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Crónica

Casal caldense viaja pelo mundo

Joana Oliveira e Tiago Fidalgo

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Em vias de nos despedirmos da Nova Zelândia, não conseguimos desfazer-nos de todos os pensamentos que trazemos, todas as imagens que guardámos, tudo o que visitámos, caminhámos, deslumbrámos, imaginámos ou vivemos. E, aconteça o que acontecer, é de fato a terra dos sonhos.
Nas cascatas Huka Falls, em Taupo, na Nova Zelândia

Quando de Wellington subimos à boleia até Cape Reinga, a ponta norte da ilha norte, na calma das calmas e sem expetativas, fomo-nos deixando apaixonar pelas Glow Warms, pelas praias de areia negra, pelos verdes pratos salpicados com vacas, pelas cascatas, pelas termas e piscinas naturais de água quente, e tantas outras coisas. E apaixonámo-nos também pela ponta das pontas, onde vimos o oceano e o mar tornarem-se um só. Mas, dia após dia, fomos por todos sendo lembrados que o melhor estava para vir e que não lhe podíamos falhar: a ilha sul. Teciam-lhe maravilhas, largados elogios e palavras sem fim. Fossem locais ou estrangeiros, a conversa era sempre a mesma.

Contudo, viajar para a ilha sul nos moldes a que estamos habituados – à boleia, seria difícil. Começámos então por entre as nossas habituais pesquisas, discernimentos e pensamentos; procurámos as alternativas existentes e os melhores preços do mercado: e descobrimos as “relocation car”. Estas acontecem quando alguém aluga um carro e a empresa pretende ter o carro de volta à base, comportando as despesas – e esta pareceu-nos ser a boleia ideal, tendo nós assim o barco pago, a gasolina assegurada e ainda um vale para despesas pessoais: perfeito! Apanhámos então o carro na ilha norte e aventurámo-nos na estrada neozelandesa, com o volante à direita e as estradas rurais intituladas de autoestradas, dando desta vez nós também boleia a todos os viajantes que fomos encontrando pelo caminho.

Teria tudo assim corrido na perfeição, se não fosse o azar bater-nos à porta, e nós que de boleia contamos pelos dedos de uma mão os percalços que tivemos até hoje em mais de treze meses de vigem. Um toque a estacionar fez com que o para-choques saísse danificado – e os nossos planos furados. Acabou assim por ser esta a boleia mais cara desta viagem, o momento em que mais depressa vimos a nossa vida andar para trás, logo que tivemos de pagar pelo acionar do seguro do carro. Quinhentos dólares locais, perto de trezentos e cinquenta euros; e um sentimento inexplicável. E assim é quando estamos de viagem: nem tudo corre conforme planeamos, nem tudo é conforme sonhamos. Se a vida dá voltas e voltas, imagine-se quando nos deixamos levar pelo mundo.

Guardamos ainda assim em nós o que de melhor este azar nos trouxe: uma majestosa entrada de ferry, uma verdadeira grandiosidade e generosidade, porque temos realmente de ser gratos pela oportunidade que tivemos em observar tamanha beleza. Foram montanhas envoltas de nuvens, o mar azul turquesa e todos os golfinhos em nosso redor, com saltos sincronizados e profundos. Porque na verdade, a ilha sul, é uma terra vazia – mas tão cheia de tudo!

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