Nasceu no reinado de D. Carlos, a 15 de fevereiro de 1906, em Monte Frio, no concelho de Arganil. Viveu a implantação da República, as duas guerras mundiais e a revolução dos cravos.
A idosa mostra-se ainda bastante lúcida. A incomodá-la estão os problemas de audição, visão e de locomoção.
No Lar da Misericórdia de Alfeizerão, onde se encontra, Benvinda Matias contou como se sente. “Sinto-me bem. Um dia melhor, outros dias pior”, relatou.
E como chegou até esta idade? “É Deus que me quer cá…Deus quer-me aqui”, respondeu.
Dois anos antes de nascer era fundado o Benfica. Um clube que ficou no seu coração. “Sou do Benfica desde que nasci”, frisou Benvinda Matias.
Trabalhou nos campos agrícolas e chegou a viver em Lisboa e em Moçambique. Aos 100 anos ainda cuidava de si sozinha e fazia a lida da casa. E será que gostava de continuar assim? “Pouco, já não gosto de trabalhar. Já trabalhei muito. Agora trabalhem os outros”, comentou.
A boa disposição é algo a que já estão habituados quem com ela convive. “Apesar da idade e das dificuldades que tem, ainda tenta fazer quase tudo por ela própria. A alimentação é ela que faz sozinha. É uma pessoa muito divertida”, apontou Eva Vardasca, funcionária do Lar da Misericórdia de Alfeizerão
Helena Neto, diretora técnica do Lar, manifestou que “é um grande orgulho para todos nós tê-la nesta casa. É bom ter uma pessoa com esta idade, com esta vontade, com esta boa disposição, é realmente um marco para todos nós”.
Tem saudades das cantigas populares e apesar da voz arrastada ainda é capaz de cantar alguns versos. O principal desgosto foi nunca ter aprendido a ler e escrever, porque os pais eram pobres e não podiam pagar.
Benvinda Matias ficou viúva aos 34 anos. Teve apenas um filho, já falecido. Tem dois netos e quatro bisnetos.





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