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Sérgio Godinho “Com um brilhozinho nos olhos”

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O palco principal do CCC – Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha recebeu, no dia 21 de julho, a visita de Sérgio Godinho e banda, num espetáculo afetivo e carismático. Sete anos sem um álbum (de estúdio) de inéditos é muito tempo para os admiradores do artista, mas, foi uma espera galardoada, pois, o seu novo disco, “Nação Valente” possui todas as distintivas de um nativo Sérgio Godinho.
Sérgio Godinho

Do meu local privilegiado, pude perceber a diversidade que ia pela plateia, desde miúdos (por exemplo, a minha filha, que tem oito anos e identifica-se completamente com o músico) até aos mais entrados em idade. Todos ansiosos pelo repertório novo e por alguns regalos intemporais que embalam Portugal há décadas.

Sérgio Godinho é um nome que gera concordância e transversalidade. Estreando-se no ano de 1971, com o EP “Romance de um dia na estrada” e, ainda no mesmo ano, com o álbum “Os Sobreviventes”, vem trilhando um percurso notável, amparado por uma verticalidade moral e por uma lucidez política impressionante, chegando a este 2018 exaltado pelo público e pela crítica.

Este novo álbum “Nação Valente” está assente numa junção indivisível de exortações e melopeias. Vincado de corteses ensaios e alvoroços subtis, explanando muito do sentimento a que estávamos acostumados, porém traz-nos também um rejuvenescimento que muito nos alegra. É Sérgio Godinho vivo e redivivo. Amplamente preparado para enfrentar as próximas pelejas.

Este 18º álbum vem dedilhado no bálsamo e no desassossego a que nos habituara. Arrebatando-nos a cada acorde, faz-nos antever o que os próximos anos nos reservam. Produzido por Nuno Rafael, com as participações valiosas (na partilha de composições) de David Fonseca, José Mário Branco, Hélder Gonçalves, Pedro da Silva Martins e Filipe Raposo, traz arranjos para cordas e sopros do prodigioso Filipe Melo, sendo quase todas as letras de autoria de Sérgio Godinho (a única que não é sua vem com a assinatura de Márcia). “Nação Valente” mostra onze novas canções e foi editado pelo selo da Universal.

O Sérgio Godinho que subiu ao palco do CCC foi o artista arraçado de super-homem de Nietzsche, com toda a sua superioridade artística, assaz certificada para elevar a humanidade a pináculos nunca vistos. Um ser erguido acima da vulgaridade do homem comum, suportado pela educação e por um somatório de valias culturais, porém, impressionando, nas entrelinhas, por sua conduta impecável, enquanto figura de Esquerda, deixando transpirar, em cada fala ou canção, um arraigado amor ao próximo.

Com olhar enternecido, dedicou músicas “a todos os refugiados do mundo”, mostrando coerência consigo próprio. Brindando toda a plateia com palavras plenas e ideias concretas acerca da importância da história de Portugal e da necessidade de a valorizar, particularmente o que é relativo ao feito dos conquistadores. Momentos em que arrancou efusivas manifestações de apreço dos entusiastas presentes.

Sérgio Godinho estava ali, todo, como sempre nos habituara, exortando delicadamente o seu ímpeto pela Liberdade. Após o final (em que “foi obrigado” a regressar ao palco, para mais cinco canções), acreditem, mesmo assim, “soube-me a pouco”. Restando-me a vontade de seguir caminho, em caravana, para assisti-lo em outros palcos, ou, quem sabe, pedir a todos os santinhos que façam novo milagre, para que, em breve, o CCC o receba novamente!

Rui Calisto

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