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Depois do “Risco” a “Inquietação” será o tema do próximo FOLIO

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O tema da próxima edição do FOLIO – Festival Internacional de Literatura de Óbidos, que irá decorrer de 10 a 20 de outubro de 2024, vai ser “Inquietação”. O tema deve-se às comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974 e dos 500 anos do nascimento do poeta Luís Vaz de Camões.

O tema da próxima edição do FOLIO – Festival Internacional de Literatura de Óbidos, que irá decorrer de 10 a 20 de outubro de 2024, vai ser “Inquietação”.

O tema deve-se às comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974 e dos 500 anos do nascimento do poeta Luís Vaz de Camões.

“Já estamos a trabalhar para a edição de 2024”, garantiu Filipe Daniel, presidente da Câmara Municipal de Óbidos, na sessão de encerramento do último evento, a 22 de outubro.

Em 2023 terão passado pelo FOLIO cerca de 90 mil pessoas, numa edição contou com “603 dos melhores autores e criadores, em 108 conversas e tertúlias, 40 apresentações e lançamentos de livros, 40 espetáculos e concertos, 21 exposições, 18 sessões de leitura e poesia e 14 mesas de autores”.

Na opinião do autarca, o festival de Óbidos “consagrou-se como um dos mais importantes eventos culturais mundiais, representando um importante e imprescindível elevador cultural para Óbidos, para a região e para o mundo”.

Filipe Daniel destacou o facto de o FOLIO permitir a pluralidade, o contraditório, o manifesto, a diferença e a inclusão. “Só com esta aceitação é possível um mundo mais justo, equilibrado e franco”, afirmou.

“Durante a edição de 2023, em que o tema foi o Risco, arriscámos e demos continuidade a um trabalho impulsionado por um dos mentores deste evento e desta vila literária, o nosso querido José Pinho”, concluiu.

Raquel Santos, da Ler Devagar e curadora do FOLIO Mais, salientou que “foi bonito confirmar que o José [Pinho] deixou muitos herdeiros numa festa, que vai certamente continuar”.

Margarida Reis, vereadora da Cultura e da Educação, recordou que o mentor do FOLIO dizia sempre, no final do evento, que o dever tinha sido cumprido. “Tivemos as salas cheias, uma programação de todos para todos, com um grande envolvimento da comunidade”, referiu.

Homenagens aos “Josés”

No último dia do FOLIO a livraria Bichinho do Conto, nos Casais Brancos, viveu momentos especiais alusivos a José Saramago e a José Pinho.

A proprietária da livraria e curadora do FOLIO Ilustra, Mafalda Milhões, considerou que seria importante assinalar este último dia naquele local, onde muitas vezes recebeu José Pinho. “Este FOLIO foi muito difícil, por ter sido feito sem o Zé”, revelou.

No seguimento de um “workshop” de leitura encenada, intitulado “Na minha livraria eu leio Saramago” e que foi coordenado pelo ator Pedro Giestas, foram lidos vários textos do autor.

A leitura foi feita em frente a uma oliveira que foi transladada da vila de Lavre (Montemor-o-Novo), localidade onde José Saramago escreveu o livro “Levantado do Chão”, para o terreno da livraria, instalada numa antiga escola primária.

Pilar del Rio, presidente da Fundação José Saramago, achou magnífica a ideia de trazer esta árvore para a livraria. A viúva do escritor contou que o José Saramago foi para o Alentejo para escrever que também tinha visto na sua terra, no Ribatejo. “O sofrimento que ele viu e que conta no livro, é universal. A oliveira é um símbolo de como alguém que se levanta do chão e se sustenta”, adiantou.

“Esta oliveira foi levantada do chão de Lavre”, sublinhou Alexandre Pirata, que acompanhou António Vinagre, o homem que era presidente da Junta de Lavre quando José Saramago escreveu o livro.

Os dois lavrenses aproveitaram para contar alguns dos episódios do período que o escritor passou naquela localidade.

Nessa tarde foi também inaugurada na livraria a exposição “São os sonhos que seguram o mundo na sua órbita – Uma casa para Saramago”, de Helena Zália e Vânia Kosta. A mostra é uma homenagem ao Nobel português.

De seguida, na sessão de encerramento do FOLIO, Mafalda Milhões promoveu a distribuição de cravos aos presentes, numa alusão a José Pinho, que todos os anos oferecia estas flores nas suas livrarias no Dia Mundial do Livro (22 de abril).

Ney Matogrosso apresentou biografia

Um dos eventos mais esperados desta edição foi a presença do cantor brasileiro Ney Matogrosso, no dia 21, para apresentar a sua última biografia, escrita por Julio Maria.

O artista contou mais pormenores da sua vida e respondeu a todas as perguntas da assistência, constituída sobretudo por brasileiros.

Entre as memórias, o primeiro concerto no Coliseu de Lisboa, em 1983, com a banda Secos e Molhados. Julio Maria acrescentou que um dos elementos do grupo, João Ricardo, era português e considerou que os violões tinham um “som ibérico muito forte”. Seria como “um vira português”, observou Ney Matogrosso.

O livro escrito por Julio Maria percorre 50 anos da vida do cantor brasileiro e revela pormenores que o próprio desconhecia, nomeadamente sobre o passado dos pais. “Quando li, achei que estava a fazer um livro de história e não uma biografia”, observou Ney Matogrosso.

Depois de três biografias, a vida de Ney Matogrosso, com 82 anos, vai dar origem a um filme. As filmagens vão decorrer no próximo ano e a personagem principal será interpretada pelo ator brasileiro Jesuíta Barbosa.

Presidente da Assembleia em Óbidos

No dia 20 o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, esteve no FOLIO para apresentar o livro “Voltas e reviravoltas – A Cidadania”, escrito por Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e ilustrado por Mantraste.

Este é o tema do segundo número da coleção infantojuvenil “Missão: Democracia”, constituída por 12 obras.

República, eleições, Constituição da República e o 25 de Abril de 1974 são alguns dos temas abordados nesta coleção de livros, encomendada pelo Parlamento, com o objetivo de “promover a literacia cívica e explicar como funciona a democracia portuguesa”.

Santos Silva lembrou a importância do 25 de Abril, do qual se comemoram os 50 anos em 2024. “É onde se encaixa a existência de partidos políticos, a liberdade de organização e de ação desses partidos, eleições livres por sufrágio direto, que começaram em 1975, e a lei que regula tudo isto: a Constituição da República Portuguesa”, justificou.

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada revelaram que para escreverem este livro tiveram a ajuda dos seus netos e algum trabalho de investigação. A preparação do livro levou as escritoras a assistirem a assembleias de freguesia na internet, para enquadrarem melhor a história, que envolve jovens praticantes de skate, uma cantora famosa e um presidente de junta.

O ilustrador Mantraste aproveitou a presença das escritoras para as desafiar para escreverem um livro da série “Uma aventura” sobre a freguesia do Nadadouro, nas Caldas da Rainha, onde vive.

Entre a variada programação do FOLIO, a destacar ainda a apresentação de mais uma edição do Curso de Turismo Literário, da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste. O curso é online e irá decorrer às 3ª e 5ª feiras, das 19h00 às 22h00, de 21 de novembro a 29 de fevereiro de 2024. As inscrições podem ser feitas na Academia Digital do Turismo de Portugal (academiadigital.turismodeportugal.pt).

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