Em tempo de pandemia, os receios de contágio por Covid-19 preocupam o Município a Proteção Civil Municipal dasCaldas da Rainha, a Autoridade de Saúde local e Juntas de Freguesia que realizaram de 3 a 10 de julho seis ações de sensibilização em diversas freguesias do concelho, com vista a informar e esclarecer fruticultores, madeireiros e outros empresários ligados ao sector primário para as boas práticas de segurança sanitária. Participaram nestas ações cerca de 150 produtores.
Em declarações ao JORNAL DAS CALDAS, o presidente da Câmara das Caldas disse que o Município vai oferecer um kit, constituído por álcool em gel, viseira e uma caneca para beber água a todos os trabalhadores sazonais.
Aos produtores e empresários deste setor vão dar um termómetro digital com infravermelho (tipo pistola) para medir a temperatura corporal antes no meio e no fim do horário de trabalho dos trabalhadores com o intuito de despistar eventuais casos de Covid-19.
Vão ainda adicionar algumas das antigas escolas primárias do concelho para locais de isolamento em caso que haja alguém infetado.
Tinta Ferreira, diz que está preocupado o inico da apanhada fruta em “agosto” destacando as “reuniões com os produtores, no sentido de os sensibilizar e tentar acordar com eles boas práticas de funcionamento”
Autoridade de Saúde preocupada com a infeção de trabalhadores temporários
Cristina Pecante da Autoridade de Saúde, começou por dizer que se atravessa uma “fase muito complicada” em termos da disseminação e transmissão da doença pela Covid19 e que no concelho das Caldas um dos maiores problemas regista-se com a infeção por parte de trabalhadores temporários”.
“Há problemas com o alojamento destas pessoas do não cumprimento de regras habituais como não são de cá, não estão muito preocupados com o compromisso que tem com a comunidade onde estão inseridos”, alertou, a responsável.
Caso surja uma exploração com alguém contaminado “essa exploração terá de parar, isto é péssimo”, salientou, Cristina Pecante apelando ao “cuidado e controlo na contratação destes trabalhadores temporários”. “Nesta situação temos que ser todos agentes da saúde”, adiantou, revelando que “estes trabalhadores são um dos fatores de causa de contágio porque ninguém se responsabiliza por eles. Tão depressa estão a trabalhar na Azambuja como vêm trabalhar para aqui”.
Ciente da importância do setor da fruta e agricultura para a economia principalmente da região Oeste, Patrícia Ferreira, médica interna de Saúde Pública (Autoridade de Saúde), começou por dizer que é “absolutamente necessário saber pesar a economia e a saúde pública”. “Nós identificamos na nossa região de Lisboa e Vale do Tejo alguns problemas que estão relacionadas com trabalhadores temporários (portugueses e migrantes) porque circulam muito de uma empresa para outra”, disse, a médica que apresentou na sessão algumas medidas práticas para os produtores aplicarem.
Uma medida fundamental para qualquer empresa é “elaborar um plano de contingência para colocar em prática”, apontou, Patrícia Ferreira.
Esta responsável, lembrou que a “maior parte dos surtos que existem na região de Lisboa e Vale do Tejo, são no sector agrícola, hospitais ou construção civil”, daí a preocupação com a implementação do “plano de contingência, cuidados reforçados em momentos de lazer/pausa, serviços de saúde no trabalho (sólidos) e assegurar condições de habitabilidade e isolamento dos trabalhadores”.
É necessário, por isso, cumprir o distanciamento social, lavar as mãos e usar máscara”.
A médica de Saúde Pública disse que “compete à empresa utilizadora de mão de obra selar pela garantia da saúde dos seus trabalhadores, promovendo as melhores condições de trabalho”. possíveis independentemente do regime de contrato desses trabalhadores”. Só desta forma se “pode salvaguardar a saúde e bem-estar destes trabalhadores e contribuir para a produtividade e para desenvolvimento das empresas”, manifestou.
Patrícia Ferreira chamou a atenção para o facto dos trabalhadores não poderem ir trabalhar com sintomas de febre, tosse e dificuldade respiratória e que, quando esses sintomas se verificarem, deve avisar a chefia e ir para a área de isolamento (obrigatório a empresa criar) e ligar para a Saúde 24.
Organizar equipas mais pequenas
É igualmente importante organizar “equipas mais pequenas que devem sempre andar juntas e não se misturarem com as outras e que andem sempre no mesmo transporte coletivo e com o mesmo motoristas”, porque em caso de um trabalhador infetado só essa equipa terá que ir para o isolamento evitando que a exploração feche por falta de mão de obra, explicou, a responsável.
O delegado da proteção civil salientou que nas colheitas estará a trabalhar uma população muito heterogénea com hábitos de higiene bastante diferentes” e que é preciso trabalhar em conjunto para garantir que “não aconteça o pior e a exploração não fique comprometida”.
Gui Caldas reconhece que “esta comunidade é essencial, por falta de mão de obra nacional. Mas é necessário tomar cautelas prévias, porque não há cuidados em termos de convivência, sociabilidade, e habitabilidade”, adiantou, acrescentando que “temos que ser a fiscalizar para que não aconteça o pior”.
Cerca de meia centena de fruticultores (com os cuidados de distanciamento) e madeireiros estiveram no passado da 3 de julho na Sociedade de Instrução Musical de A-dos-Francos, na primeira sessão de informação.
O objetivo das ações de sensibilização foi informar, esclarecer e ajudar os produtores a prepararem-se para a campanha de trabalhos (sobretudo apanha da fruta) que se avizinha e que neste contexto de pandemia devido à COVID-19 vai exigir uma organização logística diferente e rigorosas medidas de segurança sanitária.
As ações decorreram nas freguesias onde estas atividades têm mais peso económico e envolvem maior número de trabalhadores durante este período.
No âmbito desta medida, foram distribuídos manuais informativos e entregues cerca de 1000 viseiras, destinadas a ajudar os produtores a equipar os trabalhadores.





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