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Portugal e a extrema-direita

Francisco Martins da Silva

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Portugal encontra-se em 10º lugar no ranking das democracias do mundo, segundo o Relatório da Democracia de 2018 executado pela Universidade de Gotemburgo, que avalia a qualidade da democracia em 201 países.

No índice das democracias liberais — aquelas em que se verifica não só uma democracia formal, mas também o respeito pelos direitos e liberdades da população —, Portugal é um dos países em contra-tendência, já que no último decénio se tem verificado por todo o mundo alguma erosão da democracia, mesmo em democracias estabelecidas. Não só os países que não eram democráticos se tornaram mais autoritários — Rússia, Turquia — como democracias consolidadas — Brasil, Estados Unidos — sofreram sérios reveses.

As recentes tentativas de certos aspirantes a chefes políticos de acicatar o ódio racial para extremar as divisões entre esquerda e direita, a reunião internacional de organizações de extrema-direita realizada em 10 de Agosto em Lisboa ou a tentativa de um museu hagiográfico de Salazar, são sinais de que a extrema-direita internacional vê Portugal como alvo estratégico.

Convém salientar que, felizmente, o espectro político português não tem extremos, apesar de alguns comentadores da política nacional gostarem de apelidar o PCP e o BE de extrema-esquerda ou esquerda radical. Por simetria, o CDS seria a nossa extrema-direita ou direita radical, ideia igualmente ridícula.

Portugal é o único país da Europa que, além de não ter nenhum partido de extrema-direita no Parlamento, tem um governo estável de esquerda. Segundo analistas eméritos como o multicatedrático Boaventura Sousa Santos, a extrema-direita internacional vê o nosso país como mais uma das pontas por onde pode corroer a união da União Europeia, fazendo a Europa regressar ao velho continente de nações rivais, para melhor manipular politicamente as exclusões sócio-raciais. Para a extrema-direita internacional, os partidos de direita portugueses são vistos como demasiado brandos na prossecução deste objectivo, desde logo por já terem sido grandes defensores da UE. Mas a extrema-direita internacional tolera-os pois, apostando no seu progressivo esvaziamento ideológico, espera que acabem por se tornar xenófobos, racistas e nacionalistas, como se verificou em Espanha, sobretudo com o Vox. Já os partidos de esquerda, única força activa de resistência contra esta onda reaccionária global, são para liquidar. Portugal é, portanto, um objectivo. A esquerda é sempre a primeira vítima dos regimes autoritários.

A ameaça é séria, pois a extrema-direita internacional é viabilizada pelas políticas externas de gigantes como EUA, China e Rússia, para quem uma Europa fraccionada por nacionalismos será um conjunto de países economicamente irrelevantes ou facilmente manipuláveis.

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