Voto na “árvore” derrotou comunistas em Peniche

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Foi com o slogan “Vota na árvore”, não por associação a partidos ou movimentos ecologistas mas como símbolo de “vida, regeneração, longevidade e crescimento”, o que pretende incutir no concelho de Peniche, que o independente Henrique Bertino, de 60 anos, conquistou aquela autarquia liderada desde 2005 pelos comunistas, que sofreram agora uma pesada derrota perante um antigo eleito pelo partido e que desta vez concorreu pelo recém-criado Grupo de Cidadãos Eleitores por Peniche (GCEPP).
Henrique Bertino é o novo presidente da câmara

Henrique Bertino, que é presidente da Junta de Freguesia de Peniche, havia sido eleito na lista da CDU, mas decidiu romper essa ligação por ter “maiores possibilidades de livremente constituir melhores equipas, programas e objetivos”, mesmo sabendo que optou “pelo caminho mais difícil, sem uma máquina partidária na retaguarda”.

“Não era um homem só, porque quando parti para esta caminhada tinha o apoio de muita gente que me pressionou para avançar”, recordou, no discurso da vitória.

A aposta foi ganha para o pescador e antigo sindicalista na área das pescas, que ainda assim não conseguiu a maioria absoluta. O GCEPP tem três eleitos na Câmara, o PSD dois e o PS e CDU um cada. Todos conquistaram uma freguesia (Peniche- GCEPP, Ferrel-PS, Atouguia da Baleia-PSD e Serra d’El-Rei-CDU).

Na Assembleia Municipal de Peniche, são sete os eleitos do GCEPP, sete do PSD, quatro do PS e três da CDU.

O atual presidente da câmara, António José Correia, da CDU, não pôde ser novamente candidato por ter atingido o limite de três mandatos consecutivos permitido por lei (era agora candidato à presidência da Assembleia Municipal). A CDU passou de primeira para quarta força política no concelho. Rogério Cação, atual deputado na Assembleia Municipal, era o cabeça de lista à Câmara mas não conquistou o eleitorado.

“Todas as derrotas sabem a fracasso, mas há umas que amargam mais que outras. Talvez, porque pareçam temperadas de injustiça ou ingratidão, sei lá. Mas a verdade é que se tratou de uma escolha livre das pessoas da minha terra que eu não posso deixar de respeitar. A derrota do projeto que liderei foi clara e inequívoca e, como sempre fiz e continuarei a fazer, assumo plenamente a responsabilidade por isso. Ficam as felicitações para os vencedores, esperando que saibam ter na vitória uma atitude ética que por vezes pareceu ausente quando a procuravam”, declarou Rogério Cação.

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