De acordo com a associação, esta medida está “em total contradição com o orgulho e a satisfação que os mestres das embarcações da pesca de cerco nos transmitem de que a abundância de sardinha nas nossas águas é muito mais significativa que a que observaram nos últimos anos”.
A Plataforma de Organizações Não Governamentais sobre a Pesca (PONG-Pesca) salienta que esta recomendação “evidencia a má situação do stock da sardinha ibérica” e entende que “deve ser seguida para dar as melhores hipóteses possíveis de recuperação, juntamente com a adoção de outras medidas de gestão e proteção da sardinha e dos habitats que lhe são essenciais”.
A PONG-Pesca lamenta “os impactos negativos que esta medida terá no setor da pesca, transformação e comercialização de pescado”, mas considera que estes devem ser minorados através do redirecionamento para outros stocks e de medidas de valorização da atividade.
O documento – para o qual contribuem os investigadores do Instituto Português do Mar e Atmosfera – faz uma descrição detalhada da situação dramática em que este stock está nos últimos anos.
Perante este quadro, e como vem indicando há vários anos, a PONG-Pesca apela ao governo a seguir as recomendações científicas, articulando as medidas de recuperação e gestão com Espanha.
A PONG-Pesca alerta para “a necessidade de se fazer um esforço na gestão da pescaria da sardinha ibérica com recurso a um plano de recuperação nos próximos anos e esperar assim que haja sinais claros de recuperação do stock para se voltar a ter uma pescaria revitalizada e sustentável”.
Segundo Gonçalo Carvalho, coordenador da PONG-Pesca, “a situação é lamentável, mas não é de todo inesperada, pois os pareceres científicos e as informações vindas do mar já há muito tempo nos dizem que a sardinha está à beira do colapso. É tempo de parar a pesca à sardinha e tomar todas as medidas para esta poder recuperar”.
A captura de sardinha está entretanto proibida até ao final de 2017. Esta decisão é sustentada pelo facto de terem sido atingidas as possibilidades de captura recomendadas pelo ICES para as águas ibero-atlânticas e para 2017, que foram de 23.000 toneladas, repartidas por Portugal e por Espanha.
Ana Paula Vitorino, ministra do mar, avança que estas decisões “têm que ter um ponto de equilíbrio com a sustentabilidade do stock, porque se acabarmos com ele não haverá pesca no futuro, mas também temos de ponderar outros fatores, nomeadamente a sustentabilidade social das comunidades piscatórias, que dependem destas pescarias”.
Uma das medidas é “aumentar o período de defeso, que este ano tinha sido estabelecido em 60 dias e passará para 90 dias”



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