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Políticos de Primeiro Mundo

Rui Calisto

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Na Suécia, em tempos não muito remotos, foi um escândalo quando um deputado comprou duas viagens de comboio e um pacote de amendoins, e uma vice-primeira-ministra adquiriu um chocolate numa loja de conveniência.

E foi escandaloso porquê? Simples, ambos utilizaram um cartão de crédito do Governo. Naturalmente, após serem notícia em todos os tabloides, afastaram-se dos cargos que exerciam.

A Suécia é uma Monarquia constitucional parlamentarista, onde o chefe de Estado possui influências e missões tão-somente solenes e protocolares. A administração do país é assegurada pelo Governo, liderado por um primeiro-ministro, que responde diretamente ao parlamento.

Naquele país escandinavo são respeitados três pilares, os mesmos que formam a base da sua política: Transparência, Educação e Igualdade. Os políticos desconhecem mordomias, ganham valores exíguos, servem-se dos transportes públicos e são tratados como uma pessoa comum, através da palavra “você”, jamais ouvindo o “excelência” ou o “doutor”, tão utilizadas em Portugal.

O político sueco não entrou na vida pública para enriquecer, para alavancar os seus negócios privados, para viajar pelo mundo, ou para, quando lhe convém, aumentar fartamente o seu ordenado, em detrimento do da maioria da população.

Se alguém, na classe política, possuir um carro, todas as despesas a ele inerente saem do bolso do seu proprietário. Não há motoristas, benefícios fiscais, combustíveis à pala do Estado. Nada!

Os apartamentos à disposição dos políticos, só são utilizados em caso de estrema necessidade. Possuem apenas 18 metros quadrados, lavandaria e cozinha comunitária. Ou seja, cada político vive por conta própria, se quiser ter luxos, tem de os pagar do próprio bolso.

Não há direito a pensão vitalícia, plano de saúde excecional ou imunidade parlamentar. Os seus gabinetes possuem, aproximadamente, 15 metros quadrados, sem seguranças, assessores, secretárias para os pajear ou proteger, ou “cabos eleitorais” que trocam o apoio dado na campanha por um “tacho” após as eleições.

Os vereadores não recebem ordenado e não possuem gabinete, trabalham em sua própria residência.

Existe na Suécia, desde o berço, um grande sentido de Democracia, com muito respeito pelo próximo e um extremo sentimento de igualdade entre as pessoas. Ninguém é melhor do que ninguém. Uma Monarquia mais republicana que a República em Portugal. Os portugueses são súbditos, professando vassalagem à classe política. Os suecos são um povo livre, que vive para todos, em comunhão de ideias e ideais.

Investimentos enormes são efetuados na Educação, na Cultura e na Inclusão Social, sustentáculos da integridade dos suecos. Todo o ensino é gratuito e com altíssima qualidade, desde o jardim de infância (a minha filha esteve, nas Caldas da Rainha, num infantário onde o despreparo da direção, e das educadoras, era tão grande que a deixou traumatizada) até à Universidade. É de referir que os professores suecos recebem excelentes ordenados, e possuem equilibradas horas de trabalho, o que permite dedicação ao estudo e um aprimoramento na qualidade do ensino oferecido.

Embora o voto não seja obrigatório, a consciência política da população é tão grande que, em cada eleição, o índice de comparência às urnas está entre os 80% e os 90%.

Uma sociedade realmente justa é aquela que não dá regalias à classe política (nem a nenhuma outra), primeiro passo para iniciar o extermínio do grande mal da Humanidade: A corrupção.

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