“É uma honra”, manifestou Pilar Del Rio, viúva do Nobel da Literatura e presidente da Fundação José Saramago. Parte das exposições rotativas da Fundação, sobre a obra de Saramago, passará pela casa, mas “não necessariamente a palavra de Saramago e espero que aqui possamos ouvir poesia, teatro, música…abrimos a porta para que a cultura comunique”, declarou.
Segundo Humberto Marques, presidente da Câmara de Óbidos, “este espaço é um elemento central da afirmação da criatividade” da vila, no âmbito de uma “estratégia de internacionalização”, que ajudará a “atrair talentos a Óbidos”.
“Este não é apenas um espaço de memórias. Procura ser uma casa dos escritores do presente, sejam até de outras línguas, e dos leitores, que a todos o tempo se vá reinventando”, afirmou, defendendo que “o grande motor do desenvolvimento de um território é a cultura”, razão pela qual a autarquia tem apostado na dinamização da “vila literária”.
O ministro da cultura fez-se representar pelo seu chefe de gabinete, Jorge Leonardo, que leu uma mensagem do governante onde sublinhou que a Casa José Saramago “vem enriquecer o património literário desta vila e será mais um lugar de criação que ultrapassará as fronteiras de Óbidos, num projeto que só pode estar destinado ao sucesso”.
O designer Jorge Silva teve ocasião de referir que “o mobiliário e a decoração das paredes são muito singelos, mas Saramago não se importaria com isso. A verdadeira mobília são as pessoas”.
Segundo Celeste Afonso, diretora executiva de Óbidos Cidade Criativa da Literatura da Unesco, a Casa José Saramago será “um espaço laboratório de criação” e uma “mostra do que cultural e literariamente se faz em Portugal, numa primeira fase, e no Mundo”. A responsável disse que este novo espaço “é muito mais que uma casa que tem apenas o nome José Saramago”, garantindo que “é uma parceria efetiva entre a Fundação e Óbidos Vila Literária”.
O espaço será multifuncional e multicultural. “Apesar de não ser muito grande, vai acolher um conjunto de áreas, como uma biblioteca/sala de leitura, onde vamos ter toda a obra de Saramago em todas as línguas, mas vamos ter também outros títulos, outros livros e outros autores”, revelou Celeste Afonso, acrescentando que a Casa José Saramago “vai ter um auditório, uma galeria, vai ser sede da Cidade Criativa da Literatura, vai ter exposições, lançamento de livros, conversas, filmes, espectáculos e workshops”.
Para além da programação que virá da Fundação José Saramago, a Casa José Saramago “terá também vida própria”, indo ao encontro daquilo que tem sido o programa da Óbidos Vila Literária ao longo de todo o ano. “A Casa José Saramago vai ser aquilo que nós achamos que nos estava a faltar neste momento, que era um espaço que pudesse ser a personificação do que é Óbidos Vila Literária”, relatou
A primeira iniciativa a acolher será o “Latitudes”, o segundo encontro de literatura e viajantes que decorrerá entre os dias 26 e 29 e cuja programação decorrerá maioritariamente naquele espaço.




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