Esta greve aconteceu numa altura em que os enfermeiros especialistas protestam contra a falta de pagamento do seu trabalho diferenciado. Os enfermeiros que participaram na vigília também aderiram à greve, que segundo Eddy Dias, que trabalha no hospital de Peniche, “teve uma grande adesão, a ordem dos 80 a 100 por cento, o que difere dos números das entidades governamentais”.
De acordo com Nuno Pedro, enfermeiro nas Caldas, “foram assegurados os cuidados mínimos na urgência, bloco operatório, urgência pediátrica e serviços de internamento com doentes”. “As pessoas entraram ao serviço, assumiram que estavam de greve, não faziam o registo biométrico [picagem de ponto]. Podiam não prestar a totalidade dos serviços que prestam no dia a dia mas os cuidados mínimos estavam acautelados, menos nas consultas programadas não urgentes e consultas externas programadas não urgentes”. “Mesmo os serviços essenciais tiveram o pessoal reduzido”, completou Eddy Dias.
“Pelo menos até agora não houve marcação de faltas injustificadas”, revelou Nuno Pedro, ao contrário do que havia sido divulgado por José de Azevedo, presidente do Sindicato dos Enfermeiros.
Em relação a vigília, marcada na noite anterior, “houve uma boa mobilização e superou as nossas expectativas”, referiu a enfermeira Marta Ribeiro, das Caldas da Rainha. “O Centro Hospitalar do Oeste tem cerca de 250 enfermeiros, 30 devem estar a trabalho e estarem aqui 80 é um número razoável”, indicou Nuno Pedro. Havia ainda muitos enfermeiros de férias.
“Há necessidade de uma vez por todas termos uma carreira, há praticamente dez anos que não temos carreira nem progressões. Há uma desvalorização da experiência dos enfermeiros, e dos enfermeiros-especialistas, que embora com essa responsabilidade não são reconhecidos nem remunerados de acordo com isso. Fazer uma especialidade exige um grande esforço monetário e pessoal, porque não fácil conciliar com o nosso trabalho. Ter a responsabilidade e não ter qualquer remuneração adicional é bastante injusto. Há bastante tempo que estamos à espera que esta situação se resolva”, declarou Marta Ribeiro.
“Sou enfermeiro-especialista há seis anos, tenho duas pós-graduações, sou coordenador da VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação), faço trabalho diferenciado e recebo tanto como um colega que tem um ano de profissão e muitas vezes que sou eu a orientá-lo”, lamentou Nuno Pedro.
Os candidatos à Câmara e Assembleia Municipal das Caldas da Rainha pelo Bloco de Esquerda, Lino Romão e Carla Jorge, estiveram presentes na vigília para mostrar solidariedade com a luta dos enfermeiros. “É uma causa justa e oportuna. Está na altura de ver reconhecida a sua carreira e o papel que têm no Serviço Nacional de Saúde e remunerá-los devidamente”, manifestou Lino Romão.




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