Numa tarde de muitas emoções e inaugurações para a vila, António Marques, autor do livro teve a companhia do ex-presidente de Junta de Freguesia de A-dos-Francos, Justino Sobreiro, que foi o responsável pela “ideia de escrever um pequeno trabalho sobre o lugar de A-dos-Francos, povoação antiga e vila nova do concelho de Caldas da Rainha”, para apresentar a obra, no salão da SIMCR – Sociedade de Instrução Musical Cultura e Recreio. Presente também esteve um amigo, Hermínio Martinho (fundador do Partido Renovador Democrático e ex-deputado na Assembleia da República), a quem coube a tarefa de apresentar a obra, editada pela Junta de Freguesia de A-dos-Francos, e ainda os autarcas, António Monteiro, atual presidente de Junta, e Tinta Ferreira, presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha.
Desafiado por Justino Sobreiro, António Marques explicou que “limitei-me a descer ao lugar, olhá-lo através dos seus musgos antiquíssimos e com palavras humildes falar de um aglomerado que viu nascer Portugal e que a história faz recuar aos primeiros tempos do povoamento do território”. Para isso foram precisas 24 sessões na Torre do Tombo, “mais de três anos de investigação e relacionamento de dados” e ainda uma passagem pelos arquivos paroquiais e bibliotecas para elaborar a obra.
Segundo o autor, “A-dos-Francos é uma das terras mais antigas do concelho das Caldas da Rainha”, e é povoada de “gente diferente que divide o coração entre o amor à terra fértil, o gosto pela música e o espírito da tradição”.
Explicou igualmente que “quem me falou pela primeira vez sobre as terras de A-dos-Francos, vai para 45 anos que cheguei a Caldas da Rainha, foi um sábio russo, Zbyszewski”, que estudou a região e com quem visitou a freguesia diversas vezes.
Relativamente à freguesia, António Marques refere na obra os padroeiros de A-dos-Francos, Nª. Srª. Da Graça e S. Silvestre, “símbolos cristãos que possui nos seus templos curiosos exemplares de arquitetura religiosa”, como são os casos da Igreja Matriz, ou das capelas de Santo António nos Casais da Bica, de São Sebastião em Vila Verde ou de Santa Helena”, bem como a fruticultura, que “representa uma realidade visível a olho nu, uma âncora da economia local, produzindo sobretudo pera rocha destinada aos mercados nacionais e internacionais”.
Em relação à educação, o autor destacou que “A-dos-Francos possui escolas básicas e integradas, um moderno Colégio, onde existem os mais avançados sistemas pedagógicos, que servem os jovens de toda a região”, e ainda uma “centenária Sociedade de Instrução Musical Cultura e Recreio”, por onde passaram “gerações de músicos, famílias inteiras que fizeram desta freguesia uma referência no concelho”.
Na gastronomia, António Marques explicou que “A-dos-Francos é conhecido pelo seu cozido à portuguesa que tem os seus segredos quem sabe transportados pelos ventos da história”. Descreveu também a origem e povoamento, a formação e a sociedade, as singularidades naturais e as tradições, a Caixa de Crédito Agrícola e nomes ilustres, que estão na origem de uma nova visão de vida social, cultural e económica de A-dos-Francos.
Já António Monteiro começou por referir que “estou apresentar um sonho, que foi tornado realidade”, ou seja, “um livro que retratasse a nossa história”.
Considerado pelo autor como “um homem com uma visão inteligente, em relação à sua freguesia e ao seu concelho”, Justino Sobreiro, emocionado, agradeceu a todos os contribuíram pelo desenvolvimento da freguesia e em especial, ao autor, que “sem ele, o livro não tinha sido feito”.
Hermínio Martinho caracterizou a obra como um trabalho “muito exaustivo, que contou com muitas noites e dias de investigação”, e que permite “dar voz à história de A-dos-Francos”. Salientou também que esta obra será “um legado” para os cidadãos desta terra e da região.
Para o responsável, o livro é um “documento identitário da vila” e destaca entre outros fatores, a geologia que permitiu o povoamento, e consequente configuração da atividade económica ligada essencialmente à agricultura e à criação de gado, também o rio Arnoia, que “continua a hoje a ter um papel importante no desenvolvimento da agricultura”. Além disso, explica que o livro faz referência à passagem dos árabes pela vila, que “incentivaram ao cultivo de oliveiras e inovações na agricultura”, sobretudo no sistema de regadio.
Ao nível do fator sociocultural, Hermínio Martinho sublinhou que obra permite, através da memória coletiva, conhecer as tradições, usos e costumes, o património cultural e religioso e ainda a gastronomia, que “vai buscar ao setor agrícola grande parte do seu sustento”.
Relativamente à etnografia, música e folclore, na sua opinião traduzem “um cruzamento de culturas de outros povos que por aqui se estabeleceram”. Igualmente evidenciou no património cultural a importância da SIMCR, que deu origem à Banda Filarmónica, bem como a escola de música.
Hermínio Martinho frisou ainda o Rancho Folclórico “Danças do Arnoia”, tal como a gastronomia, é influenciado pelas culturas de outros povos”. Além disso, disse que a obra faz referência a outros fenómenos da vila, como é o caso do futebol feminino.
Para o presidente da Câmara, que esteve presente na cerimónia de inauguração da sede da Junta de Freguesia e de um largo, ambos requalificados, esta obra é uma “monografia, um registo público” que reconhece a importância da vila, no que diz respeito ao passado e ao presente.
“É um livro que deu muito trabalho, está minucioso e que vai ao pormenor”, apontou o autarca, adiantando que “nem todas as terras têm a oportunidade de ter uma monografia, só as grandes é que conseguem”. Destacou também que o livro faz referência aos “homens e mulheres que deram muito de si, no reconhecimento de A-dos-Francos”, bem como ao ex-presidente Justino Sobreiro, que “conseguiu atrair um conjunto de infraestruturas para a vila”.
O autarca fez questão de sublinhar o papel do autor, que é “uma figura que todos os caldenses reconhecem e que desenvolveu este trabalho muito bem”.
Mariana Martinho



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