Q

Movimento Peniche Livre de Petróleo na Assembleia da República

Francisco Gomes

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Na sequência da entrega da petição subscrita por seis mil pessoas pelo cancelamento dos contratos de prospeção e produção de petróleo, em terra e no mar, em toda a faixa litoral do país, de Lisboa ao Porto, os primeiros signatários foram chamados à Assembleia da República para audição pela Comissão de Ambiente.
Primeiros subscritores da petição pelo cancelamento dos contratos de prospeção e produção de petróleo na audição parlamentar

Ricardo Vicente, porta-voz do movimento Peniche Livre de Petróleo e primeiro signatário da petição, espera que a mesma, a ser discutida em plenário, “possibilite que a Assembleia da República e o Governo possam decidir em prol de um melhor futuro para o país e para as próximas gerações, cancelando os contratos de prospeção e produção de petróleo e preservando o ambiente”.

O representante do movimento defendeu na Assembleia da República a petição “pelo cancelamento dos contratos de prospeção e produção de petróleo na bacia de Peniche e na bacia lusitânica”. “Somos os primeiros subscritores de uma petição assinada por seis mil pessoas que se juntaram para dizer não à instalação da indústria petrolífera no nosso território”, declarou.

Esta petição foi entregue na Assembleia da República em dezembro de 2016. Na época estavam em vigor seis contratos de prospecção e produção de petróleo na faixa litoral Lisboa-Porto: Quatro no mar, na Bacia de Peniche, com o consórcio Repsol / Kosmos / Galp / Partex; Dois em terra, na Bacia Lusitânica, abrangendo todos os concelhos localizados entre as Caldas da Rainha e Soure. Actualmente os contratos da Bacia de Peniche não estão em vigor e sabe-se que a Galp solicitou a exclusividade de um destes contratos, designado Camarão, que se localiza entre a Figueira da Foz e o Porto. Em terra, a empresa Australis Oil & Gas, anunciou que vai realizar o seu primeiro furo para prospecção de petróleo e gás durante o ano 2019, em Aljubarrota, concelho de Alcobaça.

“Está agora aberta uma consulta pública sobre a necessidade de sujeição deste processo a Avaliação de Impacto Ambiental, que, como habitual, foi pouco divulgada”, lamentou.

“O que pode significar a implementação da indústria petrolífera neste local? Em Aljubarrota, no local de prospecção identificado no relatório da Austrális, nascem dois afluentes do Rio Alcoa. O risco de derrame de hidrocarbonetos e outros agentes químicos encontrará nestes dois rios um poderoso veículo para afectar a vida natural, agrícola e social da região. No caso do Rio de S. Vicente trata-se essencialmente da contaminação de vastas áreas agrícolas, mas no caso do Rio da Ponte Jardim, a sua contaminação poderá levar à dispersão de poluentes no Rio Alcoa atravessando a cidade de Alcobaça e o concelho até ao mar, a sul da Nazaré”, descreveu.

Ricardo Vicente manifestou ainda que “a prospeção e a extracção a elevadas profundidades trazem riscos adicionais para as águas subterrâneas”.

“Os riscos ambientais e socioeconómicos desta atividade são muito elevados, como demonstraram os acidentes que ocorreram no Golfo do México e em Michigan, em 2010, entre muitos outros. Os contratos foram negociados e assinados sem consulta pública, num processo pouco transparente. Dado que o combate às alterações climáticas exige que 80% das atuais reservas de energia fóssil se mantenham no subsolo, os territórios sem historial petrolífero devem manter-se intocáveis, preservando recursos. Portugal deve dar total prioridade à produção de energias renováveis, pois pelos seus recursos endógenos é um dos países europeus com maior potencial de produção. Além dos riscos sociais e ambientais que nos fazem temer pelo nosso futuro, os contratos em causa têm contrapartidas financeiras insignificantes para o Estado português”, concluiu, lembrando que “está ao alcance de todos os deputados propor medidas concretas que possam mudar o rumo dos acontecimentos e garantir avanços significativos do ponto de vista da preservação ambiental”.

Na audição participaram os deputados João Torres (PS), Ângela Moreira (PCP), Margarida Balseiro (PSD), João Vasconcelos (BE) e Heitor de Sousa (BE).

Margarida Balseiro valorizou a entrega da petição como ato de cidadania e mostrou preocupação com as questões ambientais apresentadas, tendo adiado o posicionamento do seu grupo parlamentar para o debate em plenário que ainda não tem data marcada, mas que obrigará à definiçao de todos os grupos parlamentares.

O deputado João Torres afirmou a sua preocupação com a necessidade de garantir a transição energética e a meta de descarbonização da economia portuguesa até 2050 para carbono neutro.

Ângela Moreira sustentou que o PCP não está contra a exploração de recursos que possam possibilitar que o país evolua, mas que as questões ambientais devem ser devidamente acauteladas.

Os deputados João Vasconcelos e Heitor de Sousa valorizaram o papel que os movimentos sociais têm tido em todo o país em oposição à instalação da indústria de gás e petróleo em Portugal e prometeram apresentar uma iniciativa legislativa que vá de encontro aos motivos da petição, a ser agendada para o momento da subida a plenário da respectiva petição.

Na audição não estiveram presentes representantes do CDS, PAN e Verdes.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados

Detido pela PSP por agredir mãe e intimidar polícias

Um homem de 46 anos que agrediu e injuriou a mãe, existindo anteriormente outros processos em investigação relacionados com a prática do mesmo tipo de crime, foi detido em Peniche pela PSP.

PSP2

Fechar a estrada antes que o rio decidisse por nós

Este texto é um reconhecimento. Escrevo-o porque sei que os factos aconteceram desta forma. Porque conheço quem tomou a decisão. Porque sei como foi ponderada, discutida, insistida. E porque nem sempre quem evita a tragédia é quem aparece a explicá-la.

foto barroso

Jovem casal abriu negócio de barbeiro, cabeleireiro e esteticista

Foi no final de setembro do ano passado que César Justino, de 23 anos e Maria Araújo, de 22 anos, abriram o cabeleireiro 16 Cut na Rua da Praça de Touros, em Caldas da Rainha. O estúdio, que era previamente loja de uma florista, serve agora o jovem casal e inclui serviço de barbeiro, cabeleireiro e esteticista.

16 cut1