A primeira entrevista iniciou com José Rui Raposo, candidato da CDU à Autarquia de Óbidos nas eleições autárquicas a 1 de outubro de 2017. Foi já candidato da CDU nas eleições de 2009 e 2013.
O cabeça de lista explica as razões da sua candidatura, expõe as suas intenções para a gestão da autarquia e apresenta as suas propostas e prioridades para o concelho.
Com 59 anos, Rui Raposo é licenciado em Ciência Política e da Administração, e exerce funções como técnico sindical e formador em Segurança e Saúde no Trabalho.
É membro da Comissão Para a Defesa da Linha do Oeste e do Conselho Nacional Florestal, em representação da CGTP-IN.
Politicamente, é membro do executivo da Direção de Organização Regional de Leiria do PCP e da Comissão Concelhia de Óbidos, onde é deputado na Assembleia Municipal em regime de substituição.
Para o candidato da CDU “este mandato confirmou que a maioria PSD não é solução para este concelho”. Alega que o “desenvolvimento prometido não passou, até hoje, de uma grande ilusão, assente em muita propaganda e pouca obra”.
José Rui Raposo pretende saber se a “divida contraída foi gasta em investimento para bem da população porque ficaram por fazer “investimentos, na rede de esgotos, na rede de distribuição de água e na rede viária municipal”.
JORNAL DAS CALDAS – José Rui Raposo foi já candidato da CDU nas eleições de 2009 e 2013, em Óbidos. É mais uma vez cabeça de lista pela CDU nestas eleições a 1 de outubro de 2017. Porque é que decidiu recandidatar-se novamente?
José Rui Raposo: A minha candidatura como cabeça de lista para a Câmara Municipal de Óbidos, não resulta essencialmente de uma decisão individual da minha parte, mas do entendimento que o coletivo da CDU neste Concelho teve, no sentido de ser eu a assegurar esta tarefa no quadro do trabalho autárquico. Naturalmente que pesaram nesta decisão, o conhecimento cada vez maior da realidade deste concelho; a identificação com os problemas e anseios da população de Óbidos; o trabalho desenvolvido, nomeadamente, neste último mandato, ainda que como membro da Assembleia Municipal, em regime de substituição.
JORNAL DAS CALDAS – Nas eleições autárquicas de 2013 teve uma votação baixa, mas conseguiu eleger membros nas assembleias de freguesia. A CDU quer ser uma alternativa em Óbidos? É possível crescer eleitoralmente?
J.R.R.: O crescimento da CDU neste Concelho não é, como dizem, uma possibilidade. É uma realidade. Uma realidade que se tem afirmado ao longo de quatro sucessivos atos eleitorais para as Autarquias Locais.
No caso concreto da Câmara Municipal, em 2001 tivemos 1,88% dos votos e em 2013, 6,65%, com um crescimento no número real de votos de quase quatrocentos por cento. Nunca estivemos tão perto de eleger um vereador para a Câmara Municipal, como em 2013. Idêntico crescimento tivemos ao longo destes anos na votação para a Assembleia Municipal, onde em 2009, passámos a ter um eleito e em 2013, dois. Não temos, pois, apenas eleitos nas assembleias de freguesia. Nestas, passámos a contar em 2013, com um eleito nas Gaeiras e dois no Olho Marinho, onde estamos nas eleições que se avizinham, a disputar a Presidência da Junta de Freguesia.
No plano político, somos de facto, a grande alternativa no Concelho de Óbidos. Alternativa à gestão autárquica do PSD que não trouxe desenvolvimento nos planos económico, social e cultural. PSD e PS não são alternativa um ao outro. São alternância, do mesmo tipo de projetos autárquicos, ainda que concretizados de modo diferente. A consolidação da CDU como alternativa, tem-se afirmado e será consolidada se o Povo deste Concelho quiser dar-lhe a sua confiança, traduzida em votos a 1 de outubro.
J.C. – Não teme um certo cansaço do eleitorado?
J.R.R. : O cansaço dos eleitores resulta da ausência de resposta, com medidas concretas, às suas preocupações, problemas e anseios. No nosso caso, isso não se verifica porque, primeiro, não estamos no poder. Segundo, porque se estivéssemos, aquilo com que nos comprometêssemos, concretizaríamos, na linha dos nossos princípios de TRABALHO, HONESTIDADE E COMPETÊNCIA.
Mas, mesmo em minoria, nos órgãos autárquicos onde temos eleitos, temos a convicção de que não há nem haverá cansaço por parte do eleitorado, mesmo daquele que não votou até hoje em nós. Temos intervindo com propostas e ação na defesa do bem estar e dos direitos da População de Óbidos: em defesa da água pública; em defesa dos serviços públicos de Saúde, com mais médicos de família e outros técnicos; pela requalificação da Linha do Oeste; contra a exploração de calcário nas Cezaredas; em defesa dos moradores do Casal do Avarela; pela requalificação da rede pública de água na Vila de Óbidos; pelo alargamento da rede de esgotos; em defesa da Lagoa e contra a construção desregrada dos complexos turísticos no Bom Sucesso e Vau; em defesa do património histórico e arquitetónico do Concelho e em muitos outros problemas com que fomos confrontados.
J.C. – Como avalia a gestão camarária atual?
J.R.R. : Este mandato confirmou que a maioria PSD não é solução para este concelho. O desenvolvimento prometido não passou, até hoje, de uma grande ilusão, assente em muita propaganda e pouca obra, sendo que a que há não vai ao encontro da melhoria da qualidade de vida da população do Concelho.
A maioria PSD, alinhou sempre da forma mais desvelada com as políticas dos sucessivos governos, em tudo o que foram decisões que foram pondo em causa, mais e mais, a autonomia do poder local democrático e que representaram a imposição ao Poder Local, de competências do Poder Central.
Veja-se o que se passou com o megalómano processo da “Escola de Óbidos”, instrumento de destruição da Escola Pública e que levou a Câmara a endividar-se à conta das obrigações que o Poder Central lhe impôs e que a maioria PSD aceitou de livre vontade.
J.C – Tem-se falado na dívida do município de Óbidos. Considera que a autarquia de Óbidos tem uma boa gestão financeira?
J.R.R.: A gestão financeira está sempre associada a opções de ordem política.
Interessa-nos assim saber se a divida contraída foi gasta em investimento para bem da população e se contribuiu para o desenvolvimento social e cultural do Concelho.
A maioria PSD contraiu dívida e investiu erradamente de uma forma exagerada em complexos escolares, no pressuposto de que só por si estes seriam o motor de um projeto escolar que traria mais e melhor educação para Óbidos. Na realidade, isto não aconteceu. Entretanto, ficaram por fazer outros investimentos, na rede de esgotos, na rede de distribuição de água, na rede viária municipal, só a título de exemplo.
No plano das despesas, é recorrente a prática de um elevado recurso à aquisição de serviços: próximo dos 30% das despesas correntes. Ou seja, confirma-se a opção na gestão da Câmara que privilegia esta solução, em detrimento da execução pelo próprio Município.
J.C. – Óbidos tem-se afirmado nos últimos anos com a realização de diversos eventos e iniciativas com bastante projeção. Estes eventos continuam a ser sustentáveis? E podem sê-lo no futuro?
J.R.R.: Os eventos e iniciativas com “bastante projeção”, são cada vez menos originais e cada vez mais replicados em muitos outros locais do País, com idêntica ou mesmo superior projeção em visitantes e na Comunicação Social. Refiro-me, concretamente, ao “Medieval”, ao “Festival do Chocolate” e à Vila Natal. Estes eventos requerem uma reavaliação quanto às suas vantagens e desvantagens para o Concelho em geral e em particular para a Vila Histórica. A avaliação terá de ser feita, no que toca ao impacto da sua realização para, o pequeno comércio e indústria da restauração e hotelaria; sobre o património edificado da Vila; da concentração de milhares de pessoas num contexto de vielas estreitas e a garantia das suas condições de segurança.
No plano económico também deverá ser feita uma avaliação transparente. Este debate precisa de ser feito, num contexto mais alargado de definição de um projeto cultural que envolva a população do Concelho e esteja ao seu serviço.
Não concordamos com a atual política cultural da maioria PSD na CMO. Trata-se de uma política elitista, fundamentalmente centralizada na Vila Histórica que, como no caso destes festivais, faz desta um mero palco de eventos.
J.C. – Quais são os principais problemas em Óbidos que gostava de ver resolvidos?
J.R.R. : Há graves problemas de ordenamento do território; problemas ambientais e de degradação da qualidade de vida das populações; envelhecimento da rede de distribuição de água; insuficiências na rede de saneamento básico; e o mesmo na rede viária.
Noutro campo, temos problemas de conservação do património histórico edificado; de ausência de qualificação urbanística, quer na Vila, quer nas restantes localidades do Concelho. Há gravíssimas insuficiências no plano da Saúde, com falta de médicos de família e outros técnicos, instalações envelhecidas, como no caso da sede do Concelho e subaproveitadas nalgumas das sedes de freguesia. Entre muitos outros problemas.
J.C. – Qual é a solução preconizada pela CDU para resolver esses problemas?
J.R.R. : É imperiosa a revisão do Plano Diretor Municipal. A promoção, em conjunto com a autarquia das Caldas da Rainha, da classificação da Área de Paisagem Protegida de Âmbito Regional da Lagoa de Óbidos. A definição de um plano de menorização do impacto da construção dos empreendimentos turísticos no Bom Sucesso e orla costeira atlântica. A negociação com o Governo de um plano sustentado para a cessação da atividade da pedreira de gesso e dos Aviários no Casal do Avarela. A promoção de um plano de preservação do Planalto das Cezaredas, envolvendo os municípios de Óbidos, Bombarral, Lourinhã e Peniche. Definição de um plano sustentado financeiramente para uma urgente recuperação da rede de distribuição de água na Vila e noutras pontos do Concelho. E o mesmo deverá verificar-se relativamente à rede de saneamento básico. Encontrar com o Poder Central, os mecanismos urgentes para a recuperação do património histórico edificado não abrangido por atuais projetos. A Vila, fora das portas da muralha e grande parte das localidades do Concelho, requerem planos de intervenção para a sua qualificação urbana, designadamente, ao nível de espaços de lazer para as populações. Intervenção prioritária junto do Governo, para o urgentíssimo preenchimento das necessidades concelhias de médicos de família e outros técnicos de saúde. Remodelação e modernização do Centro de Saúde de Óbidos, atribuindo-lhe novas valências e capacidades, designadamente para o atendimento de doentes urgentes.
J.C. – O que diria a um investidor para escolher Óbidos para investir?
J.R.R. : É bem vindo, se contribuir para: a criação de novos postos de trabalho, com valor acrescentado de mão de obra; a criação de riqueza a reaproveitar em benefício da população do próprio Concelho; a preservação do património natural e ambiental.
J.C. -Quais são as linhas mestras da candidatura da CDU?
J.R.R.: São três os eixos fundamentais das candidaturas da CDU à Câmara e à Assembleia Municipal de Óbidos: Uma gestão democrática e transparente dos Órgãos Autárquicos; uma gestão autárquica para a melhoria da qualidade de vida e uma gestão autárquica para o desenvolvimento económico e social.
Marlene Sousa



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