Com uma forte ligação às Caldas da Rainha, Fernando da Silva Correia, surge como um ator a valorizar no contexto da I Guerra Mundial. Terminou o curso em Coimbra a 20 de julho de 1917, quando foi mobilizado para o Corpo de Artilharia Pesada Independente que deveria conceder apoio ao exército francês. Inicialmente, terá sido integrado no 2º Grupo deste corpo, mas depois ter-se-á ligado a outro, pois não acompanhou aquele Grupo aquando da sua partida para Inglaterra.
Partiu de Lisboa a 10 de janeiro de 1918 e somente regressou de França a 14 de maio de 1919. Durante este período, terá visitado diversas localidades francesas e contactado com os habitantes locais, conseguindo reunir um significativo conjunto de madrinhas de guerra e outros amigos.
Parte desse percurso deste jovem médico é possível conhecer através da exposição fotográfica, que se encontra organizada em oito núcleos temáticos, cujos títulos derivam de palavras ou expressões utilizadas pelo médico. Inclui assim documentos variados, artigos manuscritos e impressos, que refletem o que Fernando da Silva Correia produziu enquanto desempenhava cargos profissionais, e ainda engloba cartas e telegramas, livros, revistas, jornais, entre outros.
Além da inauguração da exposição decorreu ao longo do dia no museu, um colóquio que contou com a participação dos principais investigadores associados ao projeto. Na conferência foram abordados temas relacionados com a “Grande Guerra entre a ação médica e militar”, a “Grande Guerra: o impacto sociocultural” e “Fernando da Silva Correia: uma biografia a desvendar”.
Para a presidente do Património Histórico, Isabel Xavier, a “exposição foi a cereja no topo do bolo deste dia dedicado a Fernando da Silva Correia”. Destacou ainda o papel fundamental da sobrinha do médico, para que a mostra incidisse sobretudo nas imagens que Fernando da Silva Correia captara em França durante a Grande Guerra.
A mostra conta ainda com fotografias e outros objetos pessoais do médico, tendo sido alguns emprestados pela família para “darem um cunho mais realista à exposição”, como máscaras de gás, granadas, balas, revistas e cartas. Contudo, parte do acervo da exposição, que está ao cuidado da Associação PH- Grupo de Estudos, foi doada pela sobrinha do médico, Natália Correia Guedes.
“O espólio de Fernando da Silva Correia foi-me oferecido pela viúva, aquando a morte do meu tio, mas com o passar dos anos percebi que não podia ficar proprietária do arquivo para sempre, pois é uma joia que pertence ao país”, sublinhou Natália Correia Guedes, que após a transferência da sede da associação para o edifício da Universidade Sénior Rainha D.Leonor, formalizou a doação do acervo.
Esses documentos e fotografias também estão incluídos no catálogo lançado no mesmo dia.
Este projeto, enquadrado nas iniciativas que integram o Ano Europeu do Património Cultural e a Evocação do Centenário da Grande Guerra, tem como intenção alertar para a necessidade de preservar e valorizar o património documental, bem como incentivar à reflexão sobre a participação portuguesa neste conflito mundial.





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