Dezenas de agentes da PSP concentraram-se no passado dia 11, junto à esquadra das Caldas da Rainha, em vigília, como forma de protesto por melhores condições salariais e de trabalho.
A contestação dos elementos da PSP teve início após o Governo ter aprovado, em 29 de novembro, o pagamento de um suplemento de missão para as carreiras da Polícia Judiciária, que, nalguns casos, pode representar um aumento de quase 700 euros por mês.
Esta ação juntou-se a várias que têm vindo a realizar-se em todo o país e na Assembleia da República. Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, subintendente Hugo Marado, comandante da Divisão Policial de Caldas da Rainha, disse que estão a assinalar “aquilo que tem ocorrido frente à Assembleia da República como nas capitais de distrito e aqui estamos também a sinalizar o desagrado por aquilo que tem sido o tratamento em geral, fruto de uma disparidade ímpar que é a atribuição do suplemento de risco para as polícias, comparando com esse mesmo suplemento atribuído a um serviço de segurança que tem uma missão similar”.
Este responsável referiu que se está a chegar a uma situação “incomportável e limite exatamente no que respeita à quantidade e qualidade de equipamentos bem como ao acréscimo que perdura no tempo com falta de recursos humanos”.
Hugo Marado disse que o Governo deve acautelar a questão dos equipamentos, “nomeadamente os de proteção individual e não só e também os ligados à informática porque a própria criminalidade evoluiu consideravelmente e nós não podemos manter os padrões de resposta que mantínhamos e dispúnhamos há dez ou vinte anos”.
Questionado pelo JORNAL DAS CALDAS sobre a falta de recursos humanos, o subintendente admitiu que “a PSP tem perdido policias e tem dificuldades de recrutamento e a população fica preocupada quando vê menos policiamento na rua”.
Garantiu que procuram estar presentes onde há pessoas e “direcionar o policiamento para os locais onde há mais problemas”. No entanto, alegou que “a continuar esta perda de agentes, com a dificuldade de meios materiais, torna-se difícil dar a resposta que a população exige e que nós gostaríamos de dar”. “Por muito profissionais, por muito dedicados e com espírito de missão, é impossível”, adiantou.
O comandante da Divisão Policial de Caldas da Rainha revelou que o relatório anual de segurança será apresentado e discutido no mês de março, mas garantiu que o aumento de imigrantes nas Caldas, com incidência em nepaleses, indianos e paquistaneses, “não aumentou a criminalidade violenta e grave”.
“A cultura, hábitos e costumes destes imigrantes geram um sentimento de insegurança porque a população não estava habituada a conviver com esta nova realidade e por vezes colidem com aquilo que são as nossas regras, os conceitos básicos da vivência em sociedade e por via disso podemos ter algumas chamadas e algumas ocorrências, mas não necessariamente de criminalidade violenta e grave”, contou.




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