Um monumento evocativo do 16 de março, da autoria de José Santa-Bárbara, vai ser colocado em março de 2018 em frente ao quartel das Caldas da Rainha, atual Escola de Sargentos do Exército (ESE), de onde saíram os militares para a tentativa de golpe que antecedeu o 25 de Abril.
A peça de oito metros de altura pretende assinalar a tentativa de golpe de estado protagonizada pelo Regimento de Infantaria 5 (RI5) das Caldas da Rainha, na madrugada de 16 de março de 1974, que não vingou, mas foi importante para a preparação da Revolução de abril.
Este ano a Câmara assinalou a “Revolta das Caldas” dando a conhecer o esboço do monumento. Junto à obra haverá um centro interpretativo, onde serão colocadas placas explicativas sobre o golpe.
Na cerimónia comemorativa foi ainda anunciado o lançamento, para 2019, de uma banda desenhada da autoria do ilustrador José Ruy, assinalando os 45 anos do 16 de março de 1974. O livro contará e explicará às crianças e jovens a história.
O monumento, encomendado pela Câmara, tem o custo de “cerca de 60 mil euros”. “É muito importante que o monumento fique junto ao quartel onde as operações se passaram, de onde saíram os militares que rumaram a Lisboa”, sublinhou a vereadora da Cultura, Conceição Pereira.
O projeto contempla ainda o arranjo paisagístico do local, uma iniciativa que a autarca considera ter um grande “simbolismo” e que “fará que ninguém fique indiferente à representação do 16 de março”.
A peça, explicada pelo escultor José Santa-Bárbara, “terá oito metros de altura, partindo de uma base em betão negro que representa os muros de antes do 25 de Abril de 1974, do qual sobressai um cano em inox de onde saem estrelas e bolas representando “um fogo de artifício, o fogo que não saiu das armas e a liberdade que se seguiu”.
O monumento terá ainda o pormenor de “não ser estático” e de as estrelas e bolas “oscilarem ao vento”, acrescentou José Santa-Bárbara durante a apresentação do esboço da peça.
O livro com a história de 16 de março será editado pela Âncora. O autor só vai poder ter o livro concluído em 2019 porque tem vários projetos em mão que tem que terminar primeiro.
O presidente da Câmara das Caldas considera que o país não reconhece como devia o “16 de março” e que têm “sido os militares do RI5 das Caldas em conjunto com o Município quem têm feito esta evocação”. “Se o país não o faz, fazemo-lo nós”, sublinhou Tinta Ferreira.
O autarca destacou a peça de José Santa-Bárbara, revelando que “corresponde muito à ideia do cinzento escuro que prendia e temos a sair de algo que pode ser uma arma que não disparou tiros, tipo um big bang, que fez nascer a vida”.





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