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Crítica política, Bordalo Pinheiro e Pavilhões do Parque deram mote ao corso do Carnaval

Mariana Martinho

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Durante três dias, a Avenida 1º de Maio e a Praça 25 de abril voltaram a encher-se de cor e muita animação, proporcionada pelos milhares de foliões e pela irreverência dos carros alegóricos. Como já é habitual, o trapalhão e satírico carnaval das Caldas inspirado na temática de Bordalo Pinheiro, não poupou mordacidade à política nacional e mundial. Este ano o principal alvo de crítica foi, invariavelmente, o primeiro-ministro António Costa e a sua “geringonça”, com frases alusivas como “com tanta greve e manifestação ó Costa, vai à emigração”, e ainda uma mensagem com “uma graça local”, referente aos Pavilhões e Parque D.Carlos I, pois o “parque como o nosso não há igual, já foi descrito como o melhor de Portugal”. Mesmo com a chuva e o frio que se fez sentir nos últimos dias, os figurantes dos corsos não desistiram de desfilar.
A Praça 25 de abril encheu-se de foliões e de população para assistir aos festejos

19 carros alegóricos, cinco grupos de dança e mais de 1350 figurantes desfilaram no sábado à noite e no domingo à tarde, distribuindo folia misturada com os ritmos brasileiros pela avenida, num espetáculo colorido. Contudo, no domingo, o desfile começou com meia hora de atraso, devido à chuva, mas as coletividades não se deixaram intimidar e mantiveram o cortejo. Começando junto à estação, o corso carnavalesco percorreu três vezes a Avenida 1º de Maio e Praça 25 de abril, animando os presentes.

Com uns carros mais originais que outros, o corso iniciou-se com o carro alegórico da ACDR Arneirense, onde podia ler-se “aqui vêm os reis cheios de presunção acabados de chegar à nossa estação”, aproveitando para “brincar” com a necessidade de modernização da linha férrea do Oeste. Nele vinham como já é habitual nas Caldas, Maria Paciência e Zé Povinho, que este ano foram encarnados pelos jovens Adriana Duarte e Ricardo Oliveira. Atrás seguia o carro alegórico do Rancho Folclórico Os Oleiros, com as típicas nazarenas com placas a alugar quartos, satirizando a proibição da pesca da sardinha, que tem reflexos no mercado do peixe, com a frase “Zé Povinho só queria uma bela de uma sardinha assada mas agora que o governo a proibiu tem de comprar enlatada”.

Quem também não poupou críticas à política nacional foi o Grupo Desportivo do Peso, com um carro transformado num casino, bem como a Associação de Desenvolvimento Social da Freguesia de Alvorninha, com um carro alegórico moldado num “veículo espacial” referindo que “com tanta greve e manifestação ó Costa, vai à emigração”, acompanhados de figurantes mascarados de ET’s. Também fazendo referência à “geringonça” foi o Grupo Super Flash- Arneirense, onde o pai natal apareceu a oferecer prendas ao governo.

A Associação Social e de Desenvolvimento dos Casais da Serra optou por transformar o carro numa “Penitenciária de Evoramonte”, onde podia ler-se “Em Portugal quem desviar à prisão não vai parar”.

Também não faltaram ao Carnaval das Caldas as habituais críticas locais, em que a Associação ANDAR, da Ramalhosa, resolveu recordar os “Anos 20”, abordando o lago e o Parque D.Carlos I, bem como os sapos do Bordalo Pinheiro, até a “Manta encantada”, apoiando o Caldas Sport Clube. Quem também aproveitou o desfile para abordar a temática dos Pavilhões do parque foi a ACDR Sto. Onofre Monte Olivett, referindo ”De ilustres como Bordalo numa cidade com tradições temos de saber como resolver o problema dos pavilhões”.

Dentro da mesma temática o Centro Pastoral Santa Catarina optou por comparar o presidente da Câmara Municipal, Tinta Ferreira, à personagem de animação infantil Noddy, acompanhado de outras figuras como a Ursa Teresa, a vereadora Maria da Conceição, e o Sr. Lei, o vice-presidente, Hugo Oliveira. Além disso, as típicas matrafonas animaram e deram vida ao cortejo durante três dias.

O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, comentou que algumas mensagens dos carros eram “chamadas de atenção, mas sempre no sentido da brincadeira como é próprio do carnaval brincalhão das Caldas da Rainha”. Relativamente aos temas locais, nomeadamente o Parque D. Carlos I e os Pavilhões do Parque, o edil referiu que “estão a valorizar uma coisa boa, um ex-líbris da nossa cidade, o que há três anos não o era”.

Em relação aos Pavilhões do Parque, o autarca comentou que “há uma expetativa relativamente aos pavilhões passarem a hotel, bem como a abertura das termas, e isso vê-se que é feito de uma forma positiva”.

Apesar do mau tempo, Tinta Ferreira realçou a decisão das coletividades em desfilar, referindo que “ainda bem que o fizemos, porque tivemos muitas pessoas na avenida a participar na festa, e os grupos estão muito animados”. Explicou ainda que a decisão foi unânime e consensual entre as coletividades.

Este ano e à semelhança do ano passado, o valor monetário atribuído ao Carnaval das Caldas rondou os 100 mil euros, o que significa que “não é dos municípios que mais investe nesta matéria”.

Segundo a Câmara Municipal, o “Carnaval das Caldas” é um dos mais característicos carnavais portugueses, a que assistem cerca de 20 mil pessoas no conjunto dos três principais desfiles”.

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