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CDU acusa Câmara das Caldas de ausência da capacidade reivindicativa face ao poder central

Marlene Sousa

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A apresentação dos candidatos da CDU das Caldas da Rainha, que decorreu na passada quinta-feira, foi marcada pelas críticas ao atual executivo da Câmara de maioria PSD, a quem acusaram de falta de “determinação” junto do Governo em resolver a situação do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), da Linha do Oeste e da Lagoa de Óbidos. “A inércia, os impasses e a ausência da capacidade reivindicativa face ao poder central têm marcado muito negativamente a gestão municipal”, disse José Carlos Faria, candidato à presidência da Câmara Municipal.
Apresentação da candidatura da CDU das Caldas da Rainha

“O Hospital das Caldas está com uma inoperância total e o que é ainda mais preocupante é a falta de capacidade da maioria do PSD não ter uma posição frontal e de força em querer resolver o problema”, afirmou, Vítor Fernandes, candidato da CDU à Assembleia Municipal.

Para o candidato, o atual conselho de administração, “que parecia à partida ser uma boa solução, revelou-se ainda pior que o anterior”. “Era preciso termos, por parte da maioria do executivo camarário do município, uma posição de força e não estas águas mornas em que se mantém”, sublinhou Vítor Fernandes, acusando o atual presidente da Câmara de nunca querer “beliscar ninguém, quando vai falar com os membros do Governo”.

No âmbito do CHO, as prioridades imediatas, segundo Vítor Fernandes, residem na ampliação “das urgências, obras na farmácia hospitalar, no restabelecimento de valências clínicas e na eliminação da precariedade laboral”.

Criticou ainda Tinta Ferreira por não convidar todas as forças políticas do concelho quando vai a Lisboa falar com os governantes. “O ex-presidente, Fernando Costa, não era assim, levava todas as forças políticas. Nós sabemos as coisas pela comunicação social, isso só mostra uma posição de fraqueza”, adiantou o candidato.

O evento de apresentação teve lugar no Céu de Vidro por ser “um espaço que é de uso público desde os finais do século XVIII e com o edifício construído no século XIX e que neste momento ameaça ser engolido e haver aqui um assalto do uso público para fins privados, com a concessão dos Pavilhões do Parque”, apontou José Carlos Faria.

Ainda sobre o anteprojeto previsto para a instalação de um hotel nos Pavilhões do Parque, “impõe-se, de acordo com a lei, eliminar a volumetria excessiva, defender o património e a preservação das águas termais, ameaçadas tendo em conta o elevado nível freático”. Para o candidato é uma “situação preocupante de violação da lei e do PDM, mas também com o risco de contaminação das águas termais”.

O candidato da CDU criticou ainda as obras da primeira fase da Lagoa de Óbidos, revelando que “uma boa parte dos dragados que se tiraram regressaram à água porque estavam mal colocados, e a poluição continua e os perigos subestimados”, dando o exemplo dos vestígios de metais pesados, como crómio, que aparecem nas análises.

“(Re)Afirmar as Caldas!”

Com o slogan “(Re)Afirmar as Caldas!”, a candidatura da CDU, que pretende “reforçar os votos”, tem um programa para o concelho assente em várias propostas para o termalismo, urbanismo, tráfego, linha do Oeste, saúde, saneamento, desenvolvimento económico, agricultura, educação, freguesias, ação social, associativismo, cultura e turismo.

O candidato comunista disse ter a seu lado uma equipa “reforçada” de pessoas “experientes e conhecedoras dos principais problemas das Caldas” e que a participação da CDU nos diversos órgãos da autarquia tem sido “reconhecida” pelos contributos “dados na busca de soluções aferidas”.

Para o termalismo defende a reintrodução das comparticipações do SNS nos tratamentos termais e admite “a participação supletiva de privados no acesso pago à água termal, desde que não coloque em causa a essencial dimensão pública”.

Quanto ao urbanismo, o candidato à Câmara crítica o crescimento da cidade que ocorreu “desorganizadamente”. José Carlos Faria defende a requalificação das entradas da cidade com intervenção “prioritária no Largo da Rainha, a atualização de cadastros, a recuperação e reconversão das casas entaipadas e abandonadas, fomentando a habitação social e Jovem”.

A Linha do Oeste é absolutamente estratégica para os candidatos da CDU, não só para as Caldas da Rainha como para toda a região. “A modernização anunciada é parcial e muito aquém das necessidades sentidas pelas pessoas. É fundamental a eletrificação total, com sinalização automática, renovação do material circulante, ligações diretas, instalação de condições de conforto e informação para os utentes, servindo os fluxos turísticos e as populações com horários adequados, mas também o tecido económico, na vertente de carga e transporte de mercadoria, com um tarifário justo”, são as medidas apresentadas pela CDU das Caldas.

Defende a classificação imediata da Lagoa de Óbidos como “Paisagem protegida de âmbito regional” e proceder à sua despoluição e 2ª fase de desassoreamento. Quer a presença permanente de uma draga a operar na Lagoa e a desflorestação de eucaliptal nas margens do braço da Barosa, que “viola a distância mínima de proteção”. Considera ainda urgente a consolidação urgente do “Penedo Furado” em risco de derrocada.

Os candidatos da CDU querem a reposição das freguesias no formato anterior à agregação efetuada. “Queremos descentralizar novas competências para as freguesias, dotando-as dos meios financeiros e funcionais que lhes permita, tomar decisões e intervir no concreto”, declarou.

José Carlos Faria pretende que seja “superado o diferendo com os trabalhadores dos Serviços Municipalizados, proporcionando aos funcionários municipais a formação necessária à melhoria das suas qualificações e competências”.

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