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O Valor da Amizade

Rui Calisto

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Se refletirmos cuidadosamente sobre a mensagem do magistral livro “Os Três Mosqueteiros”, de autoria de Alexandre Dumas (1802-1870), percebemos que toda a narrativa é consolidada na amizade firme, inflexível, de suas personagens.

Todos nós, durante todas as fases da vida, vamos conhecendo indivíduos e, por inúmeros fatores, afeiçoando-nos a eles (mais a uns do que a outros, como é natural). O relacionamento entre as pessoas é que vai trabalhando em nós os conceitos de conhecimento, lealdade e altruísmo. Cada um arquivado em gavetas, na nossa consciência, extremamente bem construídas e guardadas.

Há criaturas que se aproximam (mostrando-se muito amigas) apenas com o fito de conseguirem algum benefício (lembra-me um caso recente, ocorrido comigo, onde a pessoa – que ajudei de diversos modos, entre eles o de arranjar uma vaga, para a filha, numa boa escola – depois que foi ajudada, na primeira oportunidade, retirou o punhal da cintura e o cravou bem no meio das minhas costas), outras, entram em nossa vida e, décadas depois, ali estão, firmes, a mostrar qual o peso de uma verdadeira amizade.

Sou uma pessoa que desperta muita inveja (digo isto sem gabarolices) – pelo facto de ter uma consciência política definida (cujo eixo central é a questão social), ou devido ao trabalho enquanto investigador e escritor – mas, também, como é óbvio, estimulo muita afetividade.

Diariamente, convivo com um número exageradamente grande de indivíduos e, como já ando pelo planeta há muitos anos, consigo divisar quem é canalha e quem é honesto e bem-intencionado. Bastando, poucos minutos de conversa, para perceber “de que lado da barricada” as pessoas estão, se dos que são desinteressados, se dos que são ratazanas vulgares, desejosas por alcançar algum benefício. Infelizmente, a segunda opção é a que mais abunda ao meu redor. Esses leirões, de bocarras fétidas, para piorar, sabem ler e escrever e têm acesso às redes sociais, despejando ali toda a estupidez que sai das suas mentes, mostrando, inclusive, que o que lhes vai na alma é, simplesmente, o que lhes passa pelo intestino.

Toda a têmpera do valor de uma amizade está na ação, no fio que liga Gilgamesh e Enkidu, ou na frase: “Não existe maior amor do que este: De alguém dar a própria vida por causa dos seus amigos” (João 15:13).

Relembrando “Os Três Mosqueteiros” e a amizade imutável, imperturbável, de suas personagens, recordo grandes amigos/irmãos, de quem muito me orgulho, criaturas que conheço há um, dez ou trinta anos, e que estão num grau tão alto de extrema confiança e fidelidade que comprovam o significado verdadeiro da palavra Amizade. Individualidades, com afinidades políticas distintas, com paixões desportivas díspares, com religiões opostas, porém, nada disso como impedimento da nossa extrema e intensa camaradagem.

Segundo o Duque François de La Rochefoucauld (1613-1680): “ainda que seja raro o verdadeiro amor, é, no entanto, menos raro que a verdadeira amizade.”. Bem-haja, o genuíno valor da Amizade.

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