Mais uma vez, no âmbito do projeto “Turismo Criativo e Sustentável – O Futuro do Oeste”, a associação Óbidos.com reuniu alguns especialistas que falaram para uma assistência sedenta de conhecimento.
Da parte da manhã, Ricardo Duque, presidente da associação que gere o Espaço Ó, e Daniel Pinto, diretor da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, falaram sobre “Design Thinking”.
Durante a tarde teve lugar o workshop “Empreender e Financiar Projetos”, com Gonçalo Castro Gomes (coordenador do Núcleo de Apoio ao Investimento Turístico – Turismo Centro de Portugal) e Nuno Mendonça, diretor geral da Núcleo Inicial – Business Solutions.
O “design thinking” é um conceito que foi desenvolvido nos finais dos anos 60, em diversas universidades dos Estados Unidos e que as empresas adotaram. “A ideia é aproveitar os conceitos do design e todo o pensamento a ele associado, para desenvolver ideias e negócios”, explicou Daniel Pinto. “O mais importante é olharmos para as soluções e não para a solução”, adiantou. Nesta perspetiva, um problema pode tornar-se numa solução melhor.
“Para criarmos uma ideia com validade para o mercado, nós temos que viver, viajar, sentir, comunicar uns com os outros, estudar e planear muito”, referiu Daniel Pinto, que salientou ser necessário muito trabalho, para além de uma boa ideia.
O “design thinking” é um modelo que pressupõe uma série de fases, uma das quais passa pela investigação e pesquisa, de forma a melhorar a nossa ideia para que possa ser útil para o mercado.
Daniel Pinto aproveitou para dar os parabéns pela forma colaborativa como o Espaço Ó funciona. “Não devemos ter receio em partilhar as nossas ideias com os outros, porque assim conseguimos ter ganhos conjuntos”, considera. Até porque uma das fases importantes do processo é testar e validar. O moderador do debate, João Carlos Costa, salientou que o Espaço Ó tem tido um papel muito importante no desenvolvimento de projetos pessoais “dando novo rumo às suas vidas e criando valor”.
Ricardo Duque explicou que o projeto passa pela aproximação à população do concelho, que é marcadamente rural.
O trabalho que realizam tem uma componente muito forte de “design thinking”, um conceito que por vezes é difícil comunicar com a comunidade local. Desta forma, ajudam em áreas como a conceção gráfica, a embalagem ou a legalização do produto, entre outros aspetos. “Uma parte importante deste processo tem a ver com os testes de mercado”, nomeadamente em feiras e locais como o LX Factory.
No concelho de Óbidos, muitas das ideias que surgem têm a ver com os produtos endógenos e ao “saber fazer”, por isso a associação procura transformar tudo isso num negócio que traga valor. “Fazemos com que as pessoas consigam criar o seu próprio emprego, com os produtos que têm para desenvolver”, explicou Ricardo Duque. Atualmente, o Espaço Ó apoia 30 empreendedores do concelho de Óbidos.
Durante este “workshop”, Ricardo Duque apresentou vários projetos que ganharam asas no Espaço Ó e têm tido bastante sucesso, tendo gerado vários postos de trabalho, para além dos empreendedores em si.
Recentemente, começaram a desenvolver um programa de empreendedorismo dirigido aos jovens e está previsto um outro dirigido às Artes.
Conselhos para empreender e financiar projetos
Com sede no Parque Tecnológico de Óbidos, a Núcleo Inicial dá apoio aos empresários em várias áreas, nomeadamente na área dos sistemas de incentivos ao investimento.
“Existe uma multiplicidade de fontes de financiamento, que atualmente estão bem estruturadas e adequadas para a tipologia de negócios dos nossos estabelecimentos, mas temos de perceber como é que os devemos utilizar”, referiu Nuno Mendonça.
O consultor salientou a necessidade de se pensar de uma forma estruturada aquilo que é para vender, enquanto negócio. “Para fazer um bom ‘pich’ é preciso pensar em três questões: o conceito, os contratos e os ‘cash-flows’”, disse.
É preciso começar por ter uma ideia clara do que é para se fazer, ou seja, definir qual o produto e que necessidade ele vai colmatar. Em relação aos contratos, é a forma como o próprio mercado valida um produto ou serviço. Depois é preciso demonstrar que é possível ir buscar dinheiro ao mercado.
Um projeto vencedor tem de ser bem comunicado, depois é preciso conhecer os potenciais clientes e também a concorrência que exista, mas ainda trabalhar a sua atratividade e o modelo de negócio a desenvolver.
Gonçalo Castro Gomes explicou que o núcleo que dirige dá apoio personalizado aos investidores na área turística, tentando guiar para os melhores incentivos disponíveis e fazer a ponte com as entidades públicas locais e nacionais.
O coordenador do Núcleo de Apoio apresentou os vários sistemas de incentivo ao investimento das empresas, dando informações importantes aos que querem apresentar candidaturas a esses apoios financeiros.
Deu ainda alguns conselhos, como apostar em acrescentar valor nos empreendimentos turísticos, de forma a tirar melhor proveito das estadias dos turistas. “Apostar na qualidade, na diversificação de serviços e na criação de valor, é absolutamente essencial para os nossos empreendimentos turísticos”, afirmou.
O responsável lembrou que o Oeste só recentemente passou a fazer parte da Região de Turismo do Centro (RTC) e foi necessário fazer um esforço para conseguir criar uma marca mais abrangente, que consiga “vender” ao mesmo tempo Peniche, a Serra da Estrela ou Fátima. A RTC é responsável pela promoção turística desta região alargada no mercado interno e zona fronteiriça com Espanha.
Um dos factos curiosos que divulgou é que o Oeste tem metade dos quase seis mil alojamentos locais de toda a região Centro. “Isto tem um peso brutal”, salientou.
O próximo seminário no âmbito do projeto “Turismo Criativo e Sustentável – O Futuro do Oeste”, terá lugar a 26 de abril, no Museu Municipal de Óbidos, entre as 9h00 e as 18h00, com o tema “Diversificação da Economia Regional”.
Os oradores serão Humberto Marques (Presidente da Câmara de Óbidos), Pedro Machado (Presidente do Turismo do Centro), António Ceia da Silva (Presidente do Turismo do Alentejo – ERL), Miguel Mendes (gestor de cliente na área de instrumentos financeiros ao investimento, inovação e empreendedorismo no turismo e apoio às empresas turísticas na instrução, registo e licenciamento de projetos turísticos, no Turismo de Portugal), Ana Abrunhosa (Presidente da CCDR -Comissão de Coordenação eDesenvolvimento Regional do Centro), Ricardo Ribeiro (Presidente da Óbidos Criativa) e Nuno Mendonça (Director Geral da Núcleo Inicial Business Solutions). Com abertura de Carlos Martinho, Presidente da Óbidos.com, e moderação de João Carlos Costa.
As inscrições gratuitas, mas limitadas, e podem ser feitas através do e-mail conversasimprovaveis@myoeste.pt.




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