Com o espaço aberto na loja AF do 1º piso do Centro Comercial da Rua das Montras há cerca de um ano, Joana Filipe viu as vendas a diminuírem com a atual crise de saúde pública. “O mundo mudou de repente e todos tivemos de fazer adaptações a uma nova realidade com aquilo que tínhamos em mão”, explicou a jovem caldense, que é formada em Design de Moda.
Nesse sentido, o ateliê pôs de lado os trajes de etnografia, as capas multi reversíveis com padrões variados e ainda restauros em peças antigas, e adaptou-se às necessidades das pessoas, que procuravam máscaras de proteção reutilizáveis.
Esta alternativa também contou com “um empurrãozinho de algumas pessoas minhas queridas, que não têm fácil acesso a este tipo de material, e que me desafiaram a confecionar, utilizando os materiais, que maioritariamente já dispunha e que faziam parte do quotidiano”.
“Nunca tive primariamente a ideia de as fazer para comercializar, mas ao longo do período de quarentena fui maturando a ideia e aguçando o engenho”, referiu Joana Filipe, adiantando que a “máscara cirúrgica tradicional não assenta bem no rosto e várias pessoas têm esse problema”. Como tal, assim que teve oportunidade de voltar ao ateliê começou a pensar numa solução para ajudar a população.
Após pesquisar moldes e desenvolver vários protótipos, “deu certo” sublinhou a jovem, que confessou que tudo o que via de exemplares feitos por outras pessoas de máscaras caseiras, em redes sociais, não lhe enchia as medidas. Então decidiu criar o seu próprio molde ergonómico e publicar nas redes sociais, onde o feedback do público foi além das suas expetativas. Foi nessa altura que Joana Filipe decidiu começar a comercializar. Atualmente, não tem mãos a medir.
“Nem sequer tive tempo para quantificar o número de máscaras que já vendi”, frisou a jovem, que acredita que o seu uso social será uma “mais-valia para o controlo da doença”.
Com diferentes padrões e tamanhos indicados para género, peso e faixa etária do consumidor, as máscaras são feitas de 100% algodão com tecidos de debuxo e diferenciados, o que lhes confere a forma, o conforto e o design que tem. Todas são integralmente produzidas pela jovem com métodos artesanais no ateliê, e podem serem laváveis a 60º graus e reutilizáveis.
No que diz respeito aos filtros, por enquanto Joana Filipe deixa um pouco a critério dos consumidores com várias soluções que apresenta, quando estes adquirem a máscara.
“Todos os dias surgem desafios ao nível das máscaras, o que tenho tentado dar resposta”, frisou a jovem, que inicialmente não pensou que a produção de máscaras fosse a sua solução financeira, mas neste momento “está a ser”.
Além da confeção de trajes e de figurinos, a marca pretende no pós pandemia poder continuar a comercializar para pessoas de imunidade baixa ou doentes oncológicos, que necessitem do uso social de uma máscara para se protegerem. Mas por enquanto, Joana Filipe vai continuar apostar na diversidade de design de máscaras sociais, “o que tem tornado a questão do seu uso menos aborrecida”.
As encomendas podem ser feitas através das redes sociais (https://www.facebook.com/trajarte) e entregues em mãos, no caso de o cliente ser do concelho de Caldas da Rainha.




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