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Meio milhar de pessoas no funeral de mulher assassinada

Francisco Gomes

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Perto de meio milhar de pessoas esteve presente na passada quarta-feira no funeral da mulher assassinada à facada pelo marido, no Chão da Parada, nas Caldas da Rainha.
Funeral no cemitério do sítio da Roda

As cerimónias fúnebres realizaram-se num ambiente de grande consternação. O cemitério do sítio da Roda, em Tornada, fica à entrada da aldeia do Chão da Parada, onde Sandrina Inácio, de 37 anos, nascida em França, vivia com o marido, um ano mais velho e natural do Luxemburgo, e os três filhos menores. Foi ali que foi a enterrar esta vítima de um crime macabro, que apanhou de surpresa familiares, amigos e população, os mesmos que compareceram na despedida até à última morada.

O corpo chegou de manhã, depois de libertado do Gabinete Médico-Legal Forense do Oeste, em Torres Vedras, onde foi feita a autópsia.

O velório foi curto até se celebrar a missa na capela do cemitério, pequena para tanta gente que compareceu para prestar homenagem a uma mulher de quem dizia ser boa pessoa e excelente trabalhadora, quer quando foi funcionária de uma empresa de carnes ou mais recentemente quando se juntou ao marido na exploração de um café.

Lamentava-se o sucedido e procuravam-se explicações, que só o decorrer do processo judicial poderá agora dar respostas.

Claude Inácio escreveu uma carta que foi encontrada junto ao corpo da mulher, que matou com vários golpes de faca no pescoço, na madrugada da passada segunda-feira.

O conteúdo da carta não permite chegar a nenhuma conclusão. Nela o homem declara o seu amor pela mulher e pelos três filhos, de 2, 9 e 13 anos, e pede desculpa pelo ato que cometeu, mas não diz nada em concreto sobre o que levou à autoria de um crime horrendo e a tentar suicidar-se, de seguida, ficando com ferimentos graves. Está internado no hospital de Coimbra livre de perigo e deverá logo que possível ser presente a um juiz para ser constituído arguido

Os três filhos ficaram para já com os avós paternos. O mais velho encabeçou o cortejo fúnebre logo atrás do padre que realizou a cerimónia, transportando a imagem da mãe em conjunto com uma amiga da vítima. Os outros dois foram poupados a mais sofrimento com o funeral.

O padre Samuel Joseph, que rezou a missa de despedida, comentou não encontrar palavras para tal violência, manifestando tristeza por aquilo que aconteceu. Desabafou que tinha realizado recentemente o batismo do filho mais novo e que lhe parecia haver paz na família.

A secção de futebol da Areco/Coto manifestou o seu profundo pesar pela morte de Sandrina Inácio, que foi uma “enérgica diretora/delegada de algumas das nossas equipas, ao longo dos últimos três anos, e ofereceu um precioso contributo para o enquadramento dos jovens atletas”.

O caso foi abordado na última reunião da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha, onde o presidente da União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto, Arnaldo Custódio, afirmou “lamentar o nefasto acontecimento”, expressando preocupação com o futuro dos menores. No seu entender, é uma situação que “deverá ser acompanhada pela comissão de proteção de crianças e jovens”. O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, também aproveitou para deixar o seu lamento, indicando que a ação social da autarquia está a acompanhar o caso.

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