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Escaparate

Um caso de Saúde Pública nas Caldas da Rainha

Rui Calisto

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Por diversas vezes comuniquei, a quem de direito, que o Parque D. Carlos I e a Mata Rainha D. Leonor estavam infestados de ratazanas. Não fui ouvido em nenhum momento.

Se os senhores deputados, vereadores etc. (de todos os partidos políticos) tirassem os olhos do céu (e das festarolas) e olhassem mais diretamente para os problemas do nosso concelho, com certeza conseguiriam ver a calamidade instalada naqueles dois recintos.

O meu grito de alerta chega à praça pública, neste momento, através deste “Escaparate” porque, exatamente como previ, algumas daquelas criaturas decidiram explorar outras áreas da cidade. As ruas Dr. Leão Azedo, Alexandre Herculano e Dr. Júlio Lopes (em N. S. do Pópulo) e as ruas Jacinto Ribeiro, Manuel Mafra e o Largo Colégio Militar (em Santo Onofre), segundo a minha verificação e os depoimentos de diversos moradores, estão a ser vítimas da “visitação de roedores”. Uma calamidade!

Com certeza, mostramo-nos encantados quando encontramos um pavão a cirandar pela praça da República (praça da fruta) ou pela rua Almirante Cândido dos Reis (rua das montras), desgarrado do Parque D. Carlos I, em arriscado passeio. Mas, dar de caras com ratazanas já não é tão agradável.

Felizmente, estamos longe de ter ratos do tamanho de gatos, como aqueles que infestaram, no ano de 2018, a cidade sueca de Sundsvall. De qualquer modo, alguns caldenses já não dormem sossegados, pois não podem prever quando serão vítimas dessas criaturas, afinal, os bem pequenos conseguem esgueirar-se por um buraco que tenha poucos centímetros, outros podem avançar pela rede de esgotos, nadando pelos canos e surgindo nas casas de banho através das sanitas.

A pergunta que fica no ar: Caldas da Rainha possui algum plano de gestão de pragas?

É completamente compreensível a dificuldade em erradicar os ratos dos lugares habitados por seres humanos, mas, é necessário que seja efetuado um controlo de espécies através de um programa que combata esse tipo de praga. É imperioso evitar que, o que hoje são trinta ou quarenta ratazanas a deambular pelas ruas, se transforme num número que possa contaminar os veios de água termal, bem como, espalhar as doenças típicas relacionadas àquelas espécies (meningites, hepatite E, peste bubónica, tifo, salmonelose, toxoplasmose, leptospirose e cólera).

É claro que, brevemente, ouviremos os mais diversos representantes partidários anunciarem que todos os procedimentos de controlo de murídeos estão na mais perfeita normalidade, e que o que foi avistado nada representa para a saúde pública do concelho. Pois bem, atualmente pode não representar, mas, se nada for feito para debelar o que há, com certeza, do modo como eles se reproduzem, antes das próximas eleições autárquicas (2021) nem o Flautista de Hamelin nos salvará.

O que fazer para eliminar os murídeos (Rattus norvegucus, Mus musculus e Rattus rattus)? No caso das Caldas da Rainha deve ser efetuado um investimento alargado na prevenção, mas, como já existem alguns focos, o melhor será também avançar maciçamente na limpeza urbana (coisa pouco habitual no concelho), pois a higiene é essencial para evitar a proliferação de ninhos desses roedores. Outro meio de combate é a colocação de gaiolas, para os apanhar, porém, depois é necessário eliminá-los (que me perdoem os defensores de todos os animais do mundo, mas é necessário ponderar e graduar os interesses em causa).

Os ratos e as pulgas foram os responsáveis, na Idade Média, pelo surgimento da peste bubónica que assolou a Europa, matando milhões de seres humanos. E, naquela época, a praga começou como tudo tem início, com a proliferação silenciosa das espécies e o silêncio das autoridades.

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