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Programa Caldas da Rainha Cidade Cerâmica continua em 2017

Lançamento do catálogo com a obra pública de Ferreira da Silva terá impacto nacional

Marlene Sousa

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Integrado no programa Caldas da Rainha Cidade Cerâmica será lançado brevemente a publicação de um catálogo com a obra pública de Ferreira da Silva, que irá contemplar obras presentes em todo o país. O trabalho de investigação está concluído e falta agora a produção gráfica. “Esperava-se uma publicação de 60 páginas, mas será um catálogo com um impacto grande porque vamos encontrar muito mais Ferreira da Silva do que alguma vez se esperava, em todas as suas fases e épocas, com obras públicas que criou desde os 16 até aos 80 anos”, disse o comissário do projeto, Bonifácio Serra.
Apresentação dos catálogos das exposições no âmbito da Molda

O ano de 2016 foi o arranque do programa “Caldas Cidade Cerâmica” e este ano haverá mais exposições, publicações e outros eventos. junho será o mês de artes cerâmicas na cidade, estando prevista uma série de realizações no âmbito da Molda, nomeadamente através de “exposições de autores independentes que têm o seu próprio atelier, privilegiando o seu trabalho atual”, contou o comissário.

O anúncio destas novidades foi feito no passado dia 6, durante a apresentação dos catálogos das exposições “Animais na Cerâmica Caldense – Coleção de João Maria Ferreira” e “Molde – Uma coleção industrial da Molde Faianças”, que decorreram no âmbito da Molda. Foi ainda apresentada uma outra obra: “Cerâmica das Caldas no Século XX – Uma Cronologia”, realizada pela associação Património Histórico (PH).

A propósito das novidades deste programa, Bonifácio Serra revelou que se estabeleceram novas parcerias com a associação Destino Caldas (Silos – Contentor Criativo) e com a Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro. Não precisando o projeto com muito detalhe porque o processo de acerto dos protocolos ainda está em curso, o comissário disse que o objetivo é dar apoio significativo aos projetos da Associação Destino Caldas que contemplem a cerâmica com algum destaque.

Quanto ao protocolo com a escola secundária Rafael Bordalo Pinheiro, disse que pretende-se “reforçar a cultura e a educação, e aproveitando a relação privilegiado deste estabelecimento de ensino com a cerâmica”. Nesse sentido, será dado “um apoio significativo ao apetrechamento das oficinas de cerâmica daquela escola”.

Recorde-se que a propósito do programa Caldas da Rainha Cidade Cerâmica foi estabelecida uma série de parcerias com instituições (como a ESAD.CR e a PH, entre outros) e artistas. Para Bonifácio Serra ficou provado que realizar um programa com base em parcerias “foi muito positivo e daí a ideia de alargar os protocolos a outras entidades”.

As exposições da Molda integradas no programa Caldas da Rainha Cidade Cerâmica viram, mais uma vez, o seu prazo alargado até ao final de fevereiro, tendo em conta “uma adesão extraordinária por parte do público”, salientou a vereadora da Cultura, Conceição Pereira.

A autarca sublinhou a importância do programa que irá prolongar-se até 2020, altura em que o município irá candidatar-se a Cidade Criativa da Unesco.

O comissário da Molda também destacou o primeiro ano do programa Caldas da Rainha Cidade Cerâmica, referindo que “houve uma mediatização dos acontecimentos nas Caldas na cerâmica do ponto de vista cultural”.

Bonifácio Serra salientou que uma das atividades mais relevantes em 2016 foi o início da constituição de uma coleção de cerâmica contemporânea para o município, algo que não estava inicialmente previsto. “Optámos por adquirir as peças para a exposição de cerâmica contemporânea, em vez destas serem emprestadas como é habitual, e agora a decisão foi continuar com esse processo”, explicou. A exposição ficará no Centro de Artes e a curadoria irá manter-se com Fernando Brízio.

Segundo o presidente da Câmara Municipal, Tinta Ferreira, o projeto Molda tem tido um conjunto de iniciativas que tem “valorizado o papel da cerâmica caldense e permitido a sua reafirmação no contexto nacional”. “A cerâmica é um dos nossos elementos identitários e que nos valoriza se a soubermos divulgar e apresentar”, adiantou o autarca.

Tinta Ferreira referiu que apesar das exposições terem sido um sucesso, elas irão terminar, manifestando a sua satisfação com a publicação dos catálogos das mesmas que ficam para o “futuro”. “Muitas coisas já foram feitas e outras estão para realizar e isto pode catapultar ainda mais Caldas da Rainha no seu processo de afirmação enquanto concelho em que as artes e as águas são elementos preponderantes, correspondendo à nossa visão estratégica para o município”, disse.

Segundo o presidente da autarquia, é preciso pegar naqueles que são os dois principais fatores identitários, “recriá-los, transformá-los, divulgá-los e através deles “afirmar as Caldas da Rainha no contexto nacional e internacional e através dessa afirmação, promover cultura, desenvolvimento económico e envolvimento da comunidade criativo”.

O Projeto Caldas Cidade Cerâmica vai promover um conjunto de iniciativas até 2020, com um orçamento de global de um milhão e cem mil euros.

Catálogos editados no âmbito da Molda

No âmbito da Molda está previsto que de dois em dois anos seja convidada uma empresa de cerâmica para expor o seu trabalho, tendo sido a Molde a escolhida em 2016.

O catálogo resultante da exposição “Molde. Uma Coleção industrial da Molde Faianças”, que está patente no Espaço da Concas, e que poderá ainda ser vista até 28 de fevereiro, foi a primeira publicação apresentada.

A exposição contou com a curadoria de Carla Lobo, e apresenta algumas das peças mais representativas da história da Molde Faianças, desde a sua fundação, em 8 de junho 1988, até à atualidade. O ponto de partida é formado pelo acervo de peças adquirido pela Câmara Municipal das Caldas da Rainha, que corresponde sensivelmente aos primeiros 17 anos de laboração da fábrica.

O objetivo da exposição e do respetivo catálogo é que “dessem uma imagem global do trabalho feito pela Molde ao longo desse tempo em função dos seus mercados, refletindo a evolução do negócio e do produto e naturalmente também o contato e relação com o mundo do design”, disse Bonifácio Serra.

“Uma parte da história da empresa também se refletiu na história da cidade, nomeadamente da ESAD.CR, porque alguns dos professores daquela escola foram colaboradores qualificados da Molde”, adiantou o comissário.

Em relação à exposição “Animais na Cerâmica Caldense – Coleção de João Maria Ferreira”, patente no museu da Cerâmica, a curadora, Margarida Elias, explicou que a maior dificuldade na organização desta mostra foi a da escolha das peças, tendo em conta o fato de se tratar de uma coleção muito vasta e com trabalhos de grande qualidade.

No total estiveram expostas 131 peças, que ficam agora registadas no catálogo editado pelo município das Caldas da Rainha. Desta obra faz parte ainda uma série de textos de contextualização histórica e também de um biólogo, que aborda a representação da Natureza na cerâmica das Caldas.

Segundo Isabel Xavier, presidente da associação PH, a cronologia agora editada será um instrumento e de consulta para os que queiram estudar a cerâmica caldense. O trabalho contempla uma primeira investigação, datada de 1990, relativamente ao período de 1927 a 1977. A essa primeira cronologia foram acrescentados factos relativos ao início do século XX e ao período entre 1997 a 2008._

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