“A inspiração deste projecto provém das raízes da fotografia, que partiram da pintura. Procurou-se a forma de expressão mais antiga, o desenho e a cor, comunicando através de imagens. Pretendeu-se que a fotografia perdesse o carácter de registo fiel à realidade. Surge deste modo como suporte que dá vida à pintura e permite modelar o visível, registando apenas o que a luz negra permite”, descreve Beatriz Rego, de 22 anos.
Segundo descreve, “considerando a luz como a base da fotografia, aí se encontra a possibilidade de alterar e modelar a obra. A luz negra foi deste modo a fonte de iluminação escolhida, pelas suas particularidades de revelar e destacar cores que não são visíveis com fontes de luz mais comuns”.
“A luz negra é obtida a partir da passagem da luz por uma lâmpada mais escura e sem fósforo, que deixa a luz ultra-violeta passar directamente pelo vidro. Uma das suas utilizações está associada à análise documental da pintura, permitindo revelar os traços do pincel e alterac¸o~es nas obras”, adianta.
Os desenhos nos modelos foram inspirados nas pinturas tribais, que remontam para o início da arte, usada como forma de diferenciar povos, culturas e expressar ideias. Os corpos dos modelos foram pintados à mão, com tintas próprias que brilham com luz negra. Apresentam-se como telas humanas, criando diferentes jogos de cor. Cada imagem mostra pinceladas e geometrias diferentes e os corpos revelam-se, ao reflectir a luz a partir da escuridão.
O conceito desta exposição baseia-se na imagem fotográfica como uma ferramenta que tem o poder de cativar o olhar e suscitar ideias e questões, associadas às experiências pessoais. Pretende-se levar o espetador a viajar e questionar a relação da fotografia com a pintura contemporânea, concentrando-se nos conceitos clássicos da arte, “o figurativo” e “o abstracto”. “Estes conceitos “figurativo” e “abstracto”, cujo dualismo se enquadra na ge´nese da arte moderna, têm no se´c. XXI uma definic¸a~o mais ténue. Misturam-se e complementam-se, sendo por vezes conceitos pouco lineares para definir algumas obras”, refere a autora.
Natural das Caldas da Rainha, de uma fami´lia com forte ligac¸a~o com as artes, o seu gosto pela fotografia desenvolveu-se desde muito nova, quando utilizou uma ca^mara fotogra´fica pela primeira vez e se divertiu a tentar fotografar os pombos do parque das Caldas.
A fotografia comec¸ou a estar mais presente na sua vida quando realizou o Curso Profissional de Te´cnico de Fotografia, na Escola Te´cnica Empresarial do Oeste, de 2010 a 2013. No u´ltimo ano do curso realizei o esta´gio profissional de três meses na Ra´dio Mais Oeste, como repo´rter fotogra´fico, onde tive a oportunidade de ter uma primeira experie^ncia no mercado de trabalho.
Realizou aos 17 anos a primeira exposic¸a~o, intitulada “Realidade Subjectiva” que esteve patente na Antiga Lavandaria do Hospital Termal, em maio de 2013. A exposic¸a~o foi integrada nas atividades do “Caldas Late Night” e realizada como a Prova de Aptida~o Profissional, tendo recebido a classificação de 20 valores.
Apo´s concluir o curso profissional, iniciou em setembro de 2013 a licenciatura de fotografia, no Instituto Polite´cnico de Tomar.
No ano lectivo de 2015/16 interrompeu os estudos para fazer voluntariado no Canada´, na provi´ncia de Onta´rio, como assistente de foto´grafo e professora-assistente. Ao regressar a Portugal, realizou a exposic¸a~o “Memento – Caderno de Memo´rias”, em agosto de 2016, no Museu Jose´ Malhoa. A exposic¸a~o foi integrada na “Feira dos Frutos”, sendo as fotografias com um tema alusivo a` mesma.
Em outubro de 2017 concluiu a licenciatura em fotografia, tendo realizado um livro como projeto final, com fotografia de viagem. O livro foi intitulado “From Where I Stand” e construi´do a partir de viagens realizadas ao longo dos quatro anos do curso.




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