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O crime que há 35 anos chocou os valadenses ficou por resolver

Francisco Gomes

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O caso de uma criança de quatro anos que foi torturada, violada e assassinada em Valado dos Frades, Nazaré, há 35 anos, nunca teve um culpado condenado pela justiça, por faltarem provas sobre os suspeitos que foram investigados. Os pais ainda choram a morte da filha e querem saber quem cometeu o crime, manifestaram na passada segunda-feira no programa “Cristina”, na SIC, de Cristina Ferreira, onde recordaram a história.
Os pais de uma menor de quatro anos que foi torturada, violada e assassinada em Valado dos Frades, na Nazaré, recordaram o caso no programa “Cristina”

Maria Teresa e José Maria, pais da menina, lembraram que a filha desapareceu no dia 21 de janeiro de 1984, quando brincava na rua ao pé de casa com os outros dois irmãos, também menores. A mãe saiu para ir à mercearia e o pai foi comprar tabaco. A ausência da menina foi mais tarde notada, mas ninguém viu como aconteceu.

No dia seguinte, os chinelos da criança apareceram perto da casa de um familiar, de quem a mãe suspeita: “Andou amantizado com a própria irmã, tentou abusar da minha mãe e eu trabalhava para ele e a minha mãe avisou-me que se ele me tentasse levar para o campo para não ir. Um ano antes do desaparecimento tivemos uma discussão e ele ameaçou-me que ainda ia ter um desgosto”. A PJ chegou a investigar mas não encontrou provas.

A menina foi encontrada morta quatro dias depois, por um adolescente que brincava num descampado. Tinha um braço e a cabeça partida, estava despida da cintura para baixo e apresentava sinais de violação.

Alípio Ferreira, que a descobriu, “pensava que era uma boneca”, contou ao programa “Cristina”, adiantando que ficou “chocado quando me apercebi que era uma criança”.

Segundo o programa da SIC, dois adolescentes que haviam fugido de uma instituição e que acabaram por ser detidos meses mais tarde confessaram à GNR terem violado a menina, mas nunca admitiram o homicídio. Foram ouvidos pela PJ, que não encontrou provas e foram libertados.

“Sinto uma revolta muito grande”, declarou a mãe, que ainda está convencida de que o culpado foi o familiar de quem sempre suspeitou.

Os habitantes de Valado dos Frades após terem visto a emissão da SIC comentaram nas redes sociais que se lembram do caso e que também não se conformam por considerarem não ter havido “uma investigação competente e o monstro continuar à solta”.

“Ninguém mais andou na rua como andava até ao dia do desaparecimento”, relatou uma valadense. “Nas localidades vizinhas também aconteceu o mesmo. Um grande sentimento de insegurança”, indicou outra residente na zona.

O atual presidente da junta de freguesia, Rui Marques, conhecido como Rui Pirralho, não tem dúvidas: “Foi um dos dias mais tristes da história do Valado. Há 35 anos não estávamos ‘familiarizados’ com casos destes. Desde esse dia nada mais foi igual. Deixámos mesmo de brincar na rua. Houve de facto uma mudança de comportamento”, acrescentou.

Uma popular enviou entretanto um mail à PJ de Leiria a perguntar se com a tecnologia atual não é possível retomar a investigação do caso. Contudo, o procedimento criminal extingue-se, por efeito de prescrição, passados quinze anos, tendo já decorrido 35 após a ocorrência.

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