O pior é que as novas regras determinaram a aplicação de multas para os incumpridores e se bater e não fez bem a rotunda, também poderá ser obrigado a pagar.
As novas normas têm vindo a ser comunicadas pelas escolas de condução. Ao JORNAL DAS CALDAS, o instrutor da Escola de condução Bordalo Pinheiro, Luís Matias, explicou que “a antiga legislação era muito vaga e determinava que o condutor escolhia a via mais adequada ao seu destino. Já a nova lei é mais específica e determina que é expressamente proibido circular na viada direita a não ser que vá sair na primeira saída”. “Ao usar a via mais à direita nas vias de aproximação às rotundas está a indicar aos outros condutores que vai sair na primeira saída. Se pretende sair da rotunda por qualquer outras vias de saída, só deve ocupar a via de trânsito mais à direita após passar a via de saída imediatamente anterior àquela por onde pretende sair. Para isso, deve aproximar-se progressivamente dessa e ir mudando de via, tomando as devidas precauções”, explicou.
Luís Matias, que é instrutor há 27 anos, faz a comparação com a “via de abrandamento na auto estrada”. “Quem vai sair deve encostar-se à via de abrandamento e quem não pretende sair da auto estrada não deve ocupar essa via”, apontou.
O incumprimento das regras de cedência de passagem aos veículos que circulam na rotunda pode ser sancionado com uma coima que pode ir dos 60 aos 300 euros.
Segundo o instrutor, a mudança imposta em 2014 levou a que haja, atualmente, “diferentes gerações de condutores”. “As pessoas não têm a culpa de terem introduzido regras e não terem sido suficientemente divulgadas”, sublinhou.
Papel social do condutor
Luís Matias disse que tem havido outro tipo de inovações no âmbito do ensino da condução também muito significativas, como por exemplo “acrescentaram-se dois módulos teóricos que têm estritamente a ver com o “incutir o papel social do condutor”. “Abrandou-se um pouco no direito e carregou-se um bocadinho mais na vertente pedagógica porque somos pessoas normalmente educadas”, referiu. “É tentar incutir nas pessoas esses procedimentos civilizados que têm, mas que nem sempre se refletem quando estão ao volante”, salientou.
“Na parte final da parte teórica foram ainda colocados dois capítulos muitos importantes, que são a perceção dos vários riscos inerentes à condução e os comportamentos adequados ao identificar esses riscos”, apontou o instrutor.
Foi para este responsável uma alteração muito importante porque “o condutor consegue identificar os riscos apesar de não ser experiente e estas foram duas modificações significativas, ao nível da exigência nos exames e da preparação prática da condução”. Luís Matias considera que atualmente são maiores as exigências dos automobilistas do que há 20 ou 30 anos, porque “o fluxo de trânsito é maior e os perigos são diferentes”. “Felizmente existem alterações legislativas que vão acompanhando a realidade”, salientou.
Condução mais sustentável
Diz o instrutor de condução que se aproximam novas regras e alterações ligadas à mobilidade sustentável com o sentido de diminuir aemissão de dióxido de carbono e reduzir o gasto energético que já hoje é “uma exigência no exame prático, nomeadamente na forma que se deveutilizar a caixa de velocidades para fazer uma condução mais sustentável, economizando combustível”.
Quanto aos acidentes nas estradas portuguesas que continuam a aumentar, este responsável referiu que infelizmente não existe uma “regra mágica que faça com que os acidentes deixem de existir”. No entanto, alertou que “se os acidentes ocorrerem a uma velocidade menos elevada terão consequências menores”.
“Diria que o que é verdadeiramente importante é chegar e não a pressa de chegar. Desfrutar das amizades e vencer desafios, mas sempre fora da estrada. Perceber que a estrada é um espaço público e de partilha e de respeito pelo próximo”, aconselhou.
Luís Matias é instrutor de condução de formaçãoteóricaeprática há 27 anos. Está há oito na Escola de Condução Bordalo Pinheiro e já ensinou cerca de oito mil pessoas a conduzir.
É uma profissão que gosta muito, nomeadamente a formação prática porque é mais “desafiante e também um pouco mais exigente”. “Mais do que tirar a carta, o importante é aprender a conduzir e o meu objetivo é ajudar as pessoas a obter a carta de condução, mas com a maior qualidade e rigor no ensino”, apontou.
O Grupo Bordalo tem escolas de condução em Caldas da Rainha, Peniche, Aveiro, Viseu, Coimbra, Águeda, Setúbal, Matosinhos e Porto.




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