JORNAL DAS CALDAS – Qual o balanço que faz da sua vida política como presidente da União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório?
Vítor Marques: Faço um balanço positivo do trabalho que a equipa desenvolveu nos dois mandatos.
Demos início a uma realidade nova, uma União de Freguesias de novas competências próprias e de competências delegadas e às nossas propostas eleitorais fomos acrescentando novas propostas de trabalho e de obras que podemos dizer que triplicaram como podemos constatar através do orçamento inicial na ordem dos 300.000,00 euros para o orçamento de 2020 nos 900.000,00 euros.
J.C. – Nunca esperou como autarca viver uma crise destas provocada pela pandemia?
V.M.: Nenhum de nós pensou vir a viver esta situação, que creio se irá arrastar ao longo do tempo.
De início uma crise na área da saúde da qual ainda não vemos saída e uma brutal crise económica que atravessaremos nos próximos anos.
J.C. – Desde o primeiro minuto do início da pandemia que a União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório tem estado perto das pessoas. Qual a iniciativa que mais destaca?
V.M.: Felizmente tivemos a capacidade de realizar muitas iniciativas, umas como promotores, outras como colaboradores e todas foram importantes, mas destaco a solidariedade e envolvimento dos caldenses e das autarquias, freguesias e câmara na produção de máscaras e o dinamismo para a obtenção dos materiais necessários para as instituições sociais, hospitalares e para a população em geral.
J.C. – Foi essa proximidade com as pessoas que levou o executivo a agir mais rapidamente para dar soluções à população?
V.M.: O estar próximo das pessoas é algo que caracteriza a generalidade das freguesias e a nossa em particular, pois esse tem sido o nosso ADN desde o início e claro que permite conhecer melhor e ter uma melhor capacidade de resposta para as suas necessidades.
J.C. – Quanto é que a Junta investiu na prevenção e mitigação da pandemia?
V.M.: Em materiais e equipamentos gastámos cerca de 15.000 euros, em mão de obra dos colaboradores do nosso quadro cerca de 25.000 euros, (a alocação dos colaboradores na pandemia levou-nos a descorar outras áreas de manutenção que estão praticamente recuperadas) porém é importante destacar todas as contribuições voluntárias, principalmente a dos nossos colaboradores, que no seu período de descanso se desmultiplicaram em ações de desinfeção e distribuição de compras e medicamentos aos mais necessitados.
J.C. – Este grave problema de saúde pública está a originar uma crise na nossa economia e uma grave dificuldade social. Qual o problema mais grave que está a ser vivido nas freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório?
V.M.: Os problemas até agora ainda não ganharam dimensão e sempre que existiu necessidade, as freguesias e a câmara têm tido a capacidade de suprir, mas num futuro próximo a tendência será de agravar quer na saúde quer em questões económicas.
Aqueles que recorrem a ajuda alimentar aumentaram significativamente, arrisco a dizer que duplicaram. O desemprego terá tendência a aumentar, os problemas do foro psíquico irão aumentar e as estruturas do estado não estão preparadas, e as instituições sociais que dão apoio com o serviço de Lar, SAD e creches que tiveram os seus custos aumentados.
Vamos ter que nos reinventar para estancar o aumento destes problemas.
J.C. – Estamos a viver um momento de grande incerteza e angústia, no qual todos somos chamados a ter mais responsabilidade e espírito de sacrifício. Como vê o futuro dos próximos meses até o final do ano nas Caldas da Rainha?
V.M.: O futuro dos próximos meses vai ser difícil e todos teremos que nos reinventar.
Acredito que as autarquias, as empresas e a comunidade do nosso concelho terão capacidade de ter ações solidárias que irão minimizar estes problemas, mas caberá ao Estado Central uma ação musculada, bem estruturada e organizada.
J.C. – A restauração e comércio das Caldas vai superar esta crise?
V.M.: Todas as áreas do comércio e serviços vão sofrer com esta situação e tememos que alguns estabelecimentos não tenham condições de continuar.
Os apoios estatais suplementares via Covid-19 que o Estado tem distribuido não vão ser suficientes. Estamos a falar duma quebra de faturação em 3 meses muito acima do que foi a maior quebra do pior ano da crise 2008/2011 e que a tendência é de continuar a cair. Estamos em julho e a melhor projeção dará quebras na ordem dos 50% na faturação neste mês.
Mas acredito que terão a capacidade de se reerguer e de retomar um serviço com reconhecida excelência, na quantidade mas essencialmente na qualidade.
J.C. – Como vai ajudar o comércio e serviços na cidade das Caldas?
V.M.: A ajuda que a freguesia poderá dar é sempre que possível comprar no comércio local, fazer a manutenção dos espaços da sua responsabilidade, de apoiar as iniciativas das instituições e privados na promoção de iniciativas que criem fluxos de potenciais clientes na nossa região. Vamos estar ao lado das associações empresariais ACCCRO e ADIO e do próprio município, como diz a canção “ tu sozinho não és nada , juntos teremos o Mundo na mão”.
J.C. – É importante a boa comunicação e colaboração com a Câmara das Caldas?
V.M.: Felizmente ao longo dos nossos mandatos a comunicação e colaboração com a Câmara tem sido muito boa. Temos que continuar nesse caminho, mas com a certeza de que se fizermos igual não será suficiente, teremos que fazer de forma diferente, mais e melhor e acredito que temos a condição para o fazer, só necessitamos de juntar alguns recursos à vontade enorme que temos para o fazer.
J.C. – Critica ou chama a atenção ao executivo da Câmara Municipal das Caldas quando não concorda com alguma medida?
V.M.: Sempre que não concordamos com alguma medida que o Município toma fazemos chegar a nossa posição ao Sr. Presidente, que de forma muito correta tem tido a delicadeza de receber essas críticas construtivas e que nalgumas situações temos tido a capacidade de melhorar.
A relação institucional entre a freguesia e a câmara bem como dos seus presidentes tem sido excelente e isso dá-nos o direito, mas também o dever de podermos dar a nossa opinião e também de poder contribuir com novas ideias.
J.C. – É conhecido no concelho pela sua vertente humana e valores. Quem é Vítor Marques?
V.M.: Se é assim que me conhecem sinto-me lisonjeado.
Sou um caldense de nascimento, que desde sempre exerci a minha atividade empresarial em Caldas e que desde muito novo me envolvi e apoiei o movimento associativo.
Gosto de estar perto das pessoas e ser sempre parte da solução.
Envolvo-me de alma e coração em tudo aquilo que faço, mas que nem sempre sei priorizar o mais importante, a família.
J.C. – Gosta de ser autarca e de comunicar com as pessoas. O que o fascina mais do seu trabalho como presidente da União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório?
V.M.: Sim, gosto de ser autarca. Dá-me a oportunidade de estar perto das pessoas, de as ajudar a resolver os seus problemas, de poder ter iniciativas e de fazer as coisas acontecer, em suma de poder ajudar a criar melhores condições para o nosso concelho, para a nossa região.
J.C. – Gosta de política? É militante do PSD?
V.M.: O que faço duma forma ou de outra é política. Pode-se dizer que gosto, mas à minha maneira, em todos os partidos, em todas as ideologias existem coisas boas e menos boas, bem como pessoas e o que gosto de fazer é de tirar partido do que cada um tem de melhor independentemente da sua ideologia e ou filiação.
Não sou militante.
J.C. – Na sua opinião, porque é que a política está tão desacreditada? Como político, o que faz para combater isso?
V.M.: Haverá sempre situações desagradáveis que poderão desacreditar a política como existem noutras atividades. Não penso que sejam mais na política.
O problema do afastamento das pessoas não tem só a ver com esta situação, mas sim com a abordagem, com a educação e formação dos nossos jovens que não são preparados nem motivados para fazer parte ativa e envolvente e isso tem que mudar.
J.C. -O executivo da União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório também é muito unido. O executivo trabalha bem em equipa? Em equipa que ganha não se mexe? Vai candidatar-se para liderar a junta?
V.M.: O nosso executivo trabalha muito bem em equipa, duma forma ou de outra completamo-nos no saber e na forma de estar. Não estamos sempre de acordo, mas temos a capacidade de encontrar a melhor solução, o melhor caminho.
Nestes sete anos de trabalho fizemos poucas alterações. Saiu a Catarina Paramos e a Maria José e entrou a Maria João e o João Reis que se juntaram ao Carlos Cravide e ao José Cardoso, e se fosse para continuar seriam os mesmos.
Apesar da lei determinar a possibilidade de 3 mandatos que no meu entendimento não se deviam resumir nos presidentes, mas também noutros cargos e órgãos, quer locais quer nacionais, não serei candidato nas próximas eleições para a Junta de Freguesia.
Nos 2 mandatos tivemos a felicidade de concretizar tudo a que nos comprometemos em programa eleitoral, (falta-nos a requalificação do parque desportivo da Fanadia que está em fase de projeto) a que acrescentamos tanta iniciativa e obra só possível com a excelente relação com a câmara e o seu presidente.
E porque acho estar em condições e gostaria de poder continuar a dar o meu contributo noutra função.
J.C. – Qual a obra ou obras que ainda quer ver feitas neste mandato?
V.M.: As obras mais significativas que estamos a trabalhar para que se concretizem são várias: requalificação do parque desportivo da Fanadia, construção de espaço verde, lazer, fitness e infantil no Avenal e Sol Nascente , calçada na Avenida principal da Mata, calçada para terminar a ligação do Coto com a cidade na estrada 360, reconstrução do muro da mata da Rua Ernestina Pereira , iniciar a requalificação da mata do Parque, a aguardar autorização da DGPC e iniciar Jardim junto à linha de água ao pé da Escola Superior Artes e Design (ESAD.CR).
J.C. – Que obra o marcou mais durante a sua função como autarca?
V.M.: As obras são várias, mas permita-me que destaque o trabalho desenvolvido pelo nosso Gabinete de Psicologia, na área clínica, na área social, na área cultural e educacional que ao longo dos mandatos se foram desmultiplicando com atendimentos e desenvolvimento de ações.
J.C. – Tem como aspiração ser presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha?
V.M.: Como já enunciei estou disponível para outros cargos autárquicos que poderá culminar num futuro em ser presidente de câmara.
J.C. – O que mudava se fosse presidente do Município das Caldas?
V.M.: A estratégia que foi seguida nestes mandatos pelo Sr. Presidente da câmara sinto-a como minha também.
A situação que estamos a viver com a pandemia vai forçosamente levar a muitas alterações.







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