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Escultura em memória dos presos políticos mandada retirar da fortaleza de Peniche

Francisco Gomes

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A Direção-Geral do Património Cultural pediu à Câmara Municipal de Peniche para remover uma escultura inaugurada em setembro de 2017 na Fortaleza de Peniche em memória dos presos políticos ali encarcerados durante o regime fascista do Estado Novo, alegando ser incompatível com o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade que está a ser instalado naquele monumento nacional. A medida está a motivar a indignação da população, que entende ser desprezada uma obra que custou 75 mil euros ao erário municipal.
Memorial da autoria de José Aurélio tem de ser removido

Numa carta enviada à autarquia, Paula Araújo da Silva, diretora geral do património cultural, pede a retirada da peça escultórica, justificando que no concurso público para a instalação do museu “está prevista a construção de um memorial aos presos políticos onde constem os mais de 2.500 nomes dos presos pelo regime fascista, que corresponde às expetativas dos ex-presos e familiares bem como ao projeto museológico em curso”.

A Câmara de Peniche ainda não avançou com nenhum local para reinstalar a obra de arte da autoria do escultor José Aurélio. O projeto resultou de uma investigação inédita, em colaboração com a União de Resistentes Antifascistas Portugueses, que permitiu identificar perto de 2.500 portugueses que estiveram privados da sua liberdade na fortaleza. A escultura é constituída por um cubo feito em malha de aço, com 25 varões, numa referência ao 25 de abril, cuja ponta inclui pequenas asas para reforçar a imagem de liberdade.

A fortaleza está encerrada à visitação turística desde novembro de 2017 para a instalação do futuro museu, cujo investimento ascende a três milhões e meio de euros, dos quais três milhões são financiados por fundos comunitários e os restantes pelo Orçamento de Estado.

Durante quarenta anos até dois dias após o 25 de abril de 1974, a seiscentista fortaleza foi transformada em cárcere político, de onde se conseguiu evadir, entre outros, o histórico secretário-geral do PCP Álvaro Cunhal, em 1960, protagonizando um dos episódios mais marcantes do combate ao regime ditatorial.

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