Segundo comunicado enviado pela Câmara de Peniche, esta empreitada, cujos trabalhos tiveram início no passado mês de março, foi finalizada com a instalação de um “elemento escultórico evocativo deste importante episódio da história trágico-marítima de Peniche”.
Esta peça, com quatro metros de altura, produzida em aço corten, apresenta elementos iconográficos associados à história deste naufrágio, cujas vítimas foram enterradas num improvisado depósito funerário localizado no espaço agora intervencionado.
O navio espanhol San Pedro de Alcântara naufragou junto aos rochedos da península Papoa na noite de 2 de fevereiro de 1786. Neste navio proveniente de Callao, no Peru, e que tinha como destino a cidade espanhola de Cádis, viajavam cerca de quatrocentas pessoas, transportando uma carga excecional de mais de 150 toneladas de moedas de ouro e prata, e 600 toneladas de cobre, à qual se deve juntar o peso dos seus 64 canhões, de 100 toneladas de quinquina (planta sul americana), de 6,5 toneladas de cacau. Vergado pelo excessivo peso da sua carga, viria a naufragar na costa de Peniche desencadeando durante os anos seguintes uma gigantesca operação de salvamento que permitiu a recuperação da maior parte da carga perdida. Neste naufrágio terão perecido 128 passageiros, cujos corpos muitas vezes desfeitos pelas rochas e pela força do mar foram apressadamente enterrados, por populares e pelos frades franciscanos do Convento do Bom Jesus (situado nas proximidades) numa improvisada necrópole de catástrofe localizada neste local.
Entre 1984 e 1999, uma equipa de arqueologia liderada por Jean-Yves Blot e Maria Luísa Blot identificou nesta necrópole um total de 80 enterramentos, escavando perto de três dezenas, facto que possibilitou o desenvolvimento de um detalhado estudo antropológico definidor do sexo, idade provável à data da morte, tipo antropológico, ou patologias de alguns dos náufragos, e na sequência do qual se confirmou a heterogeneidade antropológica dos viajantes do San Pedro de Alcântara (espanhóis, crioulos e índios). Esta investigação contou com apoio de diversas entidades, entre elas o Museu Nacional de Arqueologia, o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática e o Município de Peniche.





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