas que “por decisão política tiveram que combater por valores e ideais que eram defendidos nesse tempo histórico”.
Carlos Lopes esteve na guerra em Angola e realça que “quem sentiu as agruras da guerra, como eu, é cada vez mais pacifista”. Também o presidente da Câmara das Caldas salientou que “os militares não são feitos para a guerra, mas sim para defender a paz”.




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