Protocolo entre Hospital e Federação Portuguesa de Badminton
São 12 utentes com transtornos mentais que integram este projeto, que tem a capacidade de os fazer sair de casa e sentirem-se integrados. Além dos benefícios inerentes à prática desportiva a iniciativa tem tido um “impacto profundamente positivo nos doentes”, manifestou Telma Luís.
O projeto resulta da colaboração entre o CHO e Federação Portuguesa de Badminton (FPB) e tem como intuito promover a integração de pessoas com problemas de saúde mental através da prática desportiva. Nasceu em 2015 fruto de um desafio entre estas entidades, uma vez que o Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental precisava de ajuda para dinamizar atividades para os utentes da sua unidade.
No passado dia 12, a parceria foi renovada, para a continuidade do projeto, uma vez que a iniciativa tem contribuído para a melhoria de condições de vida e bem-estar das pessoas com doença mental, de forma solidária e inclusiva.
O protocolo foi assinado pela presidente do Conselho de Administração do CHO, Elsa Baião, e pelo presidente FPB, Horácio de Gouveia.
Elsa Baião louvou a parceria, que é uma forma de trabalhar em rede e neste caso para a “prática de exercício físico como meio de promoção de bem-estar, da saúde e da qualidade de vida dos nossos utentes”.
A colaboração viabiliza a aplicação em alguns projetos do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental, como o “Equilíbrio para o Bem-Estar”, “Cuido de Mim” e “Intervenção Precoce na Psicose”, possibilitando assim o apoio à população com doença mental.
Com a assinatura do novo protocolo o intuito é que a iniciativa receba mais utentes.
Despesas pagas pela Federação
As despesas são asseguradas pela FPB. Os utentes só têm que pagar o seguro anual, que tem o custo de dez euros.
Segundo Patrícia Frade, diretora do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do CHO, praticam atividade física no CAR das Caldas 12 utentes e agora com a atualização da parceria vão ser integrados mais 20. No CAR, os doentes “são tratados como pessoas integradas na sociedade e não são discriminados e postos de lado”. “Os resultados têm sido muito positivos e para nós é uma grande mais-valia”, salientou, acrescentando que existe “um ambiente de suporte e integração”.
A responsável lembra que o desporto constitui uma das “principais ferramentas para a inclusão desta população na comunidade”, concluindo que este protocolo é “o exemplo perfeito do desporto como mecanismo de integração”.
“São tratados por igual”
No ginásio CAR, uma vez por semana os doentes fazem desporto num ambiente em que existe também “normalidade e naturalidade”. Quem o garante é a instrutora Telma Luís, sublinhando “o facto de não estarmos num ambiente hospitalar, mas num local normal onde se pratica atividade física”.
“Há dias em que jogamos badminton e eles gostam muito do jogo porque é uma atividade mais coletiva, mas também vamos ao ginásio fazer treino de cardio e de força, que é mais individual e trabalha a flexibilidade e o equilíbrio”, explicou.
A instrutora adiantou que “um dos objetivos do projeto era que eles saíssem de casa e uma das dúvidas que tínhamos no início era a adesão, que tem sido muito positiva”. “Cantamos os parabéns quando fazem anos, ou seja, criou-se aqui uma empatia com estes utentes, que se sentem muito mais integrados na sociedade. Além da atividade física é um momento de convívio, ensinamentos, recomendações e soluções para superar os problemas dos utentes”, referiu.
“Aumenta a autoestima dos doentes”
A enfermeira Cristina Ribeiro, do departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do CHO, destacou o trabalho de Telma Luís, revelando que tem “o perfil certo para a iniciativa, que aumenta a autoestima dos doentes”.
A profissional de saúde revelou ainda que os utentes integrados no grupo são identificados na sua consulta e têm que reunir certos critérios. São sempre acompanhados pelos técnicos no departamento e têm consulta de psiquiatria, psicologia e nutrição e estão em articulação com a instrutora para ver a evolução e terem feedback de como está a decorrer a atividade”. “Temos muitos utentes que precisam deste estímulo”, sublinhou.
Patrícia Frade, Telma Luís e Cristina Ribeiro apresentaram este projeto no seminário “Desporto: Um Caminho de Inclusão”, que decorreu nos dias 16 e 17 de novembro, no Pavilhão Desportivo dos Lombos, em Carcavelos.





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