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Termas promovem saúde e bem-estar

Marlene Sousa

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São já bem célebres as águas termais portuguesas e os benefícios que proporcionam aos seus utilizadores. Numa entrevista sobre os benefícios dos tratamentos termais para a saúde, o diretor clínico do Hospital Termal das Caldas da Rainha, António Silva, sublinhou que há uma longa história civilizacional da ligação das águas minerais naturais à saúde. “Ao longo dos tempos, aos aspetos “curativos” da água ligaram-se outras atividades humanas de cariz social, cultural e económico, desenvolvendo-se um fenómeno multidimensional que denominamos de “Termalismo”, disse este responsável.
Caldas da Rainha tem potencialidades para fazer uma aposta nesta área da saúde

O termalismo é uma peça importantíssima como local próprio de saúde, em que a água mineral natural, o clima e as condições geográficas locais proporcionam as condições ideias de tratamento”. Assim, de acordo com este responsável, não estranha que a terapêutica termal se mantenha atual e até cada vez mais procurada.

Quando falamos em saúde, “dizemos muito mais que ausência de doença”. Segundo a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), “falamos em bem-estar físico, mental e social, muito bem acompanhado pelo termalismo.

“Esta terapêutica, utilizada simultaneamente ou como complemento de outras terapêuticas, não visa a cura (que os medicamentos também não conseguem), mas a melhoria da qualidade de vida, a procura de “melhor bem-estar”, já que o “completo bem-estar” da definição da OMS será sempre inatingível”, sublinhou António Silva.

As águas das inúmeras termas de Portugal, como as Termas das Caldas da Rainha, têm, de facto, qualidades e características que promovem a saúde e o bem-estar.

Segundo o diretor clínico, “dotadas de enorme valor terapêutico, as águas termais das Caldas da Rainha, sulfúreas, cloretadas sódicas e hipersalinas estão reconhecidas para o tratamento de afeções respiratórias (sinusites, rinites crónicas, hipertróficas e atróficas, laringite crónica, bronquite crónica, asma brônquica), reumáticas e músculo esqueléticas (artrose, reumatismos inflamatórios (artrite reumatoide, espondilite anquilosante, gota, sequelas pós-traumáticas)”.

“As Caldas da Rainha, com águas e instalações de excelente qualidade, têm pois imensas potencialidades para fazer uma aposta nesta área da saúde e, se quisermos no chamado “turismo de saúde”, adiantou António Silva.

Quanto aos tratamentos termais mais procurados pela população, este responsável revelou que as afeções responsáveis pela maior frequência termal em Portugal têm sido desde sempre as reumatismais, as digestivas e as do foro respiratório ou de otorrino (51%, 13% e 23%, respetivamente, em 2006).

“Nos últimos anos assistimos até a uma subida das doenças reumatismais e das doenças do foro respiratório e de otorrino (rinossinusite), em parte relacionado com o ritmo da vida moderna”, relatou.

“Para as doenças reumáticas (osteoartrose, espondilartrose, …), os banhos e os duches de água, os vapores, a hidrocinesioterapia em piscina, a aplicação de lamas, com o complemento de algumas técnicas de fisioterapia tais como as massagens e a eletroterapia, poderão ser poderosos auxiliares na recuperação de qualidade de vida. Isto é, melhorando a tolerância à dor, impedindo a fixação de lesões ou recuperando até a mobilidade articular, poderão favorecer um “melhor bem-esta” sem o recurso a medicamentos, sempre com riscos acrescidos nas idades mais avançadas onde, por sua vez, a polimedicação é a regra”, explicou o médico. Porém, lembra que tais situações, mais do que tratadas, devem “ser prevenidas pela aquisição de hábitos da prática do termalismo em idades mais jovens”.

Para as doenças do foro respiratório (asma brônquica, rinossinusite,…), cada vez mais frequentes, de “agravamento sazonal ou também por causa da poluição ambiental crescente na nossa vida diária”, o médico defende a “prática do termalismo através de inalações, pulverizações, aerossóis, irrigações de água mineral”. “Sobretudo quando sulfúrea ou cloretada e silicatada, é hoje de indiscutível valor, cientificamente comprovado, e uma prática já correntemente recomendada por alergologistas, otorrinolaringologistas e, cada vez mais, pelos pediatras, desde as mais tenras idades”, apontou, adiantando que “as propriedades mecânicas (de lavagem, de estimulação mecânica) e térmicas (estimulantes, relaxantes, anti-inflamatórias, resolutivas) da água somam-se às propriedades dependentes da respetiva composição físico-química em enxofre, sílica, cloretos, etc. (com poder antisséptico, modificador da imunidade das mucosas respiratórias, anti-inflamatórias, descamativas, estimulantes dos cílios vibráteis)”.

Segundo o diretor clínico do Hospital Termal das Caldas, a crença quase generalizada que as termas são um destino ideal para os seniores, “ainda continua”. “Não podemos esquecer que continuam a ser o grupo com mais disponibilidade económica e temporal para fazer tratamentos termais”, relatou, considerando que “hoje, as Termas procuram dar uma resposta a qualquer faixa etária do ponto de vista do bem-estar, qualidade de vida e também de saúde quando ela é procurada do ponto de vista da sua vocação terapêutica, posicionando-se como locais de convívio entre gerações, locais de destino para toda a família”.

Para António Silva “a terapêutica termal tem o seu lugar na prevenção, no tratamento e na recuperação de múltiplas afeções, procurando a melhor saúde possível dentro do melhor bem-estar possível, recorrendo, consoante a situação, a técnicas de prevenção, de tratamento, de recuperação e de bem-estar”.

A prática do termalismo, regularmente e em todas as faixas etárias, favorece a caminhada para um estado de melhor bem-estar e, por isso, de melhor saúde, permitindo, por isso, não só “dar mais anos à vida”, mas, e sobretudo, “dar mais vida aos anos”, concluiu.

De 18 a 20 de maio, no Centro Cultural e Congressos das Caldas da Rainha, vai decorrer o X Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica, com o lema “Cidades Termais”.

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