Posição semelhante já havia sido tomada em finais de 2016 nas Caldas da Rainha, quer pelos bombeiros quer pela Câmara. Na altura, o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha, Abílio Camacho, lamentava a confusão gerada junto das pessoas. “Andam a pedir para uma ambulância que nada tem a ver com os bombeiros, mas andam vestidos de vermelho como se fossem dos bombeiros e muita gente cai nisso”, manifestou, numa altura em que os soldados da paz angariavam fundos nas freguesias para o cortejo de oferendas, que representam dez por cento do seu orçamento anual.
Também a Câmara Municipal das Caldas da Rainha deliberou informar o Ministério da Administração Interna (MAI) que considerava “inadequada” a abordagem que era efetuada junto da população, no centro da cidade das Caldas e no Mercado de Santana, em Alvorninha, pela entidade responsável pela iniciativa – a Associação Portuguesa de Veteranos de Guerra (APVG), que estava munida de uma autorização do MAI.
“Como estão fardados com uma farda idêntica à dos bombeiros, os cidadãos são facilmente iludidos”, indicava a Câmara, que acrescentava que os elementos da APVG “reagem de forma desagradável quando não existe recetividade da população no donativo”.
A autarquia decidiu também solicitar que “futuras autorizações que venham a ser concedidas pelo Ministério à APVG sejam por períodos menos extensos e comunicadas previamente ao Município as condições em que o peditório foi autorizado, por forma a evitar os constrangimentos citados”.
“Deve ser tido ainda em conta o fardamento utilizado”, manifestou igualmente a Câmara, numa deliberação tomada por unanimidade.
A APVG rejeitou, entretanto, as críticas, tornando público um despacho relativo à ação em curso, emitido pelo MAI, que autoriza a operação de venda de bilhetes para o sorteio. Os únicos requisitos eram que deveria ser realizada por pessoal com identificação reportada à APVG, não podendo a sua concretização pôr em causa a segurança rodoviária. No caso de existirem reclamações de perturbação da ordem pública poderá ser cancelada a autorização.
A venda em curso para o sorteio teve início a 28 de agosto e terminará a 27 de agosto de 2018. As senhas têm o valor de cinco euros e o produto do sorteio destina-se à construção de um centro de dia e cuidados continuados, bem como uma ambulância para os veteranos de guerra e seus familiares.
Serão sorteados cinco carros, no valor total de 166.375,00 euros, no dia 4 de setembro de 2018, pelas 17h, na sede da APVG, em Braga, na presença de um representante da direção nacional da PSP. Os resultados serão publicados em jornais.
A associação assegura que “não anda a enganar quem quer que seja. Esta instituição não anda a realizar peditórios. Anda sim a vender bilhetes para um sorteio nacional”.
Relativamente ao equipamento utilizado pelos colaboradores desta instituição, “foi aprovado e autorizado pelas entidades competentes. É bem visível o nome desta instituição”.
“Vamos pedir responsabilidades criminais a todos aqueles indivíduos, devidamente identificados que querem, queiram ou venham a querer denegrir a imagem desta instituição”, avisa a APVG.
Com 47 mil associados, a APVG é uma instituição particular de solidariedade social e agrega ex-combatentes da guerra colonial de todos os ramos das forças armadas. Foi reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública de âmbito social e secundariamente de saúde.




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