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Meias-finais da Taça de Portugal (2ª mão)

Caldas Sport Clube-1 Desportivo das Aves-2 (após prolongamento)

Rui Miguel / Francisco Gomes I Gonçalo Bastos (fotos)

EXCLUSIVO

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Foi o Aves a fazer a festa mas não se pense que os adeptos da casa saíram desiludidos. Orgulho no percurso do clube das Caldas da Rainha foi o sentimento manifestado.
Adeptos caldenses a chegar ao Campo da Mata

Campo da Mata

Árbitro: Fábio Veríssimo

Assistentes: Paulo Soares e Pedro Felisberto

4º árbitro: Rui Soares

VAR: Hélder Malheiro e Bruno Jesus (assistente)

Caldas Sport Clube: Luís Paulo; Juvenal, Rui Almeida (cap.), Thomas Militão e Diogo Clemente; Paulo Inácio e Odair; João Rodrigues, Filipe Ryan e André Simões; Pedro Emanuel.

Suplentes: Natalino, Rony, Filipe Cascão, Alexandre Cruz, Januário, Marcelo Santos e Farinha

Treinador: José Vala

Cartões Amarelos: Odair (34m-1p), Pedro Emanuel (23m-2p) e Luís Paulo (11m-2p prolong.)

Golos: Jorge Filipe, auto-golo (10m-2p)

Substituições: Odair (Luís Farinha 0m-2p), André Simões (Marcelo Santos 40m-2p) e Juvenal (Filipe Cascão 4m-1p prolong.)

Desportivo das Aves: Quim (cap); Rodrigo, Jorge Felipe, Ponck e Nelson Lenho; Fariña, Tissone, Vítor Gomes e Nildo Petrolina; Baldé e Guedes.

Suplentes: Artur, Paulo Machado, Braga, Amilton, Derley, Galo e Hamdou

Treinador: José Mota

Cartões Amarelos: Jorge Felipe (9m-1p), Nelson Lenho (11m-2p), Vítor Gomes (45m-2p) e Braga (45m-2p)

Golos: Vítor Gomes (7m-1p prolong. e 2m-2p prolong.)

Substituições: Fariña (Braga 16m-2p), Nildo (Hamdou 25m-2p) e Guedes (Derley 4m-2p prolong.)

O Caldas SC esteve perto do Jamor, mas a caminhada terminou no prolongamento, onde dois golos de Vítor Gomes deitaram ”por terra” o sonho.

Antes do início da partida, o speaker Jaime Feijão dirigia-se aos adeptos forasteiros: “Bem-vindos, mas esperamos que fiquem mais tristes do que nós”. Dinis, que dá a voz a uma música/vídeo motivacional do Caldas, entrou no relvado para entoar o tema.

Os alvinegros tinham de superar a desvantagem do primeiro jogo (1-0 para o Aves após uma arbitragem muito contestada), mas nos primeiros 45 minutos não houve grandes oportunidades de golo para ambas as equipas.

Após o intervalo, o marcador foi inaugurado num lance infeliz do defesa-central Jorge Felipe, que fez auto-golo de cabeça, na sequência de um livre de Diogo Clemente, para alegria dos caldenses.

Com a eliminatória empatada, chegou a pensar-se que o Caldas conseguiria o objetivo, pois por momentos empolgou-se. Até ao final o marcador não se alterou, apesar da pressão dos avenses, que tiveram algumas oportunidades flagrantes. Hamdou falhou o chapéu a Luís Paulo, aos 31m, e o guarda-redes caldense salvou o golo quase em cima do final do encontro, segurando um cabeceamento de Ponck.

O jogo seguiu para tempo extra. Com as forças já a faltarem aos amadores das Caldas, o clube profissional da I Liga acabou por ser superior, e dois golos de Vítor Gomes, que acabou por ser a figura do jogo, selaram o apuramento inédito para o Jamor. O primeiro numa desatenção defensiva, que o deixou isolado frente ao guarda-redes, e o segundo num pontapé de longa distância em arco, que apanhou Luís Paulo algo adiantado, sendo no entanto um golo de belo efeito.

No final, desalento natural nas hostes do Caldas, e euforia no Desportivo das Aves. Contudo, o conjunto de José Vala ”caiu de pé”. O Aves vai assim defrontar na final da Taça de Portugal o Sporting, no dia 20 de maio, no Jamor.

Boa arbitragem de Fábio Veríssimo.

“Um orgulho para a cidade”

O técnico do Caldas compareceu na sala de imprensa com um misto de “frustração e orgulho”. “No princípio não acreditávamos, mas conseguimos ganhar nos 90 minutos e provámos que podíamos ir ao Jamor. A frustração vai passar rápido, mas o orgulho vai ficar. Esta meia-final vai ser um marco para todos nós, um orgulho para o clube e para a cidade e só desejo que isto seja um ponto de partida para o Caldas crescer. Tenho medo que seja apenas pontual e do momento, mas espero que não”, manifestou José Vala.

“Nada tenho a apontar aos meus jogadores. Sinto um orgulho enorme. Fizemos uma excelente primeira parte e na segunda conseguimos fazer o golo. Mas somos uma equipa amadora, sentimos os jogadores completamente esgotados. Baixámos o bloco e perdemos os níveis de concentração e o Aves acabou por marcar. Tínhamos de estar no máximo, sabíamos que se sofrêssemos um golo as coisas ficavam praticamente perdidas”, desabafou.

José Vala mostrou-se ainda satisfeito com as declarações do treinador do Sporting, Jorge Jesus, que na véspera havia dito, em conferência de imprensa, que “o Caldas é o grande vencedor desta Taça de Portugal”. “Parabéns aos jogadores do Caldas pelo brilhante trabalho que têm feito na Taça de Portugal: podem não chegar à final, mas já são uns vencedores desta Taça de Portugal”, havia afirmado o técnico leonino.

José Mota, treinador do Desportivo de Aves, declarou que “tenho alguns momentos muito bons na carreira, mas este é um dos grandes feitos, sem dúvida. Sempre sonhei com esta final no Jamor”.

Admitiu que “entrámos ansiosos e nervosos, e houve um melhor momento do Caldas mas sem criar perigo junto à nossa baliza e durante todo o jogo o Quim foi mero espetador”, frisando que “defrontámos um adversário com valor, que fez por conseguir o seu sonho, mas penso que, no conjunto dos dois jogos, o Aves foi melhor”.

Reconheceu que “a nível físico, as equipas de primeira Liga estão melhor preparadas e os 120 minutos pesaram nos jogadores do Caldas”.

Festa sem incidentes

No exterior havia porcos no espeto. Foi bonita a festa no campo da Mata, dando o exemplo ao mundo do futebol. Adeptos sem provocarem desacatos, mantendo na mesma o “calor” da rivalidade.

Os espetadores eram mais de seis mil. Apoiantes do clube da casa em muito maior número enquanto os avenses, que rondavam os 800 adeptos, eram colocados numa zona do estádio afastados dos caldenses. Contudo, percebeu-se que o Aves trazia uma claque bem organizada, que ao longo de todo o jogo não parou de pular e entoar cânticos, abafando os adeptos das Caldas da Rainha, que tentavam responder.

Quando o Aves empatou, os festejos foram de tal forma efusivos que a proteção da bancada onde estavam os avenses cedeu, fazendo-os cair uns por cima dos outros, mas não houve feridos com gravidade, apenas algumas escoriações, tratadas pela assistência dos bombeiros.

Já prestes a terminar a partida, a claque do Aves brincava: “Nós passamos na Mata”. Era a resposta ao slogan “ninguém passa na Mata”. Os avenses não abusaram da provocação e os caldenses mostraram fair-play.

No final do encontro foi bonito ver alguns adeptos das duas equipas a trocarem cachecóis. O dispositivo de segurança montado foi eficaz e a saída do estádio foi para lados opostos, sem se cruzarem.

Jogadores agradecem

Os jogadores do Caldas agradeceram aos adeptos o apoio prestado e receberam destes o carinho e manifestações de orgulho pelo percurso efetuado, que fez projetar o nome do clube e das Caldas. Foram também aplaudidos pelos adeptos do Aves.

Após a conferência de imprensa percorreram a cidade de autocarro, sendo acompanhados por adeptos. Na Expoeste, o jogo foi visto por milhares de apoiantes do Caldas, numa transmissão televisiva em ecrã gigante.

Homenagem no Dia da Cidade

O plantel e direção do Caldas serão homenageados pelo executivo municipal no Dia da Cidade. No passado domingo os adeptos também compareceram em bom número ao Campo da Mata, onde o jogo com o Guadalupe para o campeonato de Portugal teve entrada livre, uma forma de retribuir o apoio dos adeptos, que assim prestaram igualmente a sua homenagem após a eliminação da Taça de Portugal.

Mensagem para família de jovem falecido

O Caldas dirigiu uma mensagem de condolências aos familiares do adepto Gui Ribeiro, de quinze anos, que faleceu na semana passada na cidade. “O clube foi informado de que o mesmo tinha bilhete para o jogo das meias-finais da Taça e sabemos que queria muito dar o seu contributo de apoio ao clube do seu coração – o Caldas. À família enlutada, as mais sentidas condolências”, declarou o clube.

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