O músico, que se notabilizou por tocar violino em locais muito improváveis, está a levar a cabo o seu novo projeto “Som & Salvo”, pretendendo agradecer aos profissionais do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), com concertos que foram transmitidos online e que decorreram nos três hospitais da região.
O projeto iniciou no dia 6 de agosto na entrada principal do Hospital de Torres Vedras, seguido do segundo concerto que decorreu a 13 de agosto, junto à entrada principal do Hospital de Peniche.
Segundo o músico, natural do concelho de Alcobaça, este projeto é uma “forma muito humilde de agradecer a todos os médicos, enfermeiros, farmacêuticos, pessoal auxiliar e administrativos pelo esforço incansável desde o início da pandemia, e ainda relembrar a importância da cultura durante os tempos de confinamento”.
O concerto de 30 minutos que era para ter lugar no exterior do edifício da Consulta Externa, na tarde do passado dia 20, foi mudado para a entrada principal devido à chuva.
“Canção do Mar”, “Quem me Dera”, “Amor Ladrão”, “Meu amor longe”, “Fado Improvável”, foram alguns dos temas que tocou e que cativaram os membros do conselho de administração, médicos, enfermeiros, auxiliares, administrativos e alguns utentes que esperavam pela sua consulta.
“O que estou a fazer aqui hoje é da mais elementar justiça”, sublinhou antes de iniciar o concerto. “Estamos todos na luta contra a Covid-19, mas uns estão mais do que outros”, adiantou.
O violinista salientou que embora serem de áreas diferentes, “eu da cultura e vocês da saúde, todos sofremos um pouco com esta situação. Vocês com trabalho a mais e eu com trabalho a menos”.
No seu entender, “a cultura sempre foi o parente pobre da sociedade e naturalmente a pandemia veio acentuar as dificuldades”. No entanto, acredita que “manter o espírito positivo e arranjar projetos é o caminho de vencer”.
Com um grande agradecimento a todos os profissionais de saúde, o violinista disse que é preciso coragem para “continuar a lutar”.
No final do concerto o conselho de administração do CHO agradeceu a Nuno Santos e ofereceu-lhe uma lembrança.
O violinista pretende brevemente levar o projeto “Som & Salvo” aos hospitais de Leiria e Coimbra.
“Um violino nos locais mais improváveis”
Nuno Santos explicou que o projeto “Um violino nos locais mais improváveis” começou há 15 anos quando “trabalhava como responsável de uma reserva natural no Equador que se situava na base de um vulcão e decidi escalar para tocar violino no cume. Foi um desafio, uma maluqueira e a partir daí a ideia começou a ganhar forma”.
O violino foi sempre o seu companheiro de viagem e foi com ele que fez amizades e que definiu destinos. “A cordilheira dos Andes e a Amazónia talvez tenham sido os locais mais remotos onde estive”, contou.
A paixão pelo violino surgiu cedo. Nuno Santos frequentou, durante a infância e adolescência, a Sociedade Filarmónica Vestiariense, na qual aprendeu a tocar o instrumento de cordas. Ingressou na licenciatura em Ciência do Desporto e foi durante dez anos docente no Instituto Politécnico de Leiria. “Senti-me sem desafios que me motivassem, então surgiu a ideia de descer uma onda grande a tocar violino. “Para fazer isto foi preciso bastante preparação e dedicação e foi conjugar música e mar, que eu adoro”, manifestou.
O local mais improvável que tocou o violino foi no vulcão ativo mais alto do mundo, o Cotopaxi, que se localiza no Equador. “A chegada ao cume foi exigente, com chuva e granizo, mas quando cheguei lá cima chegou o sol e foi o tempo de tocar”, recordou.
“Fado improvável” é o novo álbum de Nuno Santos. Depois de tocar violino nas ondas da Nazaré e no Monte Branco, quer concretizar o projeto “Sete”, com o objetivo de “escalar as maiores montanhas dos sete continentes e surfar as maiores ondas dos sete mares”.
“Adorava tocar o violino no cume do monte Evereste”, sublinhou. Mas, na verdade, ninguém sabe ao certo os locais onde Nuno Santos e o seu violino poderão chegar.








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