O edifício, que tem cerca de 120 anos, começou por ser uma mercearia, “onde se vendia de tudo” e que pertencia mais concretamente à família Sales Henriques. “O avô do Samuel, António Jacinto, começou por ser funcionário da loja, e mais tarde, nos anos 70, passou a ser proprietário do negócio, dando assim continuidade à retrosaria e alargando o conceito. Durante o dia estava aberto e ao final da noite vestia a sua jaqueta e ia fazer venda porta a porta, para além da revenda”, revelou Cláudia Henriques, esposa do neto de António Jacinto e atual proprietário da loja, Samuel Jacinto.
Licenciado em curso de Design Industrial na ESAD.CR, Samuel “acabou por agarrar no negócio da sua família em 2010”, mas com a intenção de um dia poder conciliá-lo com a sua profissão. Segundo Cláudia Henriques, que estudou Marketing e que sempre lidou com a grande distribuição, “o meu marido já pensava num conceito diferente para o espaço há muito tempo, só que era preciso um grande investimento e mudar aqui qualquer coisa. Sem falar que este negócio já estava a chegar a um ponto que da forma como estava ou fechávamos a porta ou alavancávamos, então decidimos avançar”.
O espaço, que esteve fechado durante um ano e meio, sofreu algumas alterações, mas no geral “mantivemos o aspeto do antigo, com um toque de modernidade”, aproveitando assim tudo aquilo que podia ser aproveitado, como é o caso dos móveis, do balcão e da caixa registadora, que “também faz parte da história da loja”. A entrada da loja manteve-se igual como antes, com a venda de artigos de retrosaria, mas agora com os outros produtos, bem como peças de autor em cerâmica, entre outros trabalhos de autores ligados à ESAD.CR. “Cada produto que aqui vendemos tem uma história”, sublinhou a responsável, adiantando que um dos objetivos da loja é “envolver cada vez mais os artistas locais e trabalhar a marca portuguesa”.
Também podem ser adquiridos móveis recuperados, basta a “pessoa vir cá e escolher a cor que quer e fazemos à medida do cliente”.
A loja Sr. Jacinto, “não é uma loja de stock, mas sim de rotatividade e que quer surpreender sempre, apostando assim nas novidades”. Futuramente, os responsáveis ponderam “um dia abrir outra loja e expandir o conceito, mas desta vez dedicada à dona Augusta, mulher do Sr. Jacinto”.
Na Loja do Sr. Jacinto também são organizados diversos workshops, mostras de vinhos e outos eventos, como foi o caso da apresentação do segundo número da revista Nansen, uma revista alemã que se dedica ao tema das migrações, que decorreu no pátio do espaço. Tanto esse espaço como o antigo armazém também podem ser alugados para eventos.
A antiga retrosaria está aberta de segunda a sexta-feira, entre as 10h00 e as 13h00 e as 15h00 e as 19h00. Aos sábados a loja só abre de manhã.



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