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Jogo à porta fechada e dois jogos noutro campo

Caldas SC considera castigo aplicado “completamente desproporcionado”

Mariana Martinho

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Na sequência do castigo aplicado pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que puniu o clube com um jogo à porta fechada e dois jogos transferidos do Campo da Mata para outro local, devido a várias irregularidades na organização do jogo Caldas-Farense, nos quartos-de-final da Taça de Portugal, o Caldas Sport Clube (CSC) organizou na passada quinta-feira uma conferência de imprensa, onde o presidente do clube, Jorge Reis, destacou o “excesso de zelo da Federação” e a “desproporcionalidade” relativamente a muitas situações que acontecem no futebol português.
A conferência decorreu na sala de imprensa do clube

A histórica campanha do Caldas até às meias-finais da Taça de Portugal da época passada, poderá tornar-se um pesadelo para o clube, visto que o CD da FPF castigou os caldenses com um jogo à porta fechada e dois de interdição do Campo da Mata devido a irregularidades no Caldas-Farense, dos quartos-de-final. Em causa está, a montagem de uma estrutura em madeira nas bancadas para apoio aos jornalistas, sem autorização da Federação, ocupando espaço onde os adeptos se sentam, alegadamente com implicações na receita de bilheteira, e ainda o facto de os adeptos terem- se sentado nos corredores/degraus das bancadas, bem como a fotocópia a cores dos bilhetes do jogo para promover o encontro.

Relativamente ao castigo aplicado o presidente da direção do CSC, Jorge Reis considerou “completamente desproporcionado” relativamente a muitas situações que acontecem no futebol português, e por isso, “não podemos ficar indiferentes”.

De acordo com o dirigente, “há aqui valores subjacentes a este castigo que poderão ser significativos para o clube”, sobretudo no que diz respeito à imagem do Caldas perante os sócios, adeptos e principalmente dos patrocinadores, que “investem no clube para retirar daqui algum retorno”.

No que diz respeito à construção de uma bancada amovível, que foi colocada pelo CSC com o apoio da Câmara Municipal e que tinha como objetivo de “dar comodidade e conforto à comunicação social”, o responsável salientou que estava “devidamente credenciada e vistoriada pelos serviços de Proteção Civil Municipal”.

Nesse sentido, afirmou que “não fizemos nada que não estivesse suportado e que oferecesse algum risco para quem estivesse no estádio”. Aliás, criticou a atitude do delegado ao jogo, que “podia ter alertado para essa situação, mas nada disso fez”.

Na fase inicial do processo instaurado pela FPF, o clube procurou “fazer prova disso”, apresentando os documentos certificados pela empresa que instalou a bancada no campo.

Relativamente ao número de espetadores, Jorge Reis esclareceu que “aquilo que estava combinado era que não ultrapassaríamos os seis mil adeptos”, tendo a lotação do estádio ficado “muito aquém desse compromisso”. Ou seja, no total foram emitidos 5391 bilhetes, que já incluíam os 490 convites.

Em relação à fotocópia a cores dos bilhetes do jogo, o responsável lamentou o facto e “se fosse hoje não o fazíamos”.

Outra questão em causa é a ocupação dos corredores de acesso, que segundo o dirigente desportivo, deveu-se ao facto dos “adeptos serem pessoas que trabalharam até tarde e quando chegaram foram-se avolumando ali”. Adiantou ainda que havia lugares disponíveis perto da bancada amovível.

Na opinião do responsável “estamos a ser castigados de uma forma injusta e achamos que da parte da FPF houve um excesso de rigor e zelo, em comparação a outras situações, que se calhar não tiveram”. Nesse sentido, o clube recorreu ao Tribunal Arbitral Desportivo, estando neste momento a “aguardar serenamente pela decisão do Tribunal”.

Jorge Reis esclareceu que “este percurso na Taça de Portugal já nos fez pagar mais de 5 mil euros em multas”, apelando aos sócios e adeptos “para que cumpram na íntegra e que nos ajudem a cumprir esta sanção imposta pela Federação”.

Em relação aos dois jogos transferidos do Campo da Mata para outro local, na sequência de várias irregularidades, o responsável referiu que “ainda não foi indicado o campo porque esperamos por uma resposta por parte do Tribunal”.

“Houve aqui alguma infelicidade da parte da FPF”

Já o vereador do desporto, Pedro Raposo, sublinhou que “nós tivemos uma interação e uma atividade totalmente consciente e preparada, com um envolvimento sério e profissional de todas as entidades”, e por isso, “nós voltaríamos a fazê-lo”. Igualmente esclareceu que a montagem de uma estrutura de madeira nas bancadas para acolher os jornalistas teve como intuito de “querer receber bem os meios de comunicação social”, e como tal, a autarquia “olha com alguma surpresa como é que um investimento com objetivo de criar condições aos jornalistas pode representar uma perspetiva sancionatória e penalizante financeiramente para o clube”.

O autarca também considera que “houve aqui alguma infelicidade da parte da Federação, em não enquadrar devidamente aquilo que é contexto social do clube”, e como tal “lamento esta infelicidade” e “valorizo a coragem do Caldas em esclarecer esta situação”.

Presente também esteve o presidente da Associação de Futebol de Leiria, Manuel Nunes, que sublinhou que “não entendemos muito bem” a decisão da FPF e destacou que os relatórios apresentados pelo CD tem “algumas incongruências, que achamos esquisito e não compreendemos”, como por exemplo o castigo vem na sequência de um jogo na Taça de Portugal e o efeito da sanção é aplicado num jogo do Campeonato de Portugal.

“Não achamos isso correto e no mínimo devia ser aplicado num jogo da Taça de Portugal”, frisou.

Na sua opinião considerou que devia de haver uma análise por parte da FPF e de outras entidades para “verificar se o regulamento da Taça de Portugal deve ser assim ou se tem de ser mudado”.

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