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Conversa reforçou benefícios da velhice

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“Não se deve confundir velhice com falta de saúde” até porque a maturidade traz muitas vantagens que devem ser aproveitadas por quem chega à chamada terceira idade. Este foi um dos principais ensinamentos transmitidos pelo padre Eduardo Gonçalves, durante uma conversa sobre a “Velhice”, que teve lugar a 18 de julho, no café-concerto do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha.

“Não se deve confundir velhice com falta de saúde” até porque a maturidade traz muitas vantagens que devem ser aproveitadas por quem chega à chamada terceira idade. Este foi um dos principais ensinamentos transmitidos pelo padre Eduardo Gonçalves, durante uma conversa sobre a “Velhice”, que teve lugar a 18 de julho, no café-concerto do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha.

Esta foi a última sessão da 2ª edição da iniciativa “Três Conversas para Mudar o Mundo”, organizada pelo hipnoterapeuta Filipe Pereira, com o apoio do JORNAL DAS CALDAS. As três conversas tiveram lugar entre maio e julho.

No início desta conversa, o organizador fez um resumo das três conversas realizadas com temas que consideram pilares: a infância, o associativismo e a velhice. “A minha intenção foi que houvesse uma ligação entre estes três temas”, referiu Filipe Pereira.

Em relação ao tema da velhice, explicou que quis trazer ao debate “uma tomada de consciência do que é isto de ser velho ou a definição de ser velho”.

Na sua opinião, há uns anos a palavra “velho” dava a entender algo que tinha valor pela sua antiguidade, não só em relação às pessoas, mas também a algo material. “À medida que fomos introduzindo a competição, o sentido de velho passou a ser de algo que é substituível e sem valor”, considera.

Para Filipe Pereira, a escola só prepara as pessoas para o trabalho e para o seu “tempo de serviço útil”, enquanto trabalhador. Depois, após a reforma, muitas pessoas não sabem viver com o tempo livre.

“Devem aproveitar o tempo para serem aquilo que querem ser, mas muitas vezes as próprias pessoas não sabem e precisamos descobrir o que nos faz vibrar”, afirmou.

A velhice segundo Cícero

Aos 85 anos, o padre Eduardo Gonçalves, que foi professor de latim, procurou nos clássicos uma explicação sobre a velhice, nomeadamente, na obra de Marco Túlio Cícero, “Catão, o velho, ou diálogo sobre a velhice”, de 44 A.C. (Antes de Cristo).

Considerado como um dos melhores oradores de todos os tempos, o filósofo e político Cícero aborda o tema nesta obra através de uma conversa de um velho com dois jovens.

“Catão, o velho” demonstra aos jovens que a velhice não lhe trouxe problemas de maior e tem a vantagem de ter agora mais sabedoria. Os jovens querem saber porque é que para ele “a velhice nada tem de pesado”, ao contrário de outros velhos que parecem ter de suportar um peso que os fazem ser rezingões.

“Para mim, viver a velhice nada tem de difícil porque tenho razões para viver e isso é preciso em qualquer altura da vida”, parafraseou o padre Eduardo.

Tal como Cícero, o pároco considera que o importante é que se aproveitem os anos de vida para saber o que queremos fazer dela.

Como homem de fé, o padre não teme a morte e espera que quando “fechar os olhos, vá abri-los para a eternidade”, mas também está satisfeito com todos os anos que tem vivido e quer ainda viver.

Concelho tem “uma boa rede” de apoio aos idosos

Alice Gesteiro, presidente da Junta de Freguesia do Nadadouro, prefere sempre utilizar as palavras “velhotes” ou “seniores” pelo peso que considera que a palavra “velho” tem.

Como presidente do Centro de Apoio Social do Nadadouro, tem tido uma grande proximidade com os idosos da freguesia.

Segundo Alice Gesteiro, o concelho tem uma rede de Instituições Particulares de Solidariedade Social “muito boa e que faz um trabalho excelente no acompanhamento aos idosos”.

A dirigente explicou que muitos idosos resistem em mudarem-se para estas instituições e por isso preferem ter apoio domiciliário, mas depois passam demasiado tempo sozinhos. “A solidão é o pior que pode acontecer”, disse, adiantando que é importante que as pessoas não deixem de ser ativas e continuem a desenvolver as suas capacidades.

Quanto às instituições, devem estar atentas aos gostos particulares de cada idoso, porque cada um tem as suas próprias preferências.

Para Alice Gesteiro, para viver melhor o mais importante é a mentalidade que cada um tem. “Há pessoas mais novas que têm uma mentalidade mais velha do que alguns que têm 90 anos”, considera.

Filipa Pires, psicóloga e animadora sociocultural na Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha, referiu que com o aumento da esperança de vida passou a ser mais normal haver idosos com 100 anos.

“Depois das pessoas reformarem há um embate grande porque as pessoas não sabem o que vão fazer” com as horas que passam a ter disponíveis.

Por isso, considera que é fundamental que os idosos promovam o convívio e continuem a relacionar-se socialmente. Nas Caldas da Rainha é possível ingressarem na Universidade Sénior Rainha D. Leonor ou inscreverem noutras atividades, algumas promovidas pelas juntas de freguesia.

No seu dia-a-dia, Filipa Pires faz questão de “trabalhar muito a parte cognitiva com os idosos” e estar sempre com palavras de incentivo, para além de respeitar as preferências de cada um.

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