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Praça da Fruta regressou ao centro da cidade com opiniões divididas

Mariana Martinho

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A Praça da Fruta, que foi deslocada há quatro meses para a Expoeste - Pavilhão de Feiras devido à pandemia de Covid-19, regressou na passada quarta-feira ao tabuleiro centenário da Praça da República. Este regresso, que “não foi consensual” e que ficou marcado pela divisão de opiniões entre quem preferia continuar no centro de exposições e os saudosos de voltar ao centro da cidade, contou com a presença de cerca 50 vendedores habituais do mercado, que a partir de agora, está limitado a 100 pessoas em simultâneo no espaço.
O primeiro dia de praça contou com presença de cerca de 50 vendedores (foto Joana Rocha)

Em abril, a autarquia transferiu “provisoriamente” para o pavilhão de exposições o ex-líbris turístico do concelho, de modo a apoiar produtores e vendedores locais a escoar os seus produtos, que durante o Estado de Emergência ficaram impedidos de exercer a atividade, bem como garantir o acesso dos consumidores às frutas, legumes e outros alimentos que ali são comercializados. Agora, passados quatro meses, o mercado regressou aos toldos coloridos da Praça da Republica, sob fortes medidas de segurança.

“Além de estar vedada com 60 baias metálicas decoradas com imagens de hortícolas, o mercado conta agora apenas com três entradas (junto à rua das Montras e nos topos sul e norte), sendo ambas controladas por seguranças, que verificam quem entra e asseguram que só o faça depois de desinfetar as mãos e colocar a máscara”, frisou o presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Tinta Ferreira, que marcou presença no primeiro dia de mercado, que pelo menos até ao final de agosto tem de cumprir novas regras de distanciamento e de lotação limitada a 100 pessoas, controlada pelos seguranças através de uma aplicação móvel.

“Número esse que neste primeiro dia se aproximou muito do limite”, destacou o autarca, que admitiu que no próximo mês “se poderá retirar as baias no tabuleiro, pelo menos de segunda a quinta-feira”. Mas isso “dependerá de como as pessoas se comportarem em termos de respeito das normas relativas à pandemia”, explicou o vereador dos mercados, Pedro Raposo, que também esteve no primeiro dia de praça, que serviu de teste para o dia de maior movimento (sábado), com cerca de uma centena de vendedores.

De acordo com o vereador, “aí é que se vai ver que ajustes serão precisos para que a praça da fruta não tenha de voltar a sair do centro da cidade”.

Além do investimento nas lonas, do reforço da limpeza e das aplicações para controlo de entradas, a autarquia também vai assegurar a montagem das barracas até ao mês de dezembro. “Os vendedores nesta situação de pandemia como têm uma redução de compradores pareceu-nos que seria injusto que eles tivessem de gastar dinheiro na contratação de empresas de montagem dos toldos, por isso, esse processo passa a ser um custo do município e não dos vendedores”, esclareceu o edil, que igualmente mostrou-se “satisfeito com a forma como os vendedores e os compradores aderiram a este regresso”, que “não foi consensual”.

Em relação a isso, Tinta Ferreira referiu que “é natural que não haja unanimidade entre vendedores mas este é o local de funcionamento do mercado da fruta, e a Expoeste foi e será apenas uma solução provisória caso a situação pandémica volte a agravar por algum motivo”.

“O nosso lugar é aqui”

A funcionar todos os dias das 08h00 às 15h30, com rigorosas regras sanitárias e de proteção para que esteja garantida a segurança de quem compra e quem vende, o mercado da fruta conta diariamente com 40 a 70 vendedores, que dividem opiniões quanto ao regresso ao tabuleiro da Praça da República.

É o caso de Valter Bento, filho do responsável por uma banca de frutas e legumes há mais de 30 anos, que apesar de ser da opinião de que a praça deveria manter-se na Expoeste, pois o “pavilhão oferece melhores condições do que a Praça da República, no que diz respeito à segurança e à confiança dos clientes, bem como os próprios produtos não sofriam tanto com as condições meteorológicas”, afirma que “o nosso lugar é aqui”. Como tal, “vamos ver como vai correr”.

Igualmente mostrou-se surpreendido com o número de pessoas no primeiro dia de mercado na praça, tendo sido “mais do que aquilo que é esperado para uma quarta-feira, que normalmente costuma ser fraca”.

Já Inês Sobreiro é da opinião que “neste momento, a Praça da Fruta não devia ter voltado ao centro da cidade, atendendo à pandemia que ainda vivemos. Sem falar que a nível de estrutura era bem melhor para nós na Expoeste”.

Igualmente Fernanda Mendes, vendedora há 48 anos no mercado da fruta, defendeu que este se mantivesse “até ao final do ano” no espaço provisório, “onde oferece mais condições e as bancas não têm de ser montadas diariamente”.

Do outro lado do tabuleiro estava Patrick Pereira, que considerou que “já estava na altura de regressar ao centro da cidade, onde é o lugar do mercado da fruta”. Apesar de sentir saudades do centenário tabuleiro, o vendedor admitiu que “durante o período de inverno não me importo de voltar para a Expoeste, visto que oferece melhores condições para vendedores e compradores”.

Para o comerciante “este primeiro dia, ainda por cima com chuva, está a correr bem e há muita gente a querer voltar à praça”.

Como Patrick Pereira, também Luís Camacho concorda que “o lugar da Praça da Fruta é no centro da cidade”. “Foi bom estar na Expoeste durante o Estado de Emergência, pois havia mais condições para os vendedores e compradores, e mais estacionamento, mas é aqui que deve estar. Vamos ver como corre”.

Além das frutas e dos legumes, a Praça também conta com bancas de flores, como a de Filipa Militão, que “já tinha saudades” do mercado no local habitual, onde vende há mais de 30 anos. Contudo, considerou que “este regresso foi um bocado precoce, visto que prevê-se uma segunda vaga da pandemia, razão essa que nos fez sair daqui. Só por isso sentia-me mais segura na Expoeste, mas o tempo nos dirá”.

Entre vendedores também houve clientes que “já tinham saudades” do mercado no centro da cidade. “Sou cliente da praça há mais de 40 anos e enquanto esta esteve na Expoeste nunca lá fui. Agora que reabriu no centro da cidade vim matar as saudades que tinha dos vendedores e dos produtos”, explicou uma cliente.

Outros também referiram que “a tradição manda que mercado da fruta se realize no centro da cidade, e se forem cumpridas todas as regras estamos seguros”.

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