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Fotografias, documentos e objetos pessoais de Fernando Correia da Silva em exposição

Mariana Martinho

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Como forma de homenagear o médico Fernando da Silva Correia, a associação Património Histórico – Grupo de Estudos organizou a exposição “Um médico na Grande Guerra. Fernando da Silva Correia”, que foi inaugurada no passado sábado, no Museu José Malhoa. Esta exposição, que está patente até ao dia 25 de novembro e que inclui fotografias, documentos e outros objetos pessoais do médico, procura, em simultâneo, assinalar o centenário da Grande Guerra (1914-1918) e dar a conhecer o acervo fotográfico de Fernando da Silva Correia (1893-1966) produzido no último ano deste conflito em França.
A exposição está patente até ao dia 25 de novembro

Com uma forte ligação às Caldas da Rainha, Fernando da Silva Correia, surge como um ator a valorizar no contexto da I Guerra Mundial. Terminou o curso em Coimbra a 20 de julho de 1917, quando foi mobilizado para o Corpo de Artilharia Pesada Independente que deveria conceder apoio ao exército francês. Inicialmente, terá sido integrado no 2º Grupo deste corpo, mas depois ter-se-á ligado a outro, pois não acompanhou aquele Grupo aquando da sua partida para Inglaterra.

Partiu de Lisboa a 10 de janeiro de 1918 e somente regressou de França a 14 de maio de 1919. Durante este período, terá visitado diversas localidades francesas e contactado com os habitantes locais, conseguindo reunir um significativo conjunto de madrinhas de guerra e outros amigos.

Parte desse percurso deste jovem médico é possível conhecer através da exposição fotográfica, que se encontra organizada em oito núcleos temáticos, cujos títulos derivam de palavras ou expressões utilizadas pelo médico. Inclui assim documentos variados, artigos manuscritos e impressos, que refletem o que Fernando da Silva Correia produziu enquanto desempenhava cargos profissionais, e ainda engloba cartas e telegramas, livros, revistas, jornais, entre outros.

Além da inauguração da exposição decorreu ao longo do dia no museu, um colóquio que contou com a participação dos principais investigadores associados ao projeto. Na conferência foram abordados temas relacionados com a “Grande Guerra entre a ação médica e militar”, a “Grande Guerra: o impacto sociocultural” e “Fernando da Silva Correia: uma biografia a desvendar”.

Para a presidente do Património Histórico, Isabel Xavier, a “exposição foi a cereja no topo do bolo deste dia dedicado a Fernando da Silva Correia”. Destacou ainda o papel fundamental da sobrinha do médico, para que a mostra incidisse sobretudo nas imagens que Fernando da Silva Correia captara em França durante a Grande Guerra.

A mostra conta ainda com fotografias e outros objetos pessoais do médico, tendo sido alguns emprestados pela família para “darem um cunho mais realista à exposição”, como máscaras de gás, granadas, balas, revistas e cartas. Contudo, parte do acervo da exposição, que está ao cuidado da Associação PH- Grupo de Estudos, foi doada pela sobrinha do médico, Natália Correia Guedes.

“O espólio de Fernando da Silva Correia foi-me oferecido pela viúva, aquando a morte do meu tio, mas com o passar dos anos percebi que não podia ficar proprietária do arquivo para sempre, pois é uma joia que pertence ao país”, sublinhou Natália Correia Guedes, que após a transferência da sede da associação para o edifício da Universidade Sénior Rainha D.Leonor, formalizou a doação do acervo.

Esses documentos e fotografias também estão incluídos no catálogo lançado no mesmo dia.

Este projeto, enquadrado nas iniciativas que integram o Ano Europeu do Património Cultural e a Evocação do Centenário da Grande Guerra, tem como intenção alertar para a necessidade de preservar e valorizar o património documental, bem como incentivar à reflexão sobre a participação portuguesa neste conflito mundial.

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