Crónicas noturnas

A lei do menor esforço

Jorge Ferreira

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Sei que apenas publiquei um pequeno livro de poemas, "Acaso", em que junto os versos do meu pai, que homenageio, aos meus esforços em poesia livre.
Jorge Ferreira

Do meu pai, poeta de muitos Jogos Florais, a que concorria por todo o país com quadras e sonetos, guardo com orgulho e respeito, na casa das Caldas, o prémio de eleição: a bonita placa de prata da Topázio – com uma pervinca em alto relevo – gravada com o seu primeiro prémio na modalidade Quadra Popular na Praia da Rocha em 1955.

Para capa do “Acaso” servi-me de uma carta do Luiz Pacheco para o meu pai, enviada do Limoeiro em 1968, onde estava preso por “mau comportamento”.

Nesse texto o “nosso” Pacheco agradecia o envio de maçãs e cavacas e corrigia a métrica e o estilo de um soneto, que o meu pai juntou à carta que acompanhou os víveres.

Um texto delicioso com a verve “pachecal” de sempre, apesar das, cito, “caras sinistras” que o rodeavam na prisão.

Já no Lar do Príncipe Real, o Luiz Pacheco conseguiu descobrir o meu/nosso livro e escreveu ao editor que lhe enviou cinco exemplares, a pedido.

A carta resposta, muito simpática, recordava o meu pai e considerava-nos poetas, o que ainda hoje me espanta vindo de quem veio.

Em resumo, o romance histórico ficou ancorado no cais de Alcântara, o guião do filme é a sinopse da sinopse, sem título…sem nada…as memórias são curtas. Sai poema

Contos brancos

Brancos porque escritos na noite que vai passando…

Como actor que em cena esquece o texto, as

palavras escondem-se dentro do papel em jogo

que parece perdido.

Dissimuladas entre a pontuação, atravessam-se.

Deixam para trás quem as persegue.

Esquecem quem as dita.

São palavras brancas sobre papel branco.

Nada.

Ghost-writer

Sou escritor fantasma de mim próprio, contratado a prazo certo.

Escrevo a frustração de não passar a limpo a minha inépcia.

Não quero ser a prova provada da mediocridade

dos nossos tempos: nos livros, nos jornais, no

éter…em tudo se comunica demais.

Além da espuma dos dias, não fica grande coisa

desses fantasmas que não pensam mas escrevem.

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