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E agora? Vamos para o Interior?

Rafaela Gonçalves

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Recentemente o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior tomou uma medida com grande impacto nos estudantes do Ensino Secundário que irão este ano candidatar-se e ingressar no Ensino Superior.

A medida prende-se, segundo a justificativa do executivo com a necessidade de aliviar os grandes pólos universitários do país, situados nas grandes metrópoles como Lisboa, Porto ou Évora.

O debate debruça-se sobre duas questões: o timing do anúncio destas reduções e obviamente a preparação ou não das Universidades do Interior para a resposta ao novo volume de estudantes.

O timing desta decisão também foi errado. A maioria dos candidatos, mesmo não sendo a regra, à altura do início das candidaturas tem já, à partida, definidos não apenas os cursos aos quais se candidatarão mas também às Universidades. Esta decisão, veio com a antecedência de apenas cerca de duas semanas antes do prazo de abertura do concurso nacional ao Ensino Superior.

Outra evidência é a contra natureza do processo em questão levado a cabo pelo Ministério. O processo deveria iniciar-se pela construção de oportunidades e desenvolvimento das localidades do interior, para que estas reúnam todos os critérios a que um candidato ao Ensino Superior coloca em cima da mesa, tais como: acessibilidade em termos de transportes, não esquecendo que a maioria dos alunos irá frequentar Faculdades fora da área da residência; revisão dos currículos universitários e alocação de professores para os mesmos; criação de habitações e locais que estejam focados no acolhimento de novos estudantes assim como na criação de oportunidades e de parcerias com instituições locais que coloquem à disposição dos estudantes todas as condições para que possam durante a frequência no Ensino Superior, não só adquirir novos conhecimentos como aprimora-los e colocá-los em prática, combatendo a desigualdade entre institutos superiores.

Não se diz desta maneira, que esta medida não venha tentar resolucionar o excesso de alunos nos centros urbanos situados mais a litoral e em paralelo deslocar jovens até ao interior, combatendo a sua desertificação e criando novos sistemas de repovoamento das localidades situadas no interior do país. Quer-se é com isto dizer, que este processo tem de ser mais prolongado e faseado, de forma a tornar o interior do país atrativo à maioria dos jovens, quer em termos de ensino, quer no depois da Faculdade com a dinamização do imterior na atratividade à fixação populacional.

Um processo forçado como este pode ter um de três resultados: ou efectivamente resulta e o interior começa a entrar na competição nacional no Ensino Superior, ou por outro irá afastar ainda mais os alunos aos concursos de acesso nacional ao Ensino Superior ou é num terceiro cenário, todo este processo será fogo de vista e as faculdades e localidades do interior continuarão em desvantagem, desigualitárias e ainda mais desertas, com mais vagas e menos alunos.

Rafaela Gonçalves Vogal da Comissão Política Concelhia da JSD das Caldas da Rainha

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